Relatório revela aumento dramático de crianças que abusam dos pais durante a quarentena

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foto: Photographee.eu - stock.adobe.com.

O estudo vê uma oportunidade de ajudar as famílias antes que as ações de seus filhos se transformem em crimes

Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford e Manchester constatou um fenômeno crescente durante a pandemia do novo coronavírus: crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos de idade estão violentando seus pais.

Os pesquisadores dizem que os assistentes sociais estão relatando um aumento de 69 % de notificações de famílias que sofrem violência de criança ou adolescente. Mais de 60% dos assistentes sociais acreditam que a gravidade desses incidentes violentos também está aumentando.

O estudo de mais de 100 famílias e 47 assistentes sociais revela que muitas mães e pais acreditam que a quarentena está tornando os lares já voláteis ainda mais instáveis. Os pais dizem que estar confinados em casa está criando um “efeito de febre de cabine”. Para alguns, esse ambiente de “panela de pressão” leva a explosões violentas.

“Tudo é amplificado, não há como escapar, e não é apenas a pessoa que está sendo ferida que é afetada, são todos que a veem e ouvem”. As outras crianças ficam traumatizadas ao nos verem feridos”, diz um dos pais à equipe de pesquisa.

O que está levando crianças e adolescentes a abusar violentamente de seus pais?

Segundo os autores do estudo a causa do abuso violento das crianças e adolescentes para com os pais é principalmente a mudança na rotina diária devido ao isolamento social, que se torna um gatilho para esse tipo de comportamento.

Mas será que a nova rotina de permanência constante intrafamiliar justifica o abuso violento dos filhos para com os pais? Será que o isolamento social não traz à tona um problema muito mais profundo presente no seio familiar?

O dever moral dos pais de educar

No curso normal da história humana os pais educam os filhos porque eles possuem autoridade e responsabilidade moral para tal função. Durante o processo educativo os pais devem apresentar critérios morais claros para que os filhos saibam como pensar e agir racionalmente de acordo com o bem e a verdade. Dessa forma a família será um ambiente tranquilo e feliz. Com dificuldades? Sim, como tudo na vida. Os frutos dessa educação, porém, são colhidos com alegria pelos filhos, pelos pais e por toda a sociedade.

Quando os pais não sabem que possuem autoridade e responsabilidade moral de educar os filhos e não possuem critérios morais claros para bem educá-los, as consequências são desastrosas, como um filho violentando a quem deve a própria vida.

Isso explica por que nas últimas décadas os filhos estão se importando cada vez menos com os pais. A degradação moral das famílias repercute em pessoas cada vez mais animalescas, egocêntricas, violentas, que não honram seus próprios pais.

Dessa forma a permanência constante dos pais com os filhos devido ao lockdown só agravou um problema já existente. A causa não é a convivência constante de pais e filhos no lar, mas não saber o que é ser família e conviver em família.

Os pesquisadores afirmaram que esse aumento de violência dos filhos em relação aos pais dá aos legisladores a chance de resolver um problema que estava oculto por muitos anos.  O estudo, que se concentra em crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos, vê uma oportunidade de ajudar as famílias antes que as ações de seus filhos se transformem em crimes.

Pais relutantes em relatar o comportamento violento dos filhos

O relatório revela que muitos pais estão relutantes em relatar o comportamento violento de seus filhos. Enquanto alguns pais dizem que não querem ser a causa de seus filhos terem antecedentes criminais, outros temem trazer mais pessoas para a situação, o que só aumentará o risco de sua família contrair a COVID-19.

O estudo também examina o número de incidentes em cada um dos 43 departamentos de polícia da Inglaterra e País de Gales. Cinco desses departamentos relataram um aumento definitivo no abuso de pais e mães durante a pandemia. Dezenove forças policiais dizem que não houve nenhuma mudança significativa no número de incidentes. Os autores do estudo acreditam que isso pode refletir a relutância dos pais em delatar os filhos.

Parar a violência antes que piore

O estudo adverte que um plano de intervenção impactante é necessário, especialmente se algum tipo de “lockdown” retornar no futuro.

Fonte: studyfinds.org

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