Por que o Papa Francisco e o episcopado argentino não impediram a aprovação do aborto na Argentina?

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Publicado por  Andre F. Falleiro Garcia – 5 de janeiro de  2021

Quem quer que apenas lamente a inutilidade do pontificado de Francisco para a Igreja, não estará sendo inteiramente objetivo, diante de sua enorme utilidade para o avanço das hostes do mal.

O aborto foi votado e aprovado na Argentina (por 38 votos a favor, 29 contra e 1 abstenção) numa sessão legislativa presidida pela vice-presidente Cristina Fernández de Kirchner que, exultando, anunciou o resultado: “Aborto legal no hospital!”

O seu grito de vitória provocou uma onda de comemorações de feministas em Buenos Aires. Inclusive algumas mulheres nuas e provavelmente drogadas dançaram pelas ruas para celebrar a aprovação legal para o que é absolutamente inaceitável pela moral cristã: o assassinato dos filhos com o livre consentimento de suas mães.

Provocou também, no mesmo lugar e por todo o mundo, o pranto e consternação nos católicos e em todos os que sabem avaliar o real significado da legalização do aborto em mais um país. Causa horror e indignação que a primeira causa mundial de mortes em 2020 seja o aborto, com 42,7 milhões de mortos, conforme informou o site de referência para estatísticas Worldometer.

É o caso de apresentar uma indagação pungente: como foi possível a aprovação infame desse genocídio infantil, num momento da história da Igreja em que o Supremo Pontífice é um argentino? Como é que um Papa de nacionalidade argentina, sentado no trono pontifício, quase não ergueu um dedo, não levantou a voz, não fez um gesto sequer que fosse eloquente e categórico, de amplo e público repúdio a essa aprovação legal no próprio país onde nasceu, foi sacerdote, bispo, arcebispo e cardeal? Como é que nada fez de caráter preventivo e nem depois do fato consumado? Não foi essa omissão o sinal de trânsito livre para a classe política e a governança aprovarem a lei?

Não houve nenhum pronunciamento papal durante missa ou outro evento religioso. Não deu entrevista para a mídia. Nem telefonou para o presidente argentino ou para sua amiga Cristina Kirchner.

Francisco limitou-se a enviar uma carta privada ao padre Pepe, em que afirma que os argumentos pró-vida deveriam ser mais científicos do que religiosos; uma segunda carta a ex-alunos seus e uma terceira a um grupo de mulheres pró-vida. Ou seja, de sua parte houve manifestações discretas e inócuas, de pouca ou nenhuma repercussão, absolutamente sem proporção com a gravidade da questão. E neste seu silêncio comedido e calculado, situado muito próximo do escândalo, foi seguido pelo episcopado argentino. Quem quer que apenas lamente a inutilidade do pontificado de Francisco para a Igreja, não estará sendo inteiramente objetivo, diante de sua enorme utilidade para o avanço das hostes do mal.

A Conferência Episcopal Argentina divulgou um comunicado tíbio em que se limita a lamentar a aprovação da legalização do aborto, mas não a condena explicitamente. Lamenta que se aprofunde a divisão entre o sentir do povo e a classe política e o governo, mas nada diz sobre o número imenso de pecados gravíssimos que serão cometidos e a ofensa contra Deus. Afirma que continuará junto do povo em defesa das “autênticas prioridades que requerem urgente atenção em nosso país”: a pobreza, a falta de escolaridade, a fome, o desemprego, a penosa situação dos aposentados.

Os bispos tíbios insistem naquilo que caberia melhor na agenda de candidato a um cargo político, mas não dizem claramente o que seria conforme o seu dever de ofício pregar. Nem apontam a posição de recusa categórica que os católicos devem tomar diante de uma lei iníqua, imoral, inconstitucional, anticristã.

A Argentina tornou-se assim o primeiro país da América Latina a introduzir a total aprovação do aborto em sua legislação. Quando será a vez do Brasil? O presidente Jair Messias Bolsonaro manifestou claramente seu repúdio: “Lamento profundamente pelas vidas das crianças argentinas, agora sujeitas a serem ceifadas no ventre de suas mães com anuência do Estado. No que depender de mim e do meu governo, o aborto jamais será aprovado em nosso solo. Lutaremos sempre para proteger a vida dos inocentes!”

Aqui os defensores do aborto vão buscar a via mais fácil, a introdução sorrateira pela via judicial. Contam, sobretudo, com o ativismo legiferante do Judiciário, capitaneado pelo Supremo Tribunal Federal. Sem dúvida vai haver um esforço no Congresso para aprovar o aborto; mas ali a dificuldade é maior, pois deputados e senadores sabem que irão desagradar profundamente as suas bases eleitorais e por isso até agora evitaram se comprometer com essa agenda nefasta.

É notório como a maior parte do episcopado brasileiro também desestimula e anestesia a grande massa dos fiéis, enquanto prestigia o trabalho, por exemplo, do padre Ticão, também conhecido como o “padre maconheiro”, recém falecido, de uma paróquia da zona leste de São Paulo, que teve todas as facilidades eclesiásticas para desenvolver sua luta em defesa do uso medicinal da maconha e de outras “causas sociais”. São, porém, enérgicos e contundentes os nossos bispos no repúdio e na condenação dos leigos ou clérigos que afirmam a doutrina católica tradicional. Esta situação dolorosa torna muito meritória a continuação da luta incessante contra o aborto, tarefa urgente e de primeiríssima importância.

Queira Deus que no Brasil nunca seja introduzido o aborto em nossa legislação e nem pela via dos tribunais judiciários. Que Nossa Senhora Aparecida proteja nossa pátria desse mal muitíssimo mais danoso para a vida humana do que a Covid-19.

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