O novo primeiro-ministro Draghi representa a essência da Nova Ordem Mundial, afirma Mons. Viganò

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Arcebispo Carlo Maria Viganò.

A Torre de Babel globalista baseada numa colossal mentira ainda vai desmoronar

Declaração do Arcebispo Carlo Maria Viganò, antigo Núncio Apostólico nos Estados Unidos da América, sobre a nomeação de Mario Draghi para primeiro-ministro italiano. Foram introduzidos subtítulos pelo editor do Portal Brasil Livre para facilitar a leitura e melhor compreensão do texto.

Super aspidem et basiliscum ambulabis,
et conculcabis leonem et draconem.
Ps. 90, 13

O liberalismo maçônico atuou sobre a opinião católica nos últimos três séculos, num mundo ainda profundamente católico e romano

Os livres pensadores, até o século passado, podiam propagandear as próprias ideias imbuídas de princípios maçônicos e de retórica, embora o corpo social não fosse liberal; podiam permanecer no átrio das igrejas, no domingo de manhã, enquanto as suas mulheres e os seus filhos assistiam à Missa, iam ao catecismo, eram instruídos pela Igreja e pelo Estado nos princípios morais e nos valores compartilhados da honestidade, do sentido do dever, do amor à pátria.

Podiam enviar milhões de jovens para morrer na guerra, em nome de ideais que ainda estavam ligados a um mundo essencialmente cristão, na verdade, profundamente católico e romano: aquele mundo em que os nossos soldados, na frente de batalha, recitavam o Rosário, rezando pelos seus entes queridos e pela querida Itália, terra abençoada pela Providência, berço da civilização e sede do Papado.

Mas aqueles princípios liberais e maçônicos, embora denunciados pelos Pontífices e combatidos por bispos, pregadores e teólogos, conseguiram conquistar simpatias na nossa sociedade, sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial e, ainda mais, após o nefasto 1968.

Após a Segunda Guerra Mundial a revolução cultural abala os valores morais e difunde a corrupção na vida social e política

Vimo-nos, assim, devido à necessária e inevitável mudança geracional, a ter toda uma classe dirigente que se formou na escola do pensamento livre, na ideologia maçônica, no indiferentismo religioso, na laicidade do Estado e na consequente crise moral do país. Décadas de doutrinação apagaram a herança religiosa e moral da Itália, levando os italianos a envergonhar-se de um passado glorioso e a renegar dois mil anos de Cristandade.

Devia ser uma escolha do progresso, sem privilegiar a verdade à custa do erro, sem reconhecer a primazia do bem sobre o mal, sem impor leis e doutrinas pela força, mas promovendo a sua aplicação com a escolha consciente. Estamos hoje numa Iália corrupta, que aprova o concubinato e o aborto, promove a sodomia e a perversão, reconhece direitos ao crime e ridiculariza ou, até mesmo, condena a honestidade, a retidão, a virtude.

Em nome da tolerância foi-nos pedido para consentir na legitimidade do mal, assegurando-nos que, de qualquer forma, o bem não seria prejudicado. Hoje, o Estado garante e tutela o mal e proíbe o bem. ​​Podem-se cometer os crimes mais abomináveis, como matar uma criatura inocente no ventre materno ou o idoso indefeso e o doente terminal no leito do hospital, mas é proibido defender a vida, a família, a Religião.

O abalo no uso natural da razão humana e a loucura das mentes se propagam aos fatos da vida pública e privada

Por outro lado, a essência do liberalismo – que, repito, é a aplicação política e social dos princípios da maçonaria – reside, precisamente, em desarmar, progressivamente, a maioria dos bons e, ao mesmo tempo, em apoiar e fortalecer a minoria dos corruptos, a pretexto de uma suposta e absurda paridade de direitos. Mas não deveria ser tão difícil, se um pouco de raciocínio fosse usado, compreender que a própria ideia de igualdade é absurda, porque pressupõe um achatamento das diferenças, uma homologação das diferenças que, de fato, termina por apagar o que, pelo contrário, deveria tornar o corpo social – e, por coerência, o corpo eclesial – eficiente em todos os seus membros, diferentes, mas harmoniosamente conexos.

