Já estamos em guerra, padre

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E parece que essa guerra só vai terminar quando formos obrigados a tomar a vacina do inimigo

Um padre progressista aqui da minha região gravou um vídeo dias atrás criticando um colega de sacerdócio que defendeu a volta da Santa Missa presencial durante a pandemia. Disse, o padre progressista, que faltaram a seu colega “bom senso, solidariedade, misericórdia, humanismo”. Esse sacerdote de esquerda é o mesmo que, tempos atrás, afirmou com todas as letras para os fiéis católicos da cidade: “O povo fique em casa e espere a vacina”.

Mas foi outra parte do referido vídeo que me chamou mais a atenção — exatamente aquela em que o padre questiona qual seria o comportamento de seu colega caso estivesse numa guerra. “Durante a guerra, ele ficaria preocupado com as alfaias litúrgicas ou com a sobrevivência das pessoas?”

Pois é, padre. Não sei se já deu para perceber, mas nós estamos numa guerra. A maior, mais longeva e mais cruel ditadura do mundo — chamada República Popular da China — busca estender definitivamente o seu domínio sobre toda a humanidade.

É uma guerra diferente, essa que vivemos. Foi declarada em Wuhan. Começou espalhando o medo e o pânico; avançou fechando as portas de nossas casas, nossos negócios e, lamentavelmente, nossas igrejas; interrompeu nossos trabalhos, isolou nossas famílias, destruiu economias; tem sido usada para controlar e isolar populações inteiras.

Vivemos uma guerra suja, em que as bombas e metralhadoras são substituídas por decretos inconstitucionais e abusivos; em que as baixas no campo de batalha são contabilizadas na forma de falências e desemprego generalizado. Uma guerra surda em que as trincheiras são as nossas próprias casas, onde somos obrigados a ficar por ordem dos generais de estrelas vermelhas.

Uma guerra em que mercenários engravatados tentam fazer contrabando de aborto, de censura e de dinheiro público. Uma guerra em que a principal arma de defesa — chamada hidroxicloroquina — foi praticamente proibida pelo estado-maior, pelo simples fato de que salva vidas, e salvar vidas não é algo que interesse aos senhores da guerra. Uma guerra em que diariamente vemos atacada nossa liberdade, nossa dignidade, nossa privacidade.

Somos todos reféns nessa guerra; reféns de autoridades que nos sufocam “para nosso próprio bem”. Uma guerra que dispensa licitações e transforma o homem que caminha na rua em inimigo público. Uma guerra em que, de repente, seremos todos obrigados a tomar uma vacina produzida pelo inimigo. Não poderia haver melhor símbolo para a guerra que vivemos do que a máscara — esse objeto que ao mesmo tempo esconde e unifica nossas individualidades. Talvez estejamos todos condenados a realizar o verso de Fernando Pessoa:

“Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido”.

E nesse momento terrível, padre, é possível que você venha dizer: “Calma, Paulo, é o novo normal. Tome a vacina e tudo ficará bem”.

Mas eu não quero a vacina. Eu quero a missa, padre.

Escrito originalmente por Paulo Briguet e publicado no Brasil Sem Medo, no qual é cronista e editor-chefe.

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