Paraninfo impedido de falar na Unisinos

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O Prof. Felipe Boff, escolhido como paraninfo da turma de 21 formandos do curso de jornalismo da Universidade Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), de São Leopoldo (RS), foi vaiado, impedido de discursar e teve de sair escoltado do auditório onde se deu o evento por atacar o governo.

Um dos trechos que mais revoltou os presentes dizia: “No ano passado, o presidente da República atacou a imprensa 116 vezes em postagens nas suas redes sociais, pronunciamentos e entrevistas”, quando é público e notório que Bolsonaro vem sendo agredido sistematicamente por boa parte dela, desde antes de ser eleito.

Ao invés do paraninfo exaltar em seu discurso a nobre profissão de jornalista escolhida pelos jovens, preferiu o viés ideológico, disparando sua metralhadora giratória contra o presidente, fazendo crer que este persegue a classe. “A imprensa brasileira vive seus dias mais difíceis desde a ditadura militar”, disse, no momento em que se presencia plena democracia no país. E continuou:

“Somos insultados nas redes e nas ruas; perseguidos por milícias virtuais e reais; cerceados e desrespeitados por autoridades que se sentem desobrigadas de prestar contas à sociedade”.

Em grave insinuação, pouco recomendável a um preeminente conferencista, conclui: “Todos sabem quem é o principal propagador dessa ameaça crescente à liberdade de imprensa”.

Aos gritos de “chega, chega”, a plateia se revoltou, impedindo o prosseguimento da leitura.

Alguns alunos tentaram apaziguar os ânimos, pedindo calma e buscando a continuação da cerimônia, sem sucesso. Seguranças foram então chamados para escoltar Boff até a saída do auditório para não ser agredido. O fato tomou proporções nacionais, sendo o paraninfo também interpelado através da Internet.

Boff deveria evitar suas diatribes, e aproveitar para lembrar aos neo-jornalistas que a profissão escolhida por eles deve se adaptar aos novos tempos: num passado recente, os meios de comunicação publicavam o que queriam, mesmo as mais escandalosas mentiras, e o público, sem possibilidade de checagem, as tomavam como verdades. Hoje, entretanto, tudo mudou: a imprensa alternativa e as redes sociais instantaneamente se inteiram dos mesmos fatos, corrigindo ou confirmando sua veracidade.

Os esclarecidos parentes e amigos dos 21 jornalistas perceberam implicitamente a deformação pela qual passaram nas mãos dos vários Boffs da universidade e, a seu modo, deram o recado.

Será ele entendido?

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