Pretender que um pé possa ver, ou que uma mão possa ouvir, ou reduzir as funções dos órgãos ao mínimo denominador comum, é uma operação absurda e infeliz, como o seria pretender que, num automóvel, a embreagem desempenhe a função das rodas ou que o motor faça o trabalho dos faróis. Já na coisa pública, deixa-se no comando aquele que não tem autoridade; permite-se definir como família uma união que, por natureza, é destinada à esterilidade do vício; reconhece-se o direito de decidir se uma lei seja justa, não àqueles que têm sabedoria e prudência para o fazer, mas àqueles que antepõem o próprio interesse particular ao bem comum. E acaba-se adorando o bezerro de ouro, recusando o culto exclusivo ao Deus vivo e verdadeiro. Nisso, a democracia revela a sua fraqueza a partir do momento em que põe como postulado a bondade inata da multidão, que, pelo contrário, é propensa ao mal e ao pecado, e que precisa de ser guiada por uma autoridade que tenha como modelo os valores transcendentes.

 Esta corrida para o abismo tem as claríssimas conotações da nêmesis[deusa da vingança e da justiça que inflige retaliação], e punição de uma hybris [demônio que personifica a insolência e a violência] que não conhece restrições, que desafia o Céu, que, na vertigem da rebelião e do caos, rejeita toda a hierarquia e cada ordem impressa pelo Criador e Senhor de todas as coisas. Só assim podemos compreender as decisões nefastas dos governantes, desde a gestão da emergência pandêmica ao indiscriminado acolhimento dos imigrantes ilegais; só assim podemos ver a loucura que une, num único desenho, fatos aparentemente desconexos entre si. Procurar uma qualquer razoabilidade nas palavras do autoproclamado especialista que impõe as máscaras para proteger a população de um vírus da gripe, ou na ordem da autoridade para fechar as escolas e os restaurantes, enquanto, nos transportes públicos, os cidadãos são forçados a viajar apinhados, corrobora esta loucura reconhecendo-lhe uma racionalidade e uma lógica que não pode ter. Assim como é absurdo contestar a alegada inevitabilidade dos empréstimos que a Itália deveria pedir à União Europeia, depois de esta – com métodos criminosos dignos dos piores usurários – ter criado, cientificamente, as premissas sociais e econômicas da crise.

A subida ao poder do tecnocrata Draghi sob os auspícios do lobby farmacêutico e da Nova Ordem Mundial e a manipulação do povo italiano

É, igualmente, absurdo perguntar-se por que as curas da Covid-19 são boicotadas para favorecer as chamadas vacinas experimentais, feitas com fetos abortivos e com efeitos ainda desconhecidos, quando é evidente que a pandemia foi planejada com o objetivo, por um lado, de enriquecer, desproporcionalmente, o lobby farmacêutico e, por outro, de impor medidas de controle inaceitáveis.

Mas se esta nossa atitude construtiva e aberta ao confronto podia, de alguma forma, ser justificada e desculpada até há poucos anos, em nome de uma compreensão parcial do quadro global, hoje, corre o risco de degenerar numa espécie de cumplicidade obtusa, porque a presunção de boa-fé, da parte dos nossos interlocutores, foi amplamente rejeitada. Os recentes acontecimentos da crise do segundo governo Conte e a confiança depositada no governo do primeiro-ministro Draghi não são exceção, e se não surpreende o entusiasmo geral das partes, e também da chamada oposição, desconcerta-nos o consentimento das vítimas à nomeação de um carrasco muito pior do que o advogado de Volturara Appula [localidade em que nasceu Giuseppe Conte, ex-primeiro-ministro italiano].        

Na verdade, parece que o advento do cínico tecnocrata Draghi foi saudado com alívio, depois de um ano de ruidosas proclamações e flagrantes fracassos do predecessor e de todo o seu grotesco grupo de não apresentáveis. Se, na verdade, houve quem, até ontem, deplorava a má gestão da pandemia, com golpes do DPCM [decretos do presidente do conselho de ministros] tão ilegítimos quanto devastadores, hoje, a eficiência na prossecução do mesmo plano parece representar uma melhoria, como se o condenado à morte se alegrasse com a lâmina do machado mais bem afiada, enquanto, de boa vontade, abaixa a cabeça sobre o cepo para receber o golpe do carrasco.

