IBM volta à cena com passaporte sanitário, por lucro e controle total

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A empresa fez parceria com a indústria farmacêutica Moderna para produzir os passaportes sanitários como condicionantes para que as atividades sociais retomem após as severas restrições adotadas desde março de 2020

Por Hermes Rodrigues Nery

O livro de Edwin Black “IBM e o Holocausto” é devastador. Nele, o autor britânico disseca o modus operandi desta multinacional, que lucrou com o regime totalitário nazista e saiu ilesa da Segunda Guerra Mundial, não apenas tornando-se mais rica, como contribuído para viabilizar os horrores dos campos de concentração. Black “conta a história da participação consciente da IBM – diretamente e por meio de subsidiárias – no Holocausto, assim como no envolvimento da empresa na máquina de guerra nazista, que assassinou milhões de outras pessoas em toda a Europa”.

Depois de ler esse livro, em 2006, me indagava: como a IBM se livrou do Tribunal de Nuremberg e como continuava prosperando como empresa no século 21, cuja trajetória é marcada “pela engenhosidade e ambição de lucro” e conivência com os extremos do poder mais desumano? A tecnologia foi usada (e abusada) para oprimir pessoas, solapar a dignidade humana, até o aniquilamento total. Edwin Black “relata que, diariamente, chegavam contingentes de mão-de-obra escrava nos campos de concentração. Os prisioneiros eram identificados por meio de cartões Hollerith descritivos, cada um com as colunas perfuradas, detalhando nacionalidade, data do nascimento, estado civil, quantidade de filhos, motivo do encarceramento, características físicas e habilidades profissionais. Na coluna rotulada ‘Razão de partida’ havia códigos que significavam transferidos para outro campo a fim de prosseguir com o trabalho; morte natural; execução; suicídio; tratamento especial ‘que em geral significava extermínio, seja em câmara de gás, seja por enforcamento ou fuzilamento’”. E ainda: “claques de juristas, médicos e cientistas nazistas – todos com suas prestigiosas credenciais acadêmicas – descobriram meios de perverter sua crença e vocação para promover” tal horror.

O que impressiona, naquela época, é a cumplicidade das pessoas das mais diversas áreas da sociedade: juristas, médicos, acadêmicos, políticos, imprensa, etc. Muitos disseram posteriormente que não sabiam do que estava acontecendo, mas foram omissos e cúmplices, em diversos graus, para um regime que visava destruir as pessoas, em todos os aspectos. Muitos podiam não concordar com o que ocorria, mas se sentiam impotentes e imobilizados pelo medo. Outros – como a IBM – consciente do que acontecia – não apenas colaborou tecnicamente (para a identificação, segregação e expropriação de bens dos que se opunham ao regime totalitário), como aproveitou-se de circunstâncias tão terríveis, para lucrar consideravelmente, com as suas máquinas Hollerith. A IBM se colocou acima das ideologias e paixões políticas. Interessou-se apenas em fazer dinheiro, e faturou muito.

Não se trata de controle da doença, mas controle das pessoas

A IBM está de volta à cena em 2021 para faturar muito mais agora com a pandemia do coronavírus. Fez parceria com a indústria farmacêutica Moderna para produzir os passaportes sanitários como condicionantes para que as atividades sociais retomem após as severas restrições adotadas desde março de 2020. Nesse sentido, corroboram o que a mídia vem disseminando diariamente, em todos as localidades do mundo: sem vacinas e sem passaportes digitais não haverá a nova normalidade. Vacinas experimentais, com tecnologias não convencionais, aprovadas celeremente, sem que as indústrias farmacêuticas se responsabilizem pelos danos de efeitos adversos.

Em janeiro de 2021, o governador do Estado de Nova York, Andrew Cuomo anunciou um programa piloto para testar o Excelsior Pass no Madison Square Garden, em 2 de março de 2021. O programa havia sido experimentado inicialmente no jogo do Brooklin Nets, no Barclays Center, em 27 de fevereiro. “Desenvolvido em parceria com a IBM, o Excelsior Pass usará tecnologia comprovada e segura para confirmar a vacinação de um indivíduo ou um teste COVID-19 negativo recente por meio de uma transferência de dados confidenciais para ajudar a acelerar a reabertura de teatros, estádios e outras atrações de acordo com as diretrizes do Estado de Nova York”, afirmou o governador. Steve LaFleche, Gerente Geral da IBM Public and Federal Market acrescentou: “Esta solução pode fornecer a Nova York e a outros estados um método simples, seguro e voluntário para mostrar a prova de um resultado negativo do teste COVID-19 ou certificação de vacinação. A IBM tem o orgulho de apoiar o Estado de Nova York em seus esforços para aplicar tecnologias inovadoras para ajudar residentes e comunidades a responder à COVID-19”. Nada voluntário, pois a exigência da carteira de vacinação trará sérias restrições sociais, que obrigará a quase todos a se submeterem à imunização, dividindo a sociedade em vacinados e não vacinados, com as consequências já conhecidas dessa segregação.

