Primeiro turno das eleições presidenciais no Equador: incerteza quanto ao futuro

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O candidato Andrés Arauz em Quito, Equador - AFP.

O risco de retorno do Equador à órbita do Foro de São Paulo é real

O resultado parcial do primeiro turno das eleições no Equador coloca em primeiro lugar Andrés Arauz, o candidato socialista alinhado com o ex-presidente Rafael Correa. Há um empate técnico para o segundo lugar, disputado por um candidato conservador, Guillermo Lasso, e um candidato indígena, o ecologista Yaku Pérez, de viés ambientalista.

A informação vem de uma projeção do resultado final para o primeiro turno, obtida através de uma contagem rápida de votos, feita pelo Conselho Nacional Eleitoral. De fato, até agora só foram computados cerca de 65% das urnas do primeiro turno.

Arauz prometeu um bônus como auxílio imediato de US$ 1 mil para um milhão de famílias carentes. O economista Guillermo Lasso prioriza a flexibilização da legislação trabalhista para os jovens, redução de impostos e criação de zonas francas. E o indígena Yaku Pérez defende propostas ambientais de esquerda, critica o “extrativismo” em nome do respeito pela “mãe terra”, mas é contrário ao retorno ao país do ex-presidente Correa, exilado na Bélgica após sua condenação por corrupção.

A liderança de Andrés Arauz no primeiro turno é esperada. Para o posto de vice-presidente ele havia escolhido o ex-presidente Rafael Correa, que está agora no México. A indicação não foi oficializada porque Correa responde a vários processos judiciais e foi condenado a 8 anos de prisão por corrupção.

Rafael Correa é membro do Foro de São Paulo, uma organização formada por partidos e movimentos políticos em 1990, quando então foi criada por Lula e Fidel Castro, com a finalidade de unir a esquerda latino-americana e coordenar o avanço do socialismo e do comunismo no continente.

A íntima ligação entre Andrés Arauz e Rafael Correa, evidenciada na atual disputa eleitoral, sinaliza que a eventual vitória de Arauz no segundo turno a ser realizado em 11 de abril próximo, poderá viabilizar o retorno do Equador à órbita do Foro de São Paulo, junto com a Argentina (2019) e Bolívia (2020).

Os dados disponíveis até o momento indicam uma folgada liderança de Arauz e lhe dá importante vantagem para o segundo turno, apesar de enfrentar grande resistência dos que não querem voltar ao que foi o governo de Rafael Correa. Contudo, as alianças políticas a serem construídas trazem a nota de incerteza quanto ao resultado de abril próximo.

Fonte: Infobae

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