Mau uso de dispositivos móveis gera crianças zumbis

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Divulgação.

Os pais devem se informar dos graves problemas que o mau uso das novas tecnologias provoca nas crianças, que podem ficar zumbis digitais

Um oftalmologista argentino recebeu um casal de pacientes que compareceu com sua filhinha para consultas. Assim que chegaram a menina de três anos deitou-se no sofá e começou a brincar com o smartphone numa distância de apenas 10 centímetros dos olhos durante quase uma hora.

O oftalmologista percebeu que o caso não era apenas de óculos, mas que a criança estava se transformando num zumbi digital com diversos problemas de saúde e comportamento, segundo descreveu em seu site Cuida tu vista.

Para os pais o smartphone parecia uma solução porque a criança não dava trabalho e eles podiam se dedicar a outras coisas. O oftalmologista comentou para si: eles não percebem o imenso dano que estão provocando.

Na consulta, explicou cuidadosamente aos pais a importância de fazer a menina passar o menor tempo possível com os dispositivos digitais. É o que recomendam os profissionais sanitários de referência no caso das crianças, como pediatras, optometristas etc.

Os pais devem se informar dos graves problemas que o mau uso das novas tecnologias provoca nas crianças, que podem ficar zumbis digitais. A expressão é dura, mas é da Associação Americana de Pediatria e outras academias correspondentes como a canadense e a japonesa. Veja mais em Digital Zombie.

Os períodos de uso de dispositivos móveis segundo as idades de acordo com a Associação Americana de Pediatria são:

  • Bebês e crianças de 0 a 2 anos: “0” minutos por dia. Seu cérebro não está preparado para esse tipo de estímulos que podem lhes causar muitos problemas no futuro.
  • Entre 3 a 5 anos: 1 hora/dia, no máximo.
  • Entre 6 a 18 anos: 2 horas-dia, no máximo.

Os 8 principais problemas que causa o mau uso de celulares e tablets nas crianças

1. Desenvolvimento cerebral inadequado e transtornos mentais.

Inclui alterações no crescimento do cérebro, problemas de aprendizagem, falta ou déficit de atenção, impulsividade e acessos de raiva frequentes. Também o aparecimento de doenças mentais como depressão, ansiedade infantil, psicose e outros transtornos.

2. Atraso no desenvolvimento infantil.

Inclui dificuldades para adquirir boas habilidades físicas, que influenciarão muito o desempenho escolar, esportes etc. Surgem muitos problemas para ler porque têm dificuldade para mover os olhos corretamente.

3. Aumento no número de crianças míopes.

4. Obesidade infantil.

A obesidade e o sedentarismo são agravados pelos pais que permitem uma alimentação com muitos doces e bolos industriais.

5. Distúrbios do sono.

6. Agressividade.

As crianças imitam tudo, mesmo os jogos violentos aos quais ficam expostas.

7. Comportamentos viciantes, como se isolarem da família e dos amigos.

8. Superexposição à luz azul gerada pelas telas de LED.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica os celulares como um risco à saúde devido à emissão de radiação.

A superexposição à luz azul emitida por essas telas pode ter um efeito tóxico na retina. A OMS publicou em 2019 novas diretrizes para crianças menores de 5 anos, elaboradas por um comitê de especialistas. Cfr. “El Universo”.

Entre essas diretrizes, recomenda que “os períodos prolongados em que as crianças pequenas permanecem sujeitas ou em atividades sedentárias em frente a uma tela devem ser substituídos por jogos mais ativos”.

Além desses danos, os especialistas registraram transtornos do sono; hiperestimulação sensorial que afeta o sistema neurológico; cãibras nos braços e nas mãos derivadas de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Lesões por Movimentos Repetitivos (LMR).

“As mãos são as mais afetadas, seguidas dos punhos, cotovelos e ombros. As lesões, principalmente, são geradas nos tendões, o que causa inflamação dos mesmos e influencia a sensibilidade”, disse Carlos Lupotti, médico ortopedista especialista em cirurgia da mão e reconstrutiva do membro superior e integrante da Clínica de Diagnóstico e Tratamento da Patologia do Ombro, Cotovelo e Mão de Buenos Aires (CLIMBA).

Outro efeito danoso é isolar as crianças de seu entorno social dificultando o relacionamento com outras crianças ou a adaptação a ambientes diferentes.

Acrescenta que a exposição às telas LED em uma idade precoce pode causar problemas como miopia ou astigmatismo. Ademais, o uso prolongado de celulares pode causar tumores cerebrais.

A American Cancer Society (ACS) manifesta em seu site a preocupação de que “os telefones celulares podem aumentar o risco de desenvolver tumores no cérebro ou na região da cabeça e pescoço”.

Em sentido positivo saudável incentive seus filhos a atividades ao ar livre. Evite televisão, celular ou tablet nas refeições.

A psicóloga Silvia Álava no livro “Queremos que eles cresçam felizes” recomenda não permitir dispositivos eletrônicos (celulares, tablets, computador ou vídeo game) no quarto.

As crianças devem sempre utilizá-los em espaços comuns, para que os pais possam ter um mínimo de controle, evitar horários inadequados e impedir que os pequenos utilizem tais aparelhos mais tempo do que o necessário.

O problema está muito mais nos pais do que nos filhos. Aprenda a dizer não para eles e verão como tudo funcionará melhor. Não importa se os pais têm estudos ou não, basta aplicar essas orientações.

Se ainda não vê claramente o problema, peça ajuda de um psicólogo — conclui site Cuida tu vista.

Fonte: lumenrationis

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