O declínio da democracia

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Foto: Tomas Ulrich/Pixabay/Divulgação.

O mundo que conhecemos não voltará mais a ser o mesmo

Por Eugenio Trujillo Villegas      

Os recentes acontecimentos dos Estados Unidos estão, sem dúvida alguma, entre os mais importantes das últimas décadas. E não me refiro às acusações de fraude nas últimas eleições presidenciais, nem aos graves conflitos que esta questão produzirá nos próximos quatro anos de governo.     

Considero muito mais importante o que está se passando em relação à perda da liberdade de expressão, à imposição ou à rejeição de algumas ideias políticas e à proibição totalitária de determinadas manifestações de opinião. Pela primeira vez, manifesta-se, publicamente, um poder oculto e misterioso, que nos quer impor, de forma autoritária, aquilo que podemos ou não podemos expressar publicamente.

As redes sociais e a sua grande influência mundial      

Trata-se das chamadas redes sociais, que se autoproclamam “a voz de quem não tem voz” e estão em aberta rebelião contra os grandes meios de comunicação. Em todo o mundo, a TV, os jornais e as principais rádios tornaram-se instrumentos para a divulgação de falsidades ou colocaram-se por dinheiro a serviço das piores causas políticas. Pois bem, nos últimos anos, as redes sociais levantaram-se contra a grande mídia e privaram-na do poder absoluto que exercia, pois por meio dessas redes todos podem divulgar as suas próprias análises e notícias, e mostrar ao mundo as realidades que vinham sendo silenciadas ou distorcidas pelo monopólio da grande mídia.

O poder e a influência que as redes sociais alcançaram, transformaram-nas num verdadeiro gigante da informação, inclusive os servidores de internet que permitem o seu funcionamento, de tal forma que passaram a influenciar o quotidiano de bilhões de pessoas em todo o mundo. Consequentemente, os seus proprietários entraram no seleto e reduzido grupo das pessoas mais poderosas, influentes e ricas do planeta.       

Como seria de esperar, num determinado momento este poder deveria se manifestar. De fato, para que serve o poder senão para mandar? E, então, no meio do atual conflito norte-americano, o presidente dos Estados Unidos, considerado o homem mais poderoso do planeta, foi posto de joelhos por estes misteriosos personagens. Agora, são eles decidem aquilo que as pessoas devem pensar, são eles que impõem as ideias que se devem divulgar, e censuram, implacavelmente, quem se atreve a contradizê-las. Assim, foram encerradas as contas pessoais do Twitter, Snapchat e Facebook do presidente Trump, juntamente com o seu canal no YouTube e todos os seus outros canais de comunicação. E também as contas oficiais da presidência dos EUA.

Estes fatos deveriam ser um gravíssimo brado de alerta

Se fizeram isto com o presidente Trump, o que poderão fazer com cada um de nós? Criou-se um Moloch que manipula, dirige e estabelece, a seu gosto, as regras de funcionamento destas redes, e, agora, este monstro dita o que podemos comunicar através delas. Se não obedecemos às suas diretrizes e insistimos em pensar de modo independente, faz-nos desaparecer sem direito a nenhuma réplica. E, o que é ainda mais grave, tal Moloch lança raios e setas contra os seus críticos, desencadeando contra eles todas as perseguições do poder político e judicial, os seus mais recentes e perigosos aliados.

Este é o caminho escuro, cheio de perplexidade e apreensões, para onde nos conduz este enigmático século XXI. Paradoxalmente, somam-se a isto as consequências da pandemia chinesa do coronavírus que tomou conta do mundo, pois, diante do medo do contágio, da doença e da morte, o mundo, gradativamente, renuncia às suas mais preciosas liberdades.

Pôs-se fim às viagens, às festas, aos restaurantes e aos bares. Todas as atividades desportivas ficaram sem público, assim como os grandes concertos e as manifestações culturais. Obrigam-nos a ficar em casa e até nos proíbem de visitar familiares e amigos. As empresas fecham, as ofertas de emprego reduzem-se, o povo passa necessidades extremas e o poder dos governantes é cada vez mais arbitrário e ditatorial. No final, a proclamada liberdade, que era a essência do mundo contemporâneo, é desconsiderada e todos acabam por obedecer e acatar as medidas impostas. 

O nome que damos a esta gigantesca transformação psicológica e psicopolítica pouco importa. Poderíamos chamar-lhe Nova Ordem Mundial, Grande Reset, Engenharia Social, Deep State ou o que for, mas é evidente que o mundo que conhecemos não voltará mais a ser o mesmo. E, com certeza absoluta, considerando a violência produzida por tais poderes ocultos que, agora, aparecem com maior força e determinação, a sociedade avança vertiginosamente para a perda das liberdades.

A pandemia e os donos das Big Techs ameaçam a liberdade        

Quando escrevemos uma mensagem nas redes, este poder oculto lê-nos; se falamos ao telefone, ouve-nos; quando saímos para a rua, filma-nos; se viajamos, sabe perfeitamente para onde vamos; se vemos TV, monitoriza-nos para conhecer as nossas preferências; se nos conectamos à internet, sabe o que nos interessa. Embora isto não seja nada de novo, já que existe há alguns anos, a grande novidade é que agora se começa a perseguir aqueles que não concordam com o novo sistema imposto ao mundo.

A consequência do que estamos vivendo é que, se o mundo funcionar assim, para que serve então, a democracia? O novo sistema de governo já caiu no absoluto desprestígio, devido aos níveis de corrupção alcançados pelos seus mais eminentes e reconhecidos representantes. As elites decadentes da classe política são as pessoas mais desprezadas em quase todos os países e, cada vez mais, a sua credibilidade é menor. Sem dúvida, o que parecia ser uma das maiores transformações da nossa época é o crepúsculo da democracia. E com isso surgirá uma nova e sofisticada forma de totalitarismo, que terá a tecnologia e o controle das redes sociais como principal ferramenta de submissão.

Fonte: Tradición y Acción

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