Importância da família confiar na Providência de Deus

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Embora a família seja a célula mãe da sociedade, e da certeza já dita por São João Paulo II de que “O futuro da humanidade passa pela família”, não são poucos os desafios e dificuldades que ela encontra nos tempos atuais.

Além de todos os ataques à vida, à dignidade humana, distorções da verdade e questionamentos sobre a sua própria definição e importância, todas as famílias passam por algum tipo de dificuldade doméstica.

Diante dos desafios financeiros, profissionais, na educação dos filhos ou de saúde de seus membros, olhar para a Sagrada Família de Nazaré nos ensina a passar por tudo – tanto problemas domésticos quanto externos – confiando na Providência de Deus.

Nesse sentido, a imagem de Nossa Senhora do Desterro é um grande exemplo de confiança e perseverança.

Ela retrata a fuga de Jesus, Maria e José para o Egito, quando o menino Jesus ainda era um bebê de colo. Nesse tempo, avisado pelos reis magos sobre o nascimento de um rei, Herodes mandou matar todos os bebês do sexo masculino para evitar perder seu poder político para esse novo rei. Avisado em sonho sobre o perigo que corriam, José confiou na vontade de Deus e conduziu sua família até o Egito, onde estariam em segurança até a morte de Herodes. Ao invés de confiar em suas próprias forças, José sabia que sua segurança estava em ouvir e cumprir a vontade de Deus.

As viagens no período eram muito difíceis: as estradas não eram boas, havia o perigo de ladrões, o menino Jesus era bem pequeno e Maria sempre virgem deu à luz a Jesus em condições precárias, em uma estrebaria. Se já era difícil para uma família pobre acolher o Salvador, imagina fugir para o Egito logo em seguida! Sem moradia, diante de estranhos com uma religião e cultura diferentes da sua, José se deixou conduzir para uma situação em que ele não estava no controle, mas confiava na proteção de Deus.

Para uma família cristã, é importante olhar para a Sagrada Família para aprender a buscar suas virtudes e encontrar nela inspiração para superar todas as nossas dificuldades.

São Luís Martin e Santa Zélia Guérin, pais de Santa Teresa de Lisieux

José, justo e virtuoso, os conduzia por caminhos desconhecidos, confiando e obedecendo a palavra de Deus. Isso já iniciara com sua decisão de casar com Maria: conhecendo a lei judaica e sendo justo, José assumiu Maria por confiar naquilo que Deus o pedia em sonhos. Após o nascimento de Jesus, em circunstâncias tão adversas, deixou sua terra, suas seguranças para entrar em uma terra pagã, construindo uma vida de trabalho a partir do nada. Ele poderia ter crescido enquanto carpinteiro em Israel e confiado em suas habilidades, mas sabia que mais do que seu trabalho sua missão era cumprir a vontade de Deus, o que significava cuidar de Jesus, que ainda era tão pequeno. E fez tudo isso sem questionar ou hesitar. Não deve ter sido fácil, mas ele se apoiava na certeza de que Deus não deixaria faltar nada do que era necessário enquanto ele se deixasse conduzir e fizesse a vontade dEle.

Maria, sempre fiel, disse seu sim ao anjo e se deixou conduzir, confiando nos cuidados de Deus. Ela sabia que precisava cuidar do bebê em seus braços – quando, ao mesmo tempo, reconhecendo que Ele era o Messias, o Filho de Deus, que cuidava deles! Sempre em oração, meditando tudo em seu coração, Maria reconhecia nos direcionamentos de seu esposo os cuidados de Deus. Enquanto mãe, Maria educava seu filho na fé, rezando por e com ele e acompanhando seu crescimento e desenvolvimento, visando sempre o Reino dos Céus. Jesus, no colo de Maria, crescia em graça e sabedoria, aprendendo com o exemplo e as virtudes de seus santos pais.

Assim como José e Maria, somos chamados a ouvir a voz de Deus e seguir Sua Vontade, entendendo que Ele cuida de nós. A vocação ao matrimônio e a vida em família exigem a dedicação a muitas coisas práticas, que acabam limitando o tempo dedicado à oração individual e em silêncio – mas, mesmo diante da correria das tarefas domésticas, deveres profissionais e outras atribuições, aprendemos com eles que é importante dar prioridade à vida interior de cada um dos membros da família, com tempo de qualidade para oração e meditação. Além disso, rezar em família com a disposição para ouvir e cumprir com a vontade de Deus se mostra fundamental.

Ao abrir mão de si mesmos para cumprir com os planos de Deus, Maria e José nos ensinam a entender que muitas vezes precisamos abrir mão de nossas vontades e planos. Embora esse desprendimento pareça muitas vezes ruim, ao deixarmos de lado algumas coisas e nos abrirmos para aquilo que Deus nos envia, percebemos que a vontade de Deus sempre nos surpreende, nos conduz por caminhos desconhecidos nos levando em segurança para lugares melhores do que conseguiríamos chegar contando somente com nossas próprias forças.

Ao nos deixar conduzir, afirmamos que Deus sabe o que é melhor para nós, mesmo que não consigamos enxergar isso.

Jesus, Maria e José nos chamam a crescer em virtudes: caminhando entre tantas realidades diferentes fora de casa, em família podemos refletir sobre nossas atitudes e reações e aprender a aperfeiçoar todos os dias nossas ações buscando o bem dos outros. Em família nossas qualidades e defeitos ficam mais evidentes pois é onde somos amados por aquilo que nós somos – e onde podemos aprender a corrigir nossos defeitos e aperfeiçoar nossas qualidades, colocando-as a serviço. Somos chamados a morrer para nós mesmos nas pequenas coisas e amar em tudo!

Além de tudo, refletir sobre o caminho da Sagrada Família ao Desterro deve nos levar a perceber que tudo o que temos e vivemos é dom e presente de Deus: nosso trabalho, nosso salário, nossos bens, nossa saúde, nossas alegrias, nossos desafios não são somente resultado de nossos esforços, mas passam pelos desígnios providentes de Deus. Até mesmo as dificuldades no trabalho ou problemas são presentes que nos ajudam a encontrar novos caminhos! Olhar para tudo com olhar espiritual e contar com a intercessão da Sagrada Família nos conduz por muitos caminhos – conhecidos ou desconhecidos – que, se forem bem trilhados, confiando na Providência Divina, nos levam a Deus.

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