Ministro Ernesto Araújo: o Grande Reset quer uma revolução distópica na sociedade

0
Ernesto Araújo (foto: Ministério das Relações Exteriores)

Fundação de “think tank” em Brasíllia para fazer a “guerra cultural” contra a esquerda

A fundação do Instituto Conservador-Liberal

Eduardo Bolsonaro,  filho do presidente Jair Bolsonaro, e amigos fundaram o Instituto Conservador-Liberal para fazer “guerra cultural” contra a esquerda, durante um evento em um restaurante de Brasília (08/12/2020).

Entre os presentes estavam os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; da Cidadania, Onyx Lorenzoni; do Meio Ambiente, Ricardo Salles; das Comunicações, Fábio Faria; e o então ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. O futuro substituto de Álvaro Antônio, o presidente da Embratur, Gilson Machado, também prestigiou o lançamento, assim como secretários, deputados federais, estaduais, youtubers e apoiadores. O secretário de Comunicação Social da Presidência da República, Fábio Wajngarten, foi o mestre de cerimônias do evento, demonstrando seu apoio à iniciativa. Foi cogitada a passagem do presidente pelo evento, mas como o local estava bem cheio, considerou-se que causaria muito tumulto e ele acabou não indo.

Eduardo Bolsonaro explicou a razão de ser desse novo instituto, criado para ser um farol para as lideranças políticas à semelhança do “think tank” Heritage Fundation nos Estados Unidos:

“Essa nossa união tem que corrigir um erro que ocorreu nessa eleição de 2022, que é o quê? É a questão da organização.” Desatar este nó é a base principal da criação do Instituto: identificar, formar, treinar e organizar lideranças e seguidores de princípios conservadores nos costumes e liberais na economia. De acordo com o vídeo institucional exibido durante o evento, o Instituto busca defender valores ligados à conservação da ‘família, fé, liberdade, direito à legítima defesa, propriedade privada, segurança nacional e soberania’. E se colocam como contra ‘o mais perigoso dos vírus, o autoritarismo’.

Por sua vez, o ministro Salles afirmou: “O Brasil passa por um momento importante. Bolsonaro se elegeu presidente contra tudo e contra todos baseado em ideias, em valores. Mas essa luta começou com o presidente Bolsonaro. Ela não se encerrou com a eleição do presidente. Ela continua dia a dia. … A criação do Instituto é essa trincheira de valores e ideias”.

O discurso do chanceler Araújo sinaliza harmonia e coerência entre a política interna e a política externa brasileira

Democracia ou mundo globalista distópico onde a liberdade se torna uma ilusão? Para Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, o fortalecimento do Estado-nação é o remédio necessário.

Em discurso na inauguração do Instituto Conservador-Liberal, em Brasília, o chanceler Ernesto Araújo defendeu a formação de uma coalizão conservadora-liberal.

“Cada vez mais eu me convenço que nessa aliança está o futuro do Brasil e o futuro do mundo também, na aliança liberal-conservadora.”

“Também pensei um pouco sobre o conceito de Estado-Nação, e em como o lado Nação nesse conceito vem sendo enfraquecido. Isso também é um problema. Nós temos de reforçar esse conceito nos dois lados, e pensar da seguinte maneira, talvez um lema: menos Estado, mais Nação. Menos Estado: liberalismo, capitalismo, iniciativa individual, uma sociedade construída a partir do indivíduo e não do Estado. Mais Nação: tradição, história, cultura, fé, religião, família, tudo isso é Nação.”

O fortalecimento do Estado-nação com “tradição, história, cultura, fé, família” é central para ele. O ministro segue um lema: “menos Estado, mais Nação”. Menos Estado significa possibilitar a livre expansão do liberalismo econômico, do capitalismo, da propriedade privada, da iniciativa individual, de uma sociedade construída sobre o indivíduo e não sobre o Estado.

Nos últimos trinta anos de globalização, vigorou a ideia de que se pode gerir o mundo só pela economia, só com eficiência econômica, só com a liberalização. E hoje temos uma crise desse modelo. Por quê? O ministro aponta que o problema da sociedade de hoje é o esquecimento da própria herança:

“Não é porque tenha faltado eficiência, é porque as pessoas se esqueceram do lado da Nação, se esqueceram da essência nacional da própria civilização judaico-cristã, que foi a civilização que criou o capitalismo, mas, ao mesmo tempo, é uma civilização imbuída dessa dimensão nacional. Esse esquecimento civilizacional produz, hoje, esse mundo indiferente ao conceito de liberdade, que é onde eu queria chegar”, diz Araújo.

