Principais líderes chineses deram ordens secretas na primeira fase do coronavírus

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A polícía numa estação de trem em Wuhan, China, em 7 de abril de 2020. (Getty Images)

Documentos vazados: as autoridades chinesas encobriram o surto e não alertaram imediatamente o público

O regime chinês estava ciente da gravidade da COVID-19 durante a fase inicial do surto de Wuhan, mas não alertou o público, de acordo com uma série de documentos governamentais recentemente obtidos pelo “The Epoch Times” de uma fonte de confiança.

As autoridades chinesas não anunciaram publicamente a transmissão do vírus PCC de humano para humano até janeiro de 2020.

Os documentos vazados indicam que a alta liderança secretamente ordenou que a Comissão Nacional de Saúde e os governos regionais lidassem com o surto, não informando o público sobre a crise de saúde. Em outras palavras, as autoridades chinesas encobriram o surto no estágio inicial, em vez de alertar as pessoas em tempo hábil.

O vírus do CCP (Partido Comunista Chinês ou PCCh), vulgarmente conhecido como o novo coronavírus, causa a doença COVID-19.

A Associated Press foi a primeira a noticiar sobre os documentos vazados.

Xi e Li deram ordens sobre o surto

O “Epoch Times” obteve um documento da comissão de saúde da província de Guangxi, datado de 15 de Janeiro de 2020, que resumia um discurso proferido pelo vice-diretor da comissão, Wang Yong. O discurso de Wang indicou que a Comissão Nacional de Saúde realizou uma teleconferência nacional sobre prevenção e controle de epidemias em 14 de janeiro, durante a qual Ma Xiaowei, o chefe da comissão, transmitiu ordens diretas do líder chinês Xi Jinping e do primeiro-ministro chinês Li Keqiang.

Captura de tela do documento da comissão de saúde de Guangxi, que indica que o líder chinês Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Keqiang deram ordens sobre a prevenção e o controle de epidemias antes de 15 de janeiro de 2020. (Obtido por The Epoch Times)

Embora o documento não detalhe totalmente as ordens de Xi e de Li, a reunião de alto nível mostra que as autoridades chinesas estavam plenamente conscientes da gravidade do surto. Ma disse que “é a mais grave crise de emergência de saúde pública desde a epidemia da SRA de 2003”, segundo o documento.

Wang aconselhou as autoridades de Guangxi a “estarem politicamente mais conscientes da extrema gravidade e urgência do surto do vírus”, ao transmitir as diretrizes de Xi e Li.

O documento deixou claro que “a segurança nacional deve ser colocada acima de qualquer outra coisa”.

O texto afirma que se qualquer instituição ou indivíduo planejar coletar ou examinar espécimes relacionados à epidemia, deve primeiro obter autorização da comissão de saúde local.

O documento também menciona que a comissão de saúde de Guangxi realizou duas reuniões, em 31 de dezembro de 2019 e 7 de janeiro de 2020, para discutir os planos de controle da epidemia.

O comentarista de assuntos da China, que está nos EUA, Li Linyi, salientou que as duas datas são significativas porque fornecem evidências do encobrimento do surto pelo PCCh. As datas indicam que as autoridades de Guangxi já tinham recebido ordens internas da alta liderança, o Comitê Central do PCCh, sobre controle e medidas de prevenção de epidemias. Entretanto, o público não estava consciente da iminente crise sanitária. As autoridades chinesas não alertaram imediatamente o público e, em vez disso, só fizeram um anúncio público sobre a transmissão do coronavírus de pessoa para pessoa em 20 de janeiro de 2020, disse Li.

Os meios de comunicação chineses também fizeram referência à importância da reunião de 7 de janeiro de 2020.

Em 15 de fevereiro de 2020, o jornal do PCCh “Procurando a Verdade” publicou um discurso que Xi fez sobre controle e prevenção de epidemias em 7 de janeiro de 2020.

Público desinformado

O jornal chinês “Ming Pao”, com sede em Hong Kong, publicou um artigo em 17 de fevereiro de 2020, relatando que os líderes do PCCh durante a reunião de 7 de janeiro de 2020 exigiram que os governos locais aplicassem “medidas relevantes” para garantir que o feriado do Ano Novo Chinês não fosse interrompido, citando uma fonte de Pequim. Em vez de alertar o público, as autoridades queriam continuar a encobrir o surto, perdendo assim a oportunidade de conter de forma eficaz a propagação do vírus.

A publicação menciona outro documento obtido, datado de 15 de janeiro de 2020, emitido pela Comissão Nacional de Saúde para todas as províncias da China, o qual afirma que a partir de dezembro de 2019, “casos de pneumonia de causas desconhecidas” foram relatados em alguns hospitais na província de Hubei, e o resultado da análise patogênica indicou que se tratava de um “novo coronavírus”.

O documento ultrassecreto foi designado como “urgentíssimo” e os destinatários foram instruídos a não divulgar seu conteúdo na internet. Estabelece medidas de prevenção de infecções em hospitais, como desinfecção de quartos e obrigatoriedade de uso de EPI (equipamento de proteção individual) pelos profissionais de saúde.

Em 16 de janeiro, a comissão de saúde de Guangxi criou um grupo de liderança de trabalho, composto por sete equipes, para supervisionar a resposta local à epidemia local, de acordo com outro documento interno obtido.

O comentarista de assuntos da China, Li Linyi, acredita que o PCCh fez preparativos em todas as frentes com antecedência, mas as pessoas no continente não foram informadas sobre a crise sanitária. Isto não aconteceu até 20 de Janeiro de 2020, quando o maior especialista em respiração da China, Zhong Nanshan, afinal anunciou na CCTV estatal que tinham sido confirmados casos de “transmissão de humano para humano”.

Três dias depois, a cidade de Wuhan foi fechada para conter a propagação do vírus.

A essa altura, o público já havia percebido a gravidade da situação e que era tarde demais para evitar a propagação e se proteger da doença, acrescentou Li.

Fonte: The Epoch Times

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