Ponto de ruptura nacional e internacional

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Manifestantes se concentraram em Porto Alegre em 10 de março. Foto: MARIANA ALVES/JC

Pode-se comparar o Brasil atual a um grande organismo debilitado, mas dotado de enormes potencialidades, no qual interagem elementos regenerativos e destrutivos. Várias correntes compõem o grande movimento conservador que elegeu o presidente Bolsonaro, como a dos que reagem contra a corrupção, a rejeição ao PT, a indignação popular contra excessos dos altos tribunais etc.

Episódio recente e notório de reação popular foi a manifestação pública ocorrida em 10 de março em Porto Alegre. Viu-se ali a rejeição concreta e pontual do lockdown promovido pelo governador e prefeito, cujo efeito, para além da violação das liberdades, é a condução acelerada da vida econômica gaúcha rumo à bancarrota.

A manifestação conseguiu atrair, concentrar e representar, dessa forma, o sentimento popular profundo. De fato, ao ato realizado em frente ao Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, compareceram representantes de entidades de classe e de segmentos do comércio e de serviços, bem como comitivas de cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Chamou também a atenção a potencialidade explosiva e expansiva de um levante gaúcho, devido às características locais, que pode se transformar no estopim de um clamor nacional. O mesmo não aconteceria se, por exemplo, fosse no Paraná ou Santa Catarina, estados cuja índole não os predispõem à condução dos rumos nacionais.

Atenção posta no movimento da opinião pública

Também surpreendeu a carreata realizada em Brasília no domingo, 14 de março, pelo seu porte e adesão popular. Evidentemente a grande mídia, parceira da esquerda, pouco ou nada divulgou a respeito, pois está em campanha pela candidatura do ex-presidiário de Curitiba, preparando as futuras pesquisas de opinião fraudulentas que pretendem mitificar o desmoralizado ex-presidente.

Manifestações nacionais variadas, em numerosas cidades, foram realizadas neste último fim de semana por todo o país (13 e 14 de março), das quais também participaram ativamente vários filões do movimento popular conservador. Desafiaram a ordem global do “Fique em casa”, que exige e impõe o comportamento passivo de rebanho diante das vertiginosas mudanças sociais em andamento para implantação da Nova Ordem Mundial, Agenda 2030 ou Grande Reset. É importante observá-las para com isso reunir elementos seguros para uma correta avaliação do real estado da opinião pública nacional.

Na raiz da manifestação popular que houve, nos pampas gaúchos, na Esplanada dos Ministérios ou na Avenida Paulista, pareceria haver a indicação de um movimento na opinião pública que, à maneira da oscilação pendular do relógio, se desloca de um ponto rumo ao seu oposto. No caso, tal movimento pendular exprimiria a marcha da conformidade passiva do coletivismo consentido, rumo ao descontentamento ou desagrado levado ao limite extremo, como reação à condução da vida nacional mediante uma espécie de ditadura cujos cordéis estariam nas mãos dos ministros do STF e dos governadores. Tal situação, desagregadora da harmonia entre os Poderes e da natureza política de nossa Federação, teria exasperado parcelas ponderáveis e decisivas da população, em medidas variáveis, e a levado em alguns casos até quase ao limite do que pode suportar, movendo-a de modo gradual, mas inexorável, da inércia à reação extremada.

Neste contexto a fala do general aposentado e membro do Clube Militar do Rio de Janeiro tem grande importância. O general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva disse que “aproxima-se o ponto de ruptura”.

Isto remete para um cenário futuro, mas muito próximo, onde convergem três fatores: 1) um excesso inaceitável e insuportável a ser ainda praticado pelo STF & Governadores, com ruptura flagrante da harmonia entre os Poderes e gravíssimo dano à estabilidade institucional etc.; 2) um paroxismo de indignação na opinião pública; 3) uma vontade política capaz de fazer as Legiões se moverem.

A conduta do estamento militar na vida nacional

O segmento militar não é algo estanque na vida nacional. O cidadão que veste farda verde-oliva durante o horário de trabalho, repousa depois no ambiente familiar, que sofre as influências benéficas e maléficas do convívio social. O tônus da vida militar influencia fortemente, à maneira da expansão por círculos concêntricos, não só a própria vida familiar de seus integrantes, como se estende às relações profissionais e sociais por eles mantidas em geral.

Sua nota característica é o patriotismo, o culto aos valores da Nação, assinalados ao longo de sua história. Preocupação constante é a condução da estratégia de manutenção da integridade territorial junto com a coesão nacional. A guerra civil divide as famílias, destrói o senso comunitário e arrasa as cidades. Enquanto o inimigo interno frisa o “nós contra eles”, o espírito militar ressalta que “juntos somos uma grande nação”.

Tal estratégia de união nacional pode parecer fraqueza e de fato o é, quando a contemporização se torna mandamento único e o serviço militar prestado à Pátria se transforma numa política debandada de concessões e capitulações vergonhosas, o que não é o nosso caso. Como organismo vivo, no seio das Forças Armadas atuam influências derivadas do globalismo e do antiglobalismo, podem vicejar inclinações socialistas chinesas ou russas ao lado de simpatias capitalistas norte-americanas e sentimentos nacionalistas. O que não as torna ambivalentes e confusas, pois, se influências deletérias atuam, não conseguem prosperar. O denominador comum no ambiente militar é a defesa da soberania e dos valores nacionais herdados da civilização cristã.

Com efeito, se não há uma unanimidade nas Forças Armadas, mais propriamente há um denominador comum marcante, um forte consenso, como dito acima, com uma blindagem tão sólida como a de seus blindados Leopard e Gepard.

As Forças Armadas e o seu papel profissional

Ao padeiro cabe fazer o pão; ao médico incumbe o atendimento e cura dos doentes. Aos militares cabe a guerra. O confinamento nos quarteis é o contrário do espírito militar. O país não está em paz. Há guerra, e guerra de quinta geração alastrada pelo corpo social, que é a luta assimétrica no cenário da guerra híbrida.

Questão importante e pouco ventilada é a atuação do pessoal militar no terreno da guerra de quinta geração. Não se limita à questão bélica ou armamentista. Um de seus aspectos é a promoção de uma sadia e necessária guerra psicológica contrarrevolucionária contra a operação de desinformação difundida pelo inimigo. Outro aspecto é o campo da guerra cultural, terreno em que se nota muito forte a influência esquerdista da mídia e das universidades. Também há a questão da ocupação de espaços em nosso “deep state”, o aparelhamento da máquina pública. Há outros campos de operação dessa guerra. Por exemplo, o da livre manifestação do pensamento nas redes sociais e pela internet em geral; neste particular se nota o espantoso aumento da censura, véspera do amplo encarceramento das vozes discordantes.

Cabe ressaltar o que foi dito no início: o país de modo geral pode ser comparado a um grande organismo debilitado que padece de inúmeros e graves problemas. Sua solução requer a continuidade de uma mesma política saneadora a ser desenvolvida ao longo de algumas décadas, ou seja, de trinta, quarenta ou cinquenta anos.

Sem embargo dessas soluções que demandam o decurso de largo tempo, a proximidade do ponto de ruptura impõe a necessidade de ações pontuais e urgentes. Espíritos exaltados exigem operações enérgicas e imediatas, sem o emprego das anestesias que amenizam o trauma cirúrgico. Espíritos acomodados preferem prolongar o “status quo” e estão predispostos à devida obediência ao “novo normal” do cárcere global. Cabe aos estrategistas militares a sabedoria na avaliação da gravidade do momento, a prudência no uso dos remédios adequados, a fortaleza na disposição de enfrentamento das adversidades.

Ponto de ruptura no cenário internacional

Até há pouco, falava-se na aliança do Brasil com os Estados Unidos de Donald Trump e com a Israel de Benjamin Netanyahu. Hoje nos Estados Unidos a situação se agrava dia a dia, a resistência de alguns governadores a Biden pode chegar à secessão ou desembocar numa guerra civil com o protagonismo dos movimentos Antifas e BLM coadjuvado pela cumplicidade do governo Biden-Kamala. Os campos de confinamento da FEMA adrede preparados abrirão seus portões para os que não aceitam as medidas sanitárias ou para os que não reagem à violência da guerra urbana? Custa crer que o país que tem o maior exército privado do mundo aceite passivamente o coletivismo consentido e o comportamento de rebanho.

Em Israel a tensão é muito grande; o governo Biden rompeu com a política de Trump e manobra ardilosamente para favorecer o Irã. O ponto de ruptura, para os judeus, não é algo para prazo médio. Em curto espaço de tempo, questão de meses, ou menos ainda, o Oriente Médio pode estar em chamas.

Na Europa o país-chave sob o ponto de vista político e econômico é a Alemanha. Nota-se ali a ditadura imposta a partir das medidas sanitárias de Angela Merkel e apoiadas por parte significativa da classe política. Segundo a chanceler, nos próximos três ou quatro meses haverá o período mais duro da história alemã. É um curto prazo, no qual, em última análise, os globalistas esperam realizar a quebra da Alemanha.

Na América do Sul há um reavivamento das esquerdas. O Foro de São Paulo se articula novamente para a reconquista dos doze países que chegou a governar, e já controla a Venezuela e a Argentina. No Chile a revolução nas ruas, chamada de estalidos sociais, teve suspensão temporária devido à Covid, neles a esquerda passou a usar franco atiradores. O presidente chileno retrata as debilidades nacionais. E na Bolívia a ex-presidente foi presa, o que evidencia o avanço do projeto revanchista de Evo Morales.

O país-chave da América do Sul é o Brasil. A esquerda está fazendo de tudo para provocar a intervenção militar; quer conduzir ao ponto de ruptura em curto espaço de tempo, seguido da irrupção do caos urbano e da luta armada agravados pela guerra civil. A anulação dos processos da Lava Jato e o provisório perdão processual de Lula da Silva e sua consequente habilitação para as eleições presidenciais vão nessa linha.

A aliança povo e forças armadas, cimento da estabilidade nacional

O globalismo, nesta visão de conjunto, parece trabalhar com duas linhas de ação. De um lado, imobiliza a opinião pública com o aturdimento psicológico e alheamento político, bombardeado com doses massivas de anestésicos psicossociais de atonia, pânico e medo, no quadro do combate ao coronavírus. Podemos chamar essa maquinação de via pacífica. De outro lado, manobra para ativar disputas intestinas, corrupção e desagregação institucional que levam à guerra civil e, no ambiente caótico assim criado, vislumbram a tomada do poder. É a via violenta.

O governo Bolsonaro resistiu até agora, impávido, contra ventos e marés. Em certo momento talvez tenha de defrontar, além do inimigo interno, o externo, sob  a forma da pressão ou até da ameaça militar. Diante dessa grave conjuntura nacional e internacional, é indispensável a manifestação popular em defesa de nosso Presidente e de nossas instituições basilares. Ao povo convém a ufania da liberdade, a afirmação do direito ao trabalho, à livre iniciativa, à propriedade, à liberdade de expressão.  As Forças Armadas gozam da confiança nacional, mas convém que sejam apoiadas de modo notório por serem, no atual momento, a maior garantia do respeito à vontade popular.

A guerra é uma arte, uma profissão, e também uma ciência, com especialistas em todos os ramos. Nossos guerreiros dão suporte ao governo na medida em que, de alguma forma, contribuem na construção de estradas, nas obras do São Francisco etc. Mas não podem cruzar os braços diante da guerra híbrida, por mais que esta possa estar invisível aos olhos do cidadão comum. Oxalá nossos netos não tenham de chorar por uma grande nação, chamada Brasil, que colapsou e se desintegrou porque não houve suficiente e decisiva manifestação da vontade popular, ou porque, em plena guerra híbrida de quinta geração, os militares não utilizaram os métodos adequados à luta assimétrica. Pelo contrário, a glória será proporcionada aos que souberem, sem açodamento, mas com sabedoria, firmeza e coragem, prosseguir no combate árduo até alcançar a vitória final.

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