O coronavírus está sendo manipulado para servir como um “acelerador” do mundo distópico

O ministro das Relações Exteriores vê o “Grande Reset” como uma reviravolta distópica da ordem existente.

“Hoje, ninguém fala de liberdade nas discussões internacionais, eu tenho repetido isso. Ninguém fala de democracia nessa questão do Great Reset. Nada de Great Reset, não vai ter Great Reset, nós temos que lutar contra isso. Por quê? Porque o Great Reset não é Reset (Reinício) nenhum, é continuar essa globalização sem liberdade, sem democracia; essa globalização puramente na esfera econômica, que acabará construindo um mundo distópico, um mundo de controle social, que já está acontecendo. A COVID, a pandemia, é um acelerador desse mundo que está sendo preparado há 30, 40, 50 anos, esse mundo de controle social no qual convivem com uma ilusão cada vez maior de liberdade econômica que não está amparada em uma liberdade político-nacional profunda.”

“A política externa tem de fazer parte da transformação do Brasil que os brasileiros querem, que é esse nosso projeto que o Presidente Bolsonaro quer. Então, pela primeira vez, eu acho que em muito tempo, estamos tentando mudar. E muita gente acha que você pode mudar o Brasil sem mudar a relação do país com o mundo. Vemos pessoas dizerem “ah, não, que horror a época do PT”, mas querem que nós façamos uma política externa igual a deles. Não faz o menor sentido.”

O ministro Araújo entende que deve haver coerência entre a política interna adotada pelo governo Bolsonaro, marcadamente conservadora e alinhada com a defesa da propriedade privada e da livre iniciativa, com a política externa. Isto se faz com fundamento numa economia marcada pela liberdade, mas também cimentada pelos valores morais conservadores.  

“Então, isso de trazer a política interna, o Brasil, para a política externa é o grande esforço que precisamos fazer. Por quê? Porque é parte do esforço de transformação nacional. Para isso, nós precisamos desses conceitos. Transformação para onde? Para essas duas colunas do templo, digamos, a liberal e a conservadora, que têm de se juntar. De novo, só o liberalismo não vai sustentar a liberdade. Você precisa da raiz conservadora, da raiz que vem justamente do chão, da raiz que vem do sentimento das pessoas.”

A noção de democracia que temos une a liberdade econômica e a herança histórica e moral no conceito de Nação. Enquanto as democracias europeias abandonam a noção de Nação para buscarem a fusão numa nova ordem mundial, a democracia brasileira persiste na defesa do Estado-Nação.

“Hoje, tem-se dois tipos de democracia no mundo, e estamos tentando justamente criar uma coalizão democrática – estamos fazendo isso, estávamos, talvez continuemos, com o governo Trump –, criar uma coalizão das democracias liberais e conservadoras, digamos assim, as verdadeiras democracias: Brasil, Estados Unidos, Japão, Índia, Austrália, democracias que são feitas a partir da Nação. As democracias europeias são pós-nacionais, são democracias que já não acreditam nessa coisa do sentimento, da tradição”, acrescentou o Chanceler brasileiro.

É precisamente na coligação de “conservadores” no campo histórico-moral com os “liberais” no campo econômico, que Araújo vê um lampejo de esperança para contrariar a globalização e o mundo utópico. Desse modo Araújo conclui suas palavras:

“…muito entusiasmado com a criação do Instituto Conservador Liberal, acho que isso é realmente a essência daquilo que precisamos fazer, essa união, essa aliança, a convergência absoluta desses dois conceitos. Porque não é uma convergência… o vocabulário americano, inglês, criou essa ideia de que ‘conservadorismo’ e ‘liberalismo’ são opostos. Isso é um dos grandes males do nosso vocabulário. Não, eles não só são compatíveis, como são gêmeos, são partes da mesma estrutura civilizacional, da mesma estrutura de pensamento.” 

Fontes: Imprensa Brasil, Fundação Alexandre de Gusmão e Freiewelt

Você gostou do conteúdo? Apoie o jornalismo independente!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor registre seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui