Vacinas de bebês abortados

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Entenda de uma vez por todas a campanha de desinformação sobre o assunto e como se deve agir diante da questão

No dia 14 de junho de 2020, durante a Homilia da Santa Missa de “Corpus Christi” em Valência, o cardeal espanhol Antonio Cañizares protestou contra o desenvolvimento de uma vacina para a COVID-19 a partir de células de bebês abortados:

“O diabo existe em plena pandemia, tentando levar a cabo investigações para vacinas e curas. Deparamo-nos com a dolorosíssima notícia de que uma das vacinas se fabrica a base de células de fetos abortados. […]. Isso é desumano, isso é cruel… […]. Primeiro se mata com o aborto e depois se manipula. Ah, bem, que bom! Não. Temos uma desgraça a mais, obra do diabo” [1].

De fato, a revista Science, em 12 de junho, dizia:

Agora, grupos de pesquisa em todo o mundo estão trabalhando para desenvolver mais de 130 vacinas candidatas contra a COVID-19, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Pelo menos seis dessas candidatas usam uma das duas linhagens celulares fetais humanas:

  • HEK-293, uma linhagem celular renal amplamente usada em pesquisa e indústria que provém de um feto abortado por volta de 1972;
  • e PER. C6, uma linhagem celular de propriedade da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson, desenvolvida a partir de células da retina de um feto de 18 semanas abortado em 1985.

Ambas as linhas celulares foram desenvolvidas no laboratório do biólogo molecular Alex van der Eb na Universidade de Leiden [2].

Em 27 de julho, a BBC News Brasil publicou uma matéria em cujo título os “fetos abortados” estariam entre “as mentiras sobre a vacina da covid-19 que já contam por aí” [3]. No entanto, no corpo do texto, o artigo diz que, segundo o virologista Aguinaldo Pinto, “o desenvolvimento de vacinas realmente pode envolver o uso de culturas de células obtidas de tumores ou de fetos humanos que foram abortados”. E ainda:

Antes, era preciso obter o vírus de pessoas ou injetá-lo em um animal, matá-lo, tirar um pedaço do corpo, purificar o material. Quando foi desenvolvida a técnica do cultivo de células em laboratório, foi uma grande revolução na virologia e na biologia de forma geral.

A matéria confirma que “a cultura HEK-293, mencionada pela suposta notícia [sic], foi criada no início dos anos 1970, a partir do rim de um feto abortado na Holanda”. E ainda: “O mesmo criador da HEK-293, o biólogo molecular Alex van der Eb, desenvolveu outra cultura a partir de células da retina de um feto abortado em 1985, chamada PER.C6”.

Quanto às culturas celulares descritas pela revista Science, a BBC afirma: “Duas já estão na fase de estudos clínicos, entre elas a vacina de Oxford, que está em testes no Brasil”. Onde estaria então a “mentira” dos “fetos abortados”? Vejamos:

Portanto, a afirmação feita pela suposta notícia de que as vacinas contra covid-19 têm células de fetos em sua composição é falsa. ‘As células são usadas para produzir os vírus. Depois, eles são separados das células, e só são usados os vírus na vacina’, diz Pinto.

Parece cômico, mas a BBC confirma que há atualmente vacinas contra COVID-19, inclusive a de Oxford – cujos cobaias serão os brasileiros – produzidas a partir de células de crianças abortadas há décadas. Nega apenas que tais vacinas tenham tais células em sua composição. Seria como alguém dizer que o pão não contém grãos de trigo, mas foi feito a partir de grãos de trigo.

Diante do fato – contra o qual não há argumentos – de que a vacina oferecida a nós, brasileiros, foi produzida a partir de células de bebês abortados, surge o problema ético: podemos tomar tal vacina? Para responder, precisamos aprender algo sobre a cooperação com o mal.

Princípio da cooperação com o mal

Há atos, em si bons, que são ligados a um ato mau realizado por outra pessoa. Quem os pratica, está cooperando com o mal. É lícita tal cooperação?

Em primeiro lugar, é preciso que o ato a praticar seja bom (por exemplo, construir uma casa, limpar um cômodo, aplicar um medicamento…). Se o ato for mau em si mesmo (por exemplo, mentir, matar um inocente, esterilizar alguém…), obviamente não será lícito praticá-lo em cooperação com um ato mau de outra pessoa.

Em segundo lugar, é preciso distinguir os diversos tipos de cooperação com o mal:

Cooperação material e cooperação formal:

Um agente coopera formalmente com o ato mau de outrem, quando deseja que este ato seja praticado. Nesse caso, o agente compartilha a intenção má da outra pessoa com cuja ação coopera. Tal cooperação é sempre ilícita.

Um agente coopera materialmente com o ato mau de outrem, quando não deseja que este ato seja praticado, embora concorra para sua prática. A cooperação puramente material pode, em certos casos, ser lícita.

