Heleno sugere a Bolsonaro “convocar povo às ruas” contra Congresso

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Informação foi publicada no jornal O Globo e rebatida pelo ministro na última quarta-feira (19)

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Augusto Heleno, sugeriu ao presidente Jair Bolsonaro “convocar o povo às ruas” contra o Congresso Nacional. Ele ainda acusou o Parlamento de “chantagens” ao governo. A informação foi publicada no jornal O Globo e rebatida pelo ministro na última quarta-feira (19).

A irritação de Heleno, que chegou a bater na mesa conforme o relato, deve-se à pressão do Congresso pelo controle de parte do Orçamento de 2020. Segundo a reportagem, o general começou a demonstrar nervosismo cedo na terça, 18 de fevereiro, na cerimônia de hasteamento da bandeira, 8h, quando pediu aos ministros Paulo Guedes (Economia) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) para refazerem as negociações com os parlamentares. Disse que o governo estava “negociando uma rendição”, descreve O Globo.

Ainda de acordo com o jornal, o presidente pediu cautela ao ministro e aconselhou a articulação política a “costurar novo acordo” com o Congresso sobre as emendas.

Ao votar Lei de Diretrizes Orçamentárias, o Congresso impôs a obrigatoriedade de pagamento de suas emendas, conhecidas como emendas impositivas, e também definiram que eles próprios teriam poderes como definir a ordem de desembolso ou os locais onde o dinheiro seria aplicado. Aos ministérios, só caberia liberar a verba. O trecho foi vetado pelo presidente.

Semana passada, para evitar a derrubada do veto presidencial, Ramos fez um acordo com o Congresso: em troca da manutenção do mesmo, o governo enviaria ao Parlamento um projeto que representaria parte da verba que os congressistas controlariam nas emendas impositivas constantes naquele veto. Era o governo cedendo o direito de indicar a ordem de execução das emendas.

No áudio captado pelo Globo de uma transmissão de uma reunião ao vivo pela internet, Heleno disse que o Executivo não pode aceitar “chantagens” do Parlamento o tempo todo.

Após a repercussão da notícia, Heleno classificou como “lamentável” o que chamou de um “episódio de invasão de privacidade”. A fala de Heleno foi captada em uma live transmitida pela Internet.

O ministro acrescentou que as opiniões externadas são suas e não foram debatidas anteriormente com o presidente Jair Bolsonaro.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, respondeu com uma alfinetada. “Uma pena que um ministro com tantos títulos tenha se transformado num radical ideológico contra a democracia, contra o Parlamento. É muito triste”, disse. Ainda segundo ele, o Congresso “se quisesse apenas deixar as pautas correrem soltas, o governo não ganhava nada aqui dentro. Tudo é feito com responsabilidade”.

Fonte: Huffpost

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