Sem Trump houve grande perda de audiência na mídia americana

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Foto: The White House / CC0.

Só na CNN em fevereiro houve um declínio de 45 %

Algumas emissoras americanas ganhavam audiência com suas tiradas de ódio e reclamações contra Donald Trump. Seus índices de audiência eram altos, assim como as quantias que cobravam dos anunciantes pelos minutos de transmissão de publicidade. Agora Trump se foi (por enquanto) e os telespectadores fugiram em massa dos canais de TV aberta. Na CNN, a audiência caiu 45% em fevereiro.

grande mídia nos Estados Unidos, que é predominantemente de esquerda e por ela é controlada, agora atravessa tempos difíceis. Com suas tiradas de ódio e crítica sistemática contra o indubitavelmente polarizador Donald Trump, essas emissoras ganharam muito dinheiro na época em que ele era presidente dos EUA. A audiência aumentou, as emissoras podiam cobrar altos valores por cada minuto de publicidade e recebiam as somas correspondentes. Donald Trump foi um gerador de audiência como nenhum outro político antes dele nos EUA.

As altas taxas de audiência são importantes para todas as emissoras nos Estados Unidos; para elas não existe uma compensação financeira como na Alemanha, onde emissoras públicas são financiadas com o imposto obrigatório pago pelo cidadão, ou como no Brasil, onde o governo e empresas estatais gastavam enormes somas com a publicidade. Nos EUA, uma emissora deve oferecer ao telespectador um programa interessante, caso contrário, ele troca de canal e escolha outra programação.

É exatamente isto que está acontecendo atualmente nos EUA. As emissoras de esquerda perderam a sua locomotiva publicitária. Donald Trump está atualmente muito discreto e aparece pouco em público. A estratégia do passado, ou seja, de promover o ódio e revolta contra Trump, não pode mais ser empregada. Relatar sobre o atual presidente Biden é tão interessante quanto assistir um filme da natureza sobre a vida amorosa do caracol na floresta nativa. A consequência disso é inevitável: os telespectadores fugiram em massa das emissoras. 

A emissora mais afetada foi a CNN. Depois de ultrapassar as rivais Fox News e MSNBC em janeiro, perdeu 45% de sua audiência do horário nobre nas últimas cinco semanas, de acordo com a Nielsen Media Research. A audiência da MSNBC caiu 26% no mesmo período. A Fox News – a mais simpática a Trump das três redes em seus programas de opinião do horário nobre – essencialmente recuperou sua posição de liderança ao ficar parada; suas avaliações caíram apenas 6% desde as primeiras semanas do ano. Os canais a cabo não quiseram se pronunciar a respeito.

Em 2014, um ano antes de Trump anunciar sua candidatura, as três principais redes de notícias a cabo atraíram coletivamente uma média de 2,8 milhões de telespectadores por noite durante o horário nobre. Em 2019, o terceiro ano de Trump no cargo, esse número quase dobrou para 5,3 milhões a cada noite.

O presidente da CNN, Jeff Zucker, lamentou no final da campanha de 2016 sobre a cobertura das eleições feita por sua rede, mas reconheceu mais tarde que isso atraiu espectadores. “Vimos que, sempre que você foge da história de Trump e cobre outros eventos desta era, o público vai embora”, disse ele em 2018.

O jornal New York Times começou o primeiro mandato de Trump com 3 milhões de assinantes e terminou com 7,5 milhões. O Washington Post triplicou sua base de assinantes para mais de 3 milhões durante sua administração. Após a saída de Trump, o New York Times perdeu 17% de janeiro a fevereiro. O Washington Post registrou uma queda de 26%, e os números do MSBNC caíram na mesma proporção. 

O que Donald Trump previu, aconteceu: “a audiência dos jornais, televisão e de todos os tipos de mídia vai decair completamente quando eu for embora. Sem mim, suas vendas vão por água abaixo.”

Mas a mídia não dá o braço a torcer e arranja um jeito de ofuscá-lo. Como preencher o vazio que Trump deixou? Talvez com mais jornalismo, disse Cameron Barr, editor executivo interino do Post. Pode-se então replicar: Então vocês não fizeram jornalismo durante o período Trump? O que fizeram então?

A conclusão, que a mídia não quer tirar, é óbvia: a popularidade de Trump foi e continua imensa nos Estados Unidos.

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Fonte: Freie Welt e Washington Post

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