Máscaras são fabricadas com trabalho escravo na China, alerta relatório

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Pelo menos 17 empresas participam do programa de trabalho forçado

Um relatório publicado pelo New York Times (NYT), no domingo (19), revela que o trabalho forçado nos campos de concentração uigures da província de Xinjiang faz parte da cadeia de produção de pelo menos 17 empresas chinesas que produzem máscaras médicas e outros equipamentos de proteção.

Algumas dessas máscaras são exportadas para outros países, por empresas sediadas fora da província de Xinjiang.

Uma investigação em vídeo do NYT identificou as empresas chinesas que usam o programa de trabalho forçado, patrocinadas pelo Partido Comunista Chinês.

Os uigures são uma minoria étnica em grande parte muçulmana, principalmente da região de Xinjiang, no noroeste da China. O programa envia uigures e outras minorias étnicas para trabalhos em fábricas e serviços. Agora, o trabalho deles faz parte da cadeia de suprimentos de equipamentos de proteção individual (EPI). De acordo com a Administração Nacional de Produtos Médicos da China, apenas quatro empresas em Xinjiang produziram equipamentos de proteção para uso médico antes da pandemia. Em 30 de junho, esse número era 51. Após analisar as reportagens da mídia estatal e os registros públicos, o NYT constatou que pelo menos 17 dessas empresas participam do programa de trabalho forçado.

As empresas produzem equipamentos principalmente para uso doméstico, mas o The Times identificou várias outras empresas fora de Xinjiang que usam mão de obra uigur e exportam globalmente. O NYT também rastreou uma remessa de máscaras faciais para uma empresa de suprimentos médicos no estado americano da Geórgia de uma fábrica na província de Hubei, na China, para onde foram enviados mais de 100 trabalhadores uigures. Os trabalhadores são obrigados a aprender mandarim e se comprometerem a ser leais à China nas cerimônias semanais de hasteamento da bandeira.

O programa é amplamente divulgado na mídia estatal como uma forma de redução da pobreza. O Laboratório de Investigações de Direitos Humanos da Universidade da Califórnia, Berkeley e o Projeto de Direitos Humanos Uyghur coletaram dezenas de vídeos e reportagens da mídia social que documentam as recentes transferências de mão-de-obra.

Os uigures são perseguidos há muito tempo pelo governo chinês, que diz que seu controle rígido sobre Xinjiang é necessário para combater o que chama de extremismo religioso. Em resposta ao The Times, o porta-voz da Embaixada da China nos EUA disse que o programa ajuda “os residentes locais a se elevarem acima da pobreza através do emprego e levarem vidas satisfatórias”.

As cotas do número de trabalhadores inseridos no programa de trabalho e as penalidades enfrentadas por quem se recusa a cooperar, no entanto, significam que a participação é muitas vezes, de fato, involuntária.

“Existem essas cotas coercitivas que levam as pessoas a trabalhar em fábricas quando não querem”, disse Amy K. Lehr, diretora da Iniciativa de Direitos Humanos no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. “E isso poderia ser considerado trabalho forçado sob o direito internacional.”

Fonte: The New York Times

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