Ordem e a verdadeira paz

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A ordem é indispensável à vida humana. Tudo o que foi criado possui uma ordem.

Observe a disposição do tempo. Eis que após a noite vem o dia, para que o trabalho exercite os que descansavam no ócio; após o dia segue-se a noite, para que o repouso acolha os que vêm retemperar as forças. Não é sempre dia, não é sempre noite, nem sempre dias iguais ou noites iguais, para que um trabalho imoderado não consuma os fracos, ou um repouso contínuo não debilite a natureza, ou a identidade perpétua não gere o tédio na alma. A alternância dos dias e das noites de um certo modo renova os seres vivos, e as quatro estações do ano que se sucedem entre si transformam a aparência do mundo inteiro. [1]

Tal ordem é vista não apenas na disposição do tempo, mas também na disposição dos lugares, das coisas pelas suas partes, na utilidade, na beleza, na firmeza etc.

A ordem é intrínseca a todas as coisas, inclusive à vida humana. Quando esta ordem é respeitada, consequentemente há paz. Não apenas a paz individual, mas também a social.

O ser humano possui uma natureza, esta natureza, assim como todas as coisas criadas possui um ordenamento e uma finalidade. O homem é por natureza um animal racional. Isso significa que ele tem inteligência e vontade. Pelo fato de o homem ter inteligência e vontade ele tem algo que os outros animais não têm: liberdade.

Um cachorro, por exemplo, vive em conformidade com os seus instintos. Ele não tem inteligência, portanto, não é capaz de distinguir o bem do mal. O cachorro age com base naquilo que lhe dá dor ou prazer. Portanto, não é livre no sentido verdadeiro da palavra, é submisso aos seus instintos animais.

Já o homem racional, por sua vez, é livre. É livre para escolher entre o bem e o mal, o certo e o errado, independente da dor ou do prazer. Um homem é capaz de fazer sacrifícios em prol do bem. Um cachorro não.

Quando o ser humano não compreende que há nele uma inteligência e que por meio desta inteligência possui a liberdade, torna-se escravo dos seus sentidos. Essa escravidão é fruto da desordem.

Muitas pessoas, infelizmente enganadas por ideologias nefastas, vivem como se não tivessem inteligência. Os critérios de escolha são tão somente a dor e o prazer. Dessa forma passa-se a viver por instinto rebaixando a sua natureza racional a uma natureza apenas animal.

Veja esta reportagem que mostra pessoas vivendo como cachorros. Andam de quatro, usam coleiras e fazem questão de serem tratados de tal forma.

Essa desordem da natureza humana é vista atualmente como se fosse algo comum. As pessoas não apenas vivem fugindo da dor e buscando o prazer, elas são estimuladas a isso o tempo todo.

Os frutos dessa desordem são colhidos amargamente por aqueles que vivem para satisfazer exigências dos sentidos, pelos que convivem com estas pessoas e pela sociedade como um todo. Os frutos se resumem basicamente na falta de paz.

Os efeitos da falta de paz aparecem como discórdia, ódio, inveja, consumismo desenfreado, crimes, assassinatos e tantas outras coisas mais.

O ser humano não foi criado para viver como um animal irracional, escravo dos sentidos. Ao gênero humano foi confiado o aperfeiçoamento do universo e isso requer o uso ordenado de suas principais potências, a começar pela inteligência, capaz de discernir o que é bom e o que é mau.

Quando a ordem é respeitada, ou seja, quando o ser humano submete sua vontade ao discernimento de sua inteligência e escolhe o que é bom, o fruto consequente é a paz. Paz gozada não apenas por aquele que vive de forma ordenada, mas, também, experimentada de certo modo por aqueles que têm a oportunidade de conviver com este tipo de pessoa.

Há na história da humanidade exemplo de inúmeras pessoas, muitos canonizados pela Igreja Católica que, por viverem submissos à verdade contemplada pela sua inteligência, gozavam de uma paz impensável por aqueles que vivem escravizados pelos sentidos. Tais pessoas, em meio a desolações e tragédias, ficavam simplesmente em paz e pacificavam os que estavam ao seu redor apenas com a sua presença.

Infelizmente há atualmente pessoas que acreditam que organismos internacionais tais como a Organização das Nações Unidas (ONU) são os agentes da paz no mundo. Enganam-se os que pensam assim. A paz é fruto da conformidade individual a uma ordem que existe desde o princípio. Se muitos se conformarem a esta ordem a paz será maior, se menos pessoas se conformarem  a esta ordem a paz será menor.

O que organismos internacionais como a ONU fazem é utilizar a palavra paz para alcançar objetivos totalitários. Um sinal claro disso é vender a ideia de que um Organismo Internacional vai produzir paz social mundial.  A paz não é produzida por meio de imposições ou propostas num plano macro para o plano micro. A paz é fruto de uma escolha individual, que começa dentro do ser humano e depois se expande.

A paz é claramente utilizada como um falso argumento para introduzir no coração das pessoas que vivem no mundo mais desordem, a fim de que mais facilmente as pessoas sejam manipuladas. Um exemplo disso é a “igualdade de gênero”, um dos  17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU para que TODOS OS PAÍSES DO MUNDO tenham “paz” e “prosperidade” até 2030. O que se busca com a chamada “igualdade de gênero” é destruir no ser humano a capacidade de ele reconhecer que é alguma coisa, a sua própria identidade.  A ideologia de gênero prega que o ser humano pode ser qualquer coisa, o pressuposto disso é que o ser humano não é nada.  Hoje homem, amanhã mulher e depois de amanhã cachorro. Se compreender a “igualdade de gênero” objetivada pela ONU como igualdade dos sexos, igualmente promove destruição e desordem, uma vez que homem e mulher são claramente diferentes, com limitações e capacidades distintas e nisso consiste sua complementariedade. Apenas da união entre um homem e uma mulher (sexos diferentes) brotam novas vidas.

Uma sociedade composta por pessoas que vivem de modo desordenado, escravas dos sentidos e que não usam a inteligência é o terreno perfeito para o que o autor Aldous Huxley chamou de ditadura perfeita. Pois uma ditadura perfeita tem as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. “Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor a sua escravidão. O estímulo à desordem, estímulo que envolve uma série de dígitos de dólares, é feito justamente com o propósito de se alcançar fins totalitários”.

A desordem e a consequente falta de paz é estimulada para que em nome de uma falsa “paz” se construa uma Nova  (des)Ordem Mundial.  Inúmeros dígitos de dólares são gastos tendo em vista esta finalidade. Esta é uma ameaça em iminência.

Enquanto isso a verdadeira paz pode ser encontrada e gozada por aqueles que escolhem viver em conformidade com a ordem. Esta ordem foi estabelecida desde o princípio do universo, para que os homens gozem o tanto quanto possível nesta terra, individual e socialmente, da verdadeira paz.

[1] Tratado dos três dias (Hugo de São Vitor)

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