Cooperação direta (ou imediata) e cooperação indireta (ou mediata):

Há cooperação direta ou imediata quando a ação de quem coopera e a ação de quem recebe a cooperação formam uma unidade, ou seja, quando a primeira ação se orienta exclusivamente à outra ação, que é má. Por exemplo: uma enfermeira na sala de cirurgia, embora não concorde com o aborto, entrega ao médico uma solução hipertônica que será introduzida no útero de uma gestante a fim de matar o bebê (aborto por envenenamento salino).

Tal cooperação é sempre ilícita.

Há cooperação indireta ou mediata quando se coopera com os meios para que a ação má seja praticada. Por exemplo: um comerciante vende uma faca de cozinha, que poderá servir de instrumento para um homicídio. No entanto, a faca pode também ser usada para descascar e cortar legumes e o comerciante ignora a intenção do comprador.

A cooperação mediata admite graus de distância do ato principal. Pode ser próxima ou remota.

A cooperação com o mal, ainda que material e indireta, para ser lícita exige que haja uma razão proporcionada. Ou seja, deve haver um motivo suficientemente forte para justificar a tolerância do mal com o qual se está cooperando.

Embora aceitar a vacina seja cooperar apenas material e remotamente com a prática do aborto, faltam motivos sérios que justifiquem tal cooperação.

Primeiro, porque, apesar do esforço descomunal por censurar informações “politicamente incorretas”, cresce o número de médicos que afirmam a eficácia e segurança do tratamento precoce da COVID-19 por medicamentos antivirais como hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina, associados ao zinco, evitando internações, intubações e óbitos [6].

Segundo, porque não há nenhuma garantia de que seríamos imunizados contra a COVID-19, uma vez que a vacina está em fase de experimentação e os brasileiros seriam cobaias. Tampouco se sabe sobre os possíveis efeitos colaterais.

Terceiro, porque já houve, nos anos 90, uma campanha mundial de vacinação de mulheres em idade fértil contra tétano neonatal. No México e na Nicarágua foram encontrados, nos frascos das vacinas, a subunidade beta da gonadotrofina coriônica humana (beta-HCG) misturada ao toxoide tetânico. Isso faria com que as mulheres desenvolvessem anticorpos não apenas contra o tétano, mas também contra o beta-HCG, que é essencial à manutenção da gravidez. De fato, tais anticorpos foram encontrados no sangue de mulheres das Filipinas vacinadas contra tétano. Isso sugere que, por trás da campanha de vacinação em massa estaria o desejo de causar aborto precoce em mulheres do Terceiro Mundo[7]. Também no Brasil, em 1995, foi feita uma vacinação de mulheres em idade fértil (de 15 a 49 anos) contra o tétano em aproximadamente 682 municípios[8]. Uma única amostra foi levada para análise na Universidade Católica de Roma, mas nela não foi detectada a presença do hormônio HCG.

Não podemos afirmar categoricamente que algo semelhante esteja acontecendo com a vacina contra COVID-19 que está sendo empurrada sobre nós. Mas os fatos do passado nos autorizam a suspeitar.

Autor Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz.

Fonte: www.providaanapolis.org.br

[1] https://elpais.com/sociedad/2020-06-15/el-cardenal-canizares-afirma-que-las-vacunas-contra-el-coronavirus-se-fabrican-con-fetos-abortados.html

[2] MEREDITH WADMAN. Vaccines that use human fetal cells draw fireScience12 Jun. 2020 : 1170-1171 https://science.sciencemag.org/content/368/6496/1170.full

[3] RAFAEL BARIFOUSE. Fetos abortados, microchips e Bill Gates: as mentiras sobre a vacina da covid-19 que já contam por aí. BBC News Brasil, 27 jul. 2020 https://www.bbc.com/portuguese/geral-53533697

[4] https://www.amicidilazzaro.it/index.php/riflessioni-morali-circa-i-vaccini-preparati-a-partire-da-cellule-provenienti-da-feti-umani-abortiti/

[5] http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20081208_dignitas-personae_po.html 

[6] Cf. ALEXANDRE GARCIA. COVID-19: Tratamento precoce salva vidas. Transmissão ao vivo (“live”) com vários médicos brasileiros. https://youtu.be/di7dqK_5E9Q Publicado no início de julho de 2020.

[7] Cf. MILLER, James A. Baby-killing vaccine: is it being stealth tested? HLI Reports. Maryland, USA, Human Life International, Jun./Jul. 1995. v. 13, n. 6. p. 2

[8] Cf. BRASIL. Ministério da Saúde, Fundação Nacional de Saúde, Centro Nacional de Epidemiologia, Coordenação de Imunizações e Auto-suficiência em Imunobiólogos. Ofício nº 7.852. Brasília, 12 set. 1995.

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