Referendo arranjado ratificará poderes totais a Putin

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Reuters / Divulgação.

A revista britânica The Economist, a mais prestigiada no âmbito econômico, destacou o gosto de Vladimir Putin em confundir os outros

Como ex-agente da KGB, diz a revista, Vladimir Putin se sente à vontade agindo na neblina, sobretudo quando burla a lei. É o que viria fazendo desde o anúncio das mudanças constitucionais para mantê-lo no poder até 2036.

Pela atual Constituição deveria deixar presidência em 2024, mas ele não tem a menor intenção de fazê-lo.

Em 6 de março, prometeu que não repetiria a gerontocracia (governo oligárquico dos muito mais velhos) soviética, mas quatro dias depois, avisou do contrário à submissa Duma (Legislativo) que aprovou a reforma que o manterá no poder absoluto até atingir 83 anos.

As declarações de Putin foram sombrias segundo The Economist, e as emendas à Constituição são confusas e contraditórias. O objetivo, porém, é um só: Putin ficar com poder absoluto reduzindo a nada a autoridade dos eleitos e das normas internacionais.

A Duma aprovou a vontade da omniarquia (poderes totais) de Putin no sexto aniversário da anexação ilegal da Crimeia. E o Tribunal Constitucional, que ele controla, também aprovou e se aguarda que seja feito pelo povo russo num referendo falseado.

Esse referendo estava marcado para o 150º aniversário do nascimento do fundador da URSS, Vladimir Lenin. Porém foi remarcado para 1º de julho enquanto a epidemia segue fazendo horríveis estragos.

Para The Economist não terá nenhum conteúdo democrático, mas será apresentado como consentimento popular sem base na lei russa, envolvendo algum espetáculo televisionado. Temendo manifestações da oposição, as assembleias públicas foram proibidas com o argumento do coronavírus.

Para “El Mundo” de Madri, a nova Constituição apresenta como fachada um “coquetel conservador” que põe a ênfase em Deus, na família e na anexação ilegal da Crimeia.

Mas no interior do texto constitucional, a Federação Russa é proclamada sucessora legal da União Soviética e declara “inaceitável” o “revisionismo histórico” como por exemplo relembrar o Pacto Ribbentrop Molotov de aliança entre Hitler e Stalin, a invasão conjunta da Polônia, a existência dos campos de concentração, etc.

Declara ilegal qualquer concessão, ainda que verbal, a respeito dos territórios que a Rússia acha seus, como a Criméia arrebatada à Ucrânia, as ilhas Curilas reclamadas ao Japão, e o retorno do Estado americano de Alaska, vendido no século XIX aos EUA.

A ambiguidade geral foi planejada e servirá para a interpretação do próprio Putin segundo suas conveniências.

Ele não poderia mais ser presidente, mas ficaria com a chefia de um Conselho de Estado e de Segurança reforçados que fazem do presidente da Federação um boneco em suas mãos.

Fonte: flagelorusso.blogspot.com

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