Exortação pós-sinodal do Papa Francisco abre porta para abolir o celibato sacerdotal

0
JOHN-HENRY WESTEN / LIFESITENEWS.COM

A informação é confidencial e foi compartilhada por alguns bispos que receberam parte da exortação apostólica pós-sinodal

“A notícia que antecipamos estava no ar, mas a confirmação chegou a nós [Corrispondenza romana] confidencialmente de alguns bispos que receberam parte (não toda) da exortação apostólica pós-sinodal do Papa Francisco no Sínodo da Amazônia. Esta parte reproduz substancialmente o parágrafo 111 aprovado no documento conclusivo do Sínodo:

“Muitas comunidades eclesiais do território amazônico têm enormes dificuldades de acesso à Eucaristia. Meses ou anos se passam antes que um sacerdote possa retornar à comunidade para celebrar a Eucaristia, oferecer o sacramento da reconciliação ou celebrar a unção dos enfermos para os doentes da comunidade”.

“Apreciamos o celibato como um dom de Deus, na medida em que este dom permite ao discípulo missionário, ordenado ao sacerdócio, dedicar-se plenamente ao serviço do Povo Santo de Deus. Ela estimula a caridade pastoral e rezamos para que haja muitas vocações vivendo o sacerdócio celibatário. Sabemos que esta disciplina “não é exigida pela própria natureza do sacerdócio” (PO 16), embora haja, por muitas razões, uma relação de conveniência com ela”.

“Na sua encíclica sobre o celibato sacerdotal, São Paulo VI manteve esta lei, expondo as razões teológicas, espirituais e pastorais que a justificam. Em 1992, a exortação pós-sinodal de São João Paulo II sobre a formação sacerdotal confirmou esta tradição na Igreja latina (PDV 29). Considerando que a legítima diversidade não prejudica a comunhão e a unidade da Igreja, mas manifesta-a e está ao seu serviço (cfr. LG 13; OE 6), como atesta a pluralidade de ritos e disciplinas existentes, propomos que, no âmbito da Lumen Gentium 26, a autoridade competente estabeleça critérios e disposições para ordenar sacerdotes idôneos e reconhecidos pela comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam uma formação adequada para o sacerdócio, a fim de sustentar a vida da comunidade cristã através da pregação da Palavra e da celebração dos Sacramentos nas áreas mais remotas da região amazônica”.

“Então, a porta está aberta”, afirmou o historiador católico Roberto de Mattei.”Não há razão para proibir em outras regiões do mundo o que será permitido em algumas partes da Amazônia. Os bispos alemães, e não só eles, estão prontos a estender o acesso ao sacerdócio aos homens casados considerados adequados pelas autoridades competentes. O que está sendo liquidado não é apenas uma “disciplina eclesiástica” mutável, mas uma lei da Igreja baseada em um preceito de origem divina apostólica”.

Há 50 anos, no simpósio dos bispos europeus realizado em Chur em julho de 1969, o Cardeal Leo-Joseph Suenens, durante sua conferência de encerramento, leu um apelo de Hans Küng para suprimir o celibato dos sacerdotes. Este pedido era coerente com o papel reconhecido pela teologia progressista na sexualidade: um instinto que o homem não deve reprimir através da ascese, mas “libertar”, encontrando no sexo uma forma de “realização” da pessoa humana. Desde então, essa demanda se ampliou, acompanhando o processo de secularização e auto-demolição da Igreja.

Na realidade, a transgressão do celibato e a simonia foram as grandes pragas que sempre afligiram o Corpo Místico de Cristo em tempos de crise. E o apelo à continência e à pobreza evangélica foi a bandeira dos grandes santos reformadores. Nos próximos dias de Fevereiro, o anti-Reformador não será, como tantas vezes aconteceu, um bispo ou um grupo de bispos, mas sim o próprio sucessor de São Pedro, disse Mattei.

“O celibato eclesiástico é uma glória da Igreja e o que ele humilha é a própria vontade de Cristo, transmitida pelos apóstolos aos nossos dias. Como podemos imaginar que os católicos possam permanecer em silêncio diante deste escândalo? Arrematou o historiador católico.

O LifeSitenews conversou com Roberto de Mattei na última sexta (31) em Roma. Ele confirmou que nos últimos dias um grupo de bispos recebeu uma “parte” do rascunho da exortação apostólica e que pelo menos um bispo compartilhou esse texto com ele. De Mattei confirmou que o parágrafo 111 do documento final do Sínodo Amazônico é reproduzido literalmente no rascunho da exortação apostólica.

Ele disse que não está claro por que aos bispos foi enviado apenas parte do texto preliminar, mas especulou que a medida pode ter como objetivo avaliar as reações dos bispos.  Mattei também teve o cuidado de observar que o texto preliminar recebido pelos bispos pode não ser o texto final promulgado pelo Papa Francisco.

Não são “notícias falsas”, disse o respeitado historiador italiano.

Celibato sacerdotal

Bento XVI e o cardeal Robert Sarah foram co-autores de um novo livro sobre o celibato sacerdotal, assumindo uma posição firme contra a ordenação sacerdotal de homens casados ​​na Igreja Latina.

Na obra, Bento XVI escreve:

“A capacidade de renunciar ao casamento para se colocar totalmente à disposição do Senhor é um critério para o ministério sacerdotal. Quanto à forma concreta de celibato na Igreja antiga, deve-se salientar também que os homens casados ​​só poderiam receber o sacramento das Ordens Sagradas se tivessem se comprometido com a abstinência sexual, ou seja, com um casamento Josefino. Tal situação parece ter sido bastante normal durante os primeiros séculos”.

Esta declaração ecoa sua reafirmação do significado sagrado e do caráter obrigatório do celibato sacerdotal, em sua exortação pós-apostólica de 2007 sobre a Eucaristia, Sacramentum Caritatis:

“Em união com a grande Tradição eclesial, com o Concílio Vaticano II e os meus Predecessores no Ministério Petrino, afirmo a beleza e a importância de uma vida sacerdotal vivida no celibato como sinal expressivo de dedicação total e exclusiva a Cristo, à Igreja e ao Reino de Deus, e consequentemente confirmo o seu carácter obrigatório para a tradição latina” (n. 24).

Em uma entrevista recente em seu livro de co-autoria, o cardeal Robert Sarah também afirmou:

O celibato sacerdotal não é uma simples disciplina canônica. Se a lei do celibato for enfraquecida, mesmo para uma única região, abrirá uma brecha, uma ferida no mistério da Igreja. Existe um vínculo ontológico-sacramental entre o sacerdócio e o celibato. Esse ligação nos lembra que a Igreja é um mistério, um dom de Deus que não nos pertence. Não podemos criar um sacerdócio para os homens casados ​​sem prejudicar o sacerdócio de Jesus Cristo e de Sua Esposa, a Igreja. (Sínodo sobre a Amazônia, documento final, n. 111)

Fonte: corrispondenzaromana e lifesitenews

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor registre seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui