Parlamentares democratas encarregados do impeachment de Trump não apresentaram evidências de “incitamento”

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O democrata Eric Swalwell (D-CA). (Congress.gov através de Getty Images)

Os democratas falharam na apresentação de provas consistentes quanto ao ponto central da acusação

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Os democratas encarregados de sustentar perante o senado norte-americano em 10 de fevereiro o pedido de impeachment de Trump não apresentaram evidências numa questão que é crucial para esse processo: a de que o ex-presidente incitou uma insurreição.

A acusação de incitamento é um elemento central do processo contra o ex-presidente, aberto na Câmara no mês passado por supostamente incitar a multidão que invadiu o Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro. Os responsáveis ​​pelo impeachment passaram quase duas horas tentando apresentar novas evidências do suposto incitamento, citando as declarações de Trump que datavam da primavera do ano passado até seu discurso no dia da invasão do Capitólio. A argumentação não incluiu evidências irrefutáveis ​​ou novas revelações para corroborar que Trump intencionalmente instigou a multidão.

“Estamos fazendo um julgamento dos fatos”, disse o deputado Jamie Raskin (D-Md.), principal encarregado da apresentação do pedido de impeachment, na abertura do segundo dia do julgamento.

Os democratas dividiram sua apresentação probatória do suposto crime em três partes: o “incitamento”, o “ataque” e o “dano”. A comprovação do “incitamento” é crucial para fundamentar a acusação contra Trump e é a pedra angular do caso de impeachment. A apresentação de quarta-feira repetiu em larga medida as alegações dos relatórios de impeachment feitos pelos democratas encarregados, que se concentraram nos tweets e declarações públicas de Trump.

Os acusadores democratas teceram uma narrativa alegando que as contestações legais e retóricas de Trump ao resultado da eleição eram parte de uma campanha sinistra e premeditada para incitar uma parte de seus apoiadores a cometer atos violentos em 6 de janeiro. Os representantes Joe Neguse (D-Colorado), Joaquin Castro (D-Texas) e Eric Swalwell (D-Calif.) apresentaram várias compilações de videoclipes editados seletivamente dos discursos de Trump que começaram na primavera do ano passado e culminaram no discurso do presidente em Washington no dia da invasão do Capitólio. Swalwell, Neguse e Castro argumentaram que as declarações, que incluíam palavras como “luta” e “parem o roubo”, constituíam prova de que o presidente manipulou e dirigiu a multidão que invadiu o Capitólio.

Todos os videoclipes provêm de discursos públicos e entrevistas de Trump e foram apresentados sem o respectivo contexto. Essas omissões seletivas foram especialmente gritantes na apresentação dos comentários de Trump durante discurso de 6 de janeiro. Os encarregados da acusação nunca mencionaram que Trump disse a seus apoiadores para fazerem suas vozes serem ouvidas “pacificamente” e “patrioticamente” enquanto falava para a multidão sobre a caminhada até o Capitólio. Em vez disso, os democratas se concentraram no uso que Trump fez da palavra “luta” ao tratar dos esforços de sua equipe para questionar a integridade da eleição e a necessidade de os republicanos no Congresso serem mais combativos na política.

Ao contrário dos trechos do discurso, as mensagens do Twitter apresentadas pelos acusadores democratas apareceram em sua forma original e incluíram o pedido de Trump para que as pessoas fossem para casa em paz quando o Capitólio foi invadido. Nem Swalwell, Neguse ou Raskin mencionaram que Trump repetidamente se ofereceu para enviar 10.000 soldados da Guarda Nacional para Washington para evitar a possível violência antes de 6 de janeiro. De acordo com o ex-chefe de gabinete de Trump, Mark Meadows, as ofertas do presidente foram rejeitadas.

Durante sua apresentação, Swalwell esclareceu que os encarregados da acusação contra Trump não estão acusando todos os que chegaram em Washington no dia 6 de janeiro pela violência ocorrida no Capitólio. Ele disse que muitas pessoas vieram para exercer seus direitos garantidos pela Primeira Emenda e não tinham culpa.

Os democratas enfrentam uma batalha difícil para convencer um número suficiente de senadores republicanos de que Trump deve ser condenado. Quarenta e quatro republicanos votaram em 9 de fevereiro, no primeiro dia do julgamento, sustentando que o Senado não tem jurisdição para julgar Trump porque ele agora é um cidadão comum. Vários senadores republicanos disseram então que o resultado daquela votação é um indicador de como os membros do Partido Republicano acabarão votando na questão derradeira de saber se o ex-presidente é culpado.

Os democratas precisam dos votos de pelo menos 17 republicanos para garantir a maioria absoluta necessária para condenar Trump. Se a votação no primeiro dia do julgamento é um indicativo, os condutores do impeachment terão de mudar a opinião de pelo menos 11 republicanos, uma tarefa que até mesmo os comentaristas da mídia esquerdista reconhecem ser virtualmente impossível.

Fonte: The Epoch Times

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