Com o Excelsior Pass a IBM coloca em prática a sua solução Digital Pass, para verificar as credenciais de saúde, as testagens e a carteira de vacinação. O governo de Nova York ainda explica que “usando a tecnologia blockchain, os indivíduos poderão compartilhar voluntariamente seu estado de saúde por meio de uma carteira digital criptografada em seu smartphone, sem a necessidade de compartilhar informações médicas e pessoais subjacentes. A tecnologia é flexível e construída em escala, permitindo que outros estados se juntem e ajudem a promover uma transição mais segura e confiável para uma realidade pós-pandêmica”.

A IBM anuncia o seu Digital Health Pass como “uma alternativa digital segura, voluntária aos cartões de vacinação de papel ou resultados de teste para covid 19”. E a sua propaganda o define como “uma maneira inteligente de retornar à sociedade”.  E mais: apresenta o Digital Health Pass como “capaz de rastrear – e compartilhar seletivamente – o status individual da COVID-19”  para “controlar a propagação do vírus”.

Reagindo à iniciativa do governador Andrew Cuomo, a pesquisadora independente Alisson McDowell fez o alerta, em várias exposições, de que as sombras do totalitarismo global estão mais espessas, confirmando a instrumentalização da pandemia para os fins da quarta revolução industrial, conforme os propósitos do Forum Econômico Mundial, a agenda de outros organismos internacionais e de bilionários tecnocratas. Diz Alisson Mcdowell: “No início de novembro de 2020, apresentei a um grupo no interior do estado de Nova York que estava se organizando em oposição à proposta de vacinação do governador Cuomo para todos os residentes. Esta palestra é sobre a Quarta Revolução Industrial e a ‘Grande Reinicialização’ do Fórum Econômico Mundial e como essa agenda está ligada à adoção de passaportes de saúde CommonPass e à criação de um estado de biossegurança global para expandir os mercados de títulos de capital humano. Esses mercados são construídos sobre a pobreza manufaturada e esquemas de investimento de impacto social alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas”.

O fotojornalista independente Raul Diego também corrobora o alerta de Alisson Mcdowell e o que temos afirmado constantemente: o passaporte vacinal pavimenta o totalitarismo global. Para Raul Diego, “à medida que a resposta global e multissetorial ao coronavírus aperta o cerco em torno das liberdades civis, o CommonPass se destaca como um dos ataques mais terríveis e perigosos aos direitos humanos básicos em nome da saúde pública e está repleto de um potencial de abuso tão grande , que nos cabe saber mais sobre as pessoas e os interesses por trás disso”. E observa que os passaportes sanitários são o primeiro passo para um controle total de tudo e de todos. Não se trata de controle da doença (criada em laboratório), mas controle das pessoas. E mais ainda: o controle da vida, em todos os seus aspectos: “Os objetivos de longo prazo incluem dados de saúde, trabalho e financeiros juntos em um único sistema de identificação, que determinará o acesso a alimentos, cuidados de saúde e mobilidade.

Para tais fins a IBM volta à cena, assim como a Fundação Rockefeller e tantas outras empresas e fundações privadas associadas ao que a humanidade viveu de pior no século 20, e agora retornam com todo aparato tecnológico para avançar a agenda do poder global, movidas pelo lucro desmesurado e controle total. Os horrores do passado não foram suficientes para nos tornar imunes da distopia panóptica que desejam implantar no mundo todo. É impressionante como juristas, médicos, políticos, imprensa e até líderes religiosos se tornaram cúmplices disso. O século 21 está apenas começando e a IBM está de volta e decidida a ganhar muito dinheiro.

Prof. Hermes Rodrigues Nery é Especialista em Bioética pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Coordenador Nacional do Movimento Legislação e Vida. Email: prof.hermesnery@gmail.com

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