Os italianos, induzidos ao espanto e à servidão pelas marteladas da mídia e por uma operação de manipulação das massas, têm sido ainda mais obedientes do que outras nações aparentemente mais disciplinadas: enquanto, nas nossas cidades, alguns políticos recomendam o distanciamento social durante tímidas manifestações de protesto, os cidadãos, em muitos países europeus, saem à rua espontaneamente e enfrentam, com determinação, a violenta repressão das forças da ordem.

Enquanto a nossa “oposição” se escandaliza com a ineficiência do comissário Arcuri na distribuição das vacinas, grupos de advogados e médicos, no exterior, denunciam o seu perigo e opõem-se à obrigação de vacinar, conseguindo que as mesmas autoridades proíbam a sua distribuição. E se há quem viole, por desespero, regras claramente ilegítimas, na Itália é criticado como irresponsável ​​justamente por aqueles que, mesmo que apenas para cálculo político, deveriam liderar a revolta e demonstrar o quão absurdo é encerrar as atividades comerciais na ausência de evidências científicas que legitimem a adoção de medidas tão drásticas.

O papel nefasto dos jesuítas ao formar a nova governança revolucionária          

Mario Draghi representa a quinta-essência da tirania da Nova Ordem Mundial na sua cínica competência, no profissionalismo da sua ação devastadora, na eficiência dos seus funcionários. E não é de admirar que tenha sido educado, como Joe Biden e tantos outros líderes globalistas, na escola ideológica dos Jesuítas. Não é surpreendente e, aliás, nem poderia ser de outra forma: só uma estrutura fortemente hierárquica e quase militar podia manipular as jovens consciências de gerações inteiras, com diabólica previdência, preparando o advento de uma sociedade tirânica e desumana.

Vimo-lo na Itália, bem antes de 1968, quando os professores universitários saudavam, com decomposto entusiasmo, a eleição de Roncalli [futuro João XXIII], amigo do modernista Bonaiuti, sabendo muito bem como a sua aparente bonomia escondia uma mente envenenada pelas doutrinas combatidas por São Pio X e, ainda, hostilizadas por Pio XII até o seu leito de morte. Vimo-lo nas universidades de metade da Europa e nas universidades católicas americanas, de onde saíram os protagonistas do Vaticano II e do pós-concílio, os agitprop do movimento estudantil e dos sindicatos de esquerda, os terroristas das Brigadas Vermelhas e os ideólogos da Teologia da Libertação, os teóricos da libertação sexual, do divórcio e do aborto.

Poderíamos afirmar que, nas últimas décadas, não houve nenhum acontecimento político, social, cultural e religioso que não tenha encontrado uma poderosa inspiração nos Jesuítas. Que, depois de terem renunciado ao juramento e aos votos pronunciados no dia da sua Profissão, colocaram à disposição do novo senhor a sua rede de relações e a sua capacidade de infiltrar os próprios emissários nos postos-chave da política, da administração pública, da educação, da cultura, da mídia, do empreendedorismo e das finanças. Uma rede que reproduz, talvez com maior eficiência e contundência, a não menos subversiva das seitas maçônicas e dos conventículos de conspiradores.

Giuseppe Conte, o “homo novus” patrocinado por prelados amplamente comprometidos com a pior política democrata-cristã e católica-comunista, desempenhou o seu papel de inconsistente fantoche, com ambições tão ridículas quanto irrealistas: a sua atuação permitiu o prosseguimento de um projeto de engenharia social que incluía, precisamente, um advogado “sine nomine” como executor insuspeito das ordens do manipulador de fantoches globalista. O qual, ao alavancar a vaidade de Conte, pôde usá-lo para impor decisões devastadoras à população, sem qualquer ratificação do Parlamento e, muito menos, da vontade dos eleitores. Mas o seu papel, claramente temporário deveria terminar quando, tornando-se evidente a sua inconsistência e inexperiência em todas as frentes, seria necessário fazer aquela “mudança de ritmo” que, já desde o verão passado, algum raro observador da política italiana previa que se realizaria com o advento de Mario Draghi, ex-presidente do BCE [Banco Central Europeu], expoente do lobby financeiro e herdeiro natural de Mario Monti.

A agenda globalista avança na Igreja e no Estado rumo à Nova Ordem Mundial

Pudemos ver um paralelo instrutivo desta situação no papel especular que o jesuíta Jorge Mario Bergoglio viu ser-lhe atribuído pela chamada Máfia de São Galo: o argentino, até então quase desconhecido, foi eleito Papa para demolir os últimos vestígios da Igreja Católica; e tal como Conte, também Bergoglio acredita ser o autor de uma mudança radical e irreversível, pensando que ficará na história, enquanto aqueles que o manipulam já designaram quem tomará o seu lugar. Também neste caso, a vaidade, o egocentrismo, de fato, o delírio de omnipotência do personagem, impedem-no de compreender que está sendo usado, e que o apoio de que hoje desfruta se transformará em cinismo implacável assim que os seus desastres forem habilmente enfatizados pela mídia. Ambos têm um destino semelhante, e não é exceção Joe Biden, cuja vice-presidente, Kamala Harris, aguarda ansiosamente o momento da expulsão do democrata corrupto, sob o pretexto da sua saúde mental e física.

É, pois, importantíssimo, e igualmente inevitável, que aqueles que se preocupam com o destino da Pátria compreendam que o Presidente Draghi em nada se desviará da agenda globalista, exceto na maior eficiência com que a implementará. Alimentar a esperança de que o tecnocrata, a quem se deve a devastação da Grécia, possa, de alguma forma, falhar na sua tarefa, é tolice, assim como qualquer forma de colaboração ou de apoio a este governo só pode conduzir, inexoravelmente, à perda de soberania nacional e à sujeição completa à Nova Ordem Mundial. Não nos esqueçamos que o gabinete do Primeiro-Ministro inclui personalidades como Vittorio Colao e Roberto Cingolani, para quem o Grande Reset se encontra em avançada etapa de conclusão, com ou sem o consentimento dos eleitores. Quem, hoje governa na Itália como nos Estados Unidos, não considera minimamente relevante que o seu poder seja usurpado com manobras palacianas ou com fraudes eleitorais, nem que o totem da democracia, graças ao qual puderam enganar as massas, seja substituído por uma cruel ditadura, com ou sem o álibi da emergência pandêmica. Sabemos bem que estava tudo programado há anos e que, para realizar plenamente o projeto globalista, a “elite” não hesitará em violar os direitos fundamentais, sob o pretexto de fazê-lo “para o nosso bem”. Mas também sabemos que, quanto mais nos aproximamos do fim dos tempos, tanto mais a Providência multiplica as graças para o “pusillus grex” que permanece fiel ao Senhor.

A Nova Ordem Mundial é chave de leitura para os acontecimentos políticos e socias; a Teologia da História aponta a vitória final do Bem

Se soubermos compreender que o que acontece na Itália faz parte de uma única diretriz sob uma única direção, seremos capazes de compreender a coerência entre fatos aparentemente heterogêneos e, sobretudo, compreenderemos que as razões que são utilizadas para legitimar medidas que violam as liberdades naturais dos indivíduos não passam de pretextos, tão falsas quanto racionalmente incongruentes. E como tudo se baseia numa colossal mentira, será suficiente que desmorone apenas um dos engodos para fazer precipitar toda a Torre de Babel globalista, os seus hierarcas, os seus sacerdotes, os seus cortesãos, os seus servos. “Cadent a latere tuo mille, et decem millia a dextris tuis; ad te autem non appropinquabit”: o Salmo 90 recorda-nos a proteção do Altíssimo, a punição que aguarda os pecadores; exorta-nos a repor a nossa confiança em Deus, que enviará os seus anjos para nos proteger ao longo do nosso caminho.

Não nos deixemos seduzir pela aparente inevitabilidade do mal: Satanás é o eterno derrotado, quer procure destruir a Igreja de Cristo – rocha inabalável nas próprias palavras do Salvador –, quer se enfureça com o que resta da sociedade humana. E se, realmente, deve haver um “Great Reset” da nossa sociedade, esta Grande Restauração só será realizada pelo arrependimento dos pecados públicos das nações, por um novo renascimento da Cristandade, com um regresso à Lei de Deus. “Fiat volutas tua”, recitamos no Padre-Nosso: seja esta a nossa agenda, a exemplo da Santíssima Virgem, Nossa Senhora e Rainha, que primeiro pisou a áspide e o basilisco, esmagou a cabeça do leão e do dragão. 

† Carlo Maria Viganò, Arcebispo

Fonte: Stilum Curiae

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