Estudo: O “lockdown” de Merkel pode matar mais pessoas do que o coronavírus

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Foto: JENS SCHLUETER e Michael Kappeler / AFP.
Foto: JENS SCHLUETER / AFP.

As consequências das crises econômicas são devastadoras, sobretudo afetam as crianças

O Banco de Pagamentos Internacionais, que reúne 55 bancos centrais de todo o mundo e tem sede na Suíça, considerado o “banco dos bancos centrais europeus”, divulgou um estudo no final do ano passado, que analisou os efeitos econômicos do “lockdown”.

Sebastian Doerr e Boris Hofmann apresentaram em 15 de dezembro de 2020 “O nexo recessão-mortalidade e a Covid-19”.

Depois que a situação atual foi abertamente descrita como a “pior crise econômica global desde a Segunda Guerra Mundial”, os dois autores do estudo chegaram à conclusão:

Para o ano pandêmico de 2020, há uma conexão negativa entre retração econômica e excesso de mortalidade, o que significa: quanto mais profunda a retração econômica, maior o excesso de mortalidade. Essa relação é particularmente acentuada para os países mais pobres. Além disso, tem uma dinâmica própria: quanto mais forte a queda econômica, mais aumenta a mortalidade.

Para evitar a objeção de que a conexão está apenas superficialmente presente porque a taxa de mortalidade mais alta é na verdade um produto direto da pandemia, os autores compararam o desenvolvimento econômico e a mortalidade em tempos sem pandemia. Uma correlação negativa também pode ser determinada para esses anos: o sucesso e o insucesso econômico caminham juntos com um índice de mortalidade menor ou maior.

Percebe-se que essa tendência é ainda mais forte para a mortalidade infantil. Portanto, enquanto os idosos sofrem com a Covid-19, as famílias com seus filhos sofrem primeiro com a crise econômica.

Isto pode ser observado no passado, as crises econômicas, concretizadas drasticamente, foram mais mortais para os países mais pobres.

E para o futuro? – Os autores resumem nestas palavras: “Olhando para além do impacto imediato das recessões econômicas, descobre-se que elas lançam para o futuro uma longa sombra. Além dos efeitos imediatos, as recessões lançam uma longa sombra.” Ao contrário de uma epidemia, a mortalidade continua existindo por vários anos.

No geral, o estudo chega à conclusão de que “o número de mortes causadas pela Covid-19 pode ser maior do que o número de mortes causadas diretamente pela doença, uma vez que as mortes causadas pela desaceleração econômica induzida pela pandemia também devem ser levadas em consideração”. Uma suposição comum é que um “lockdown” mais rigoroso reduz as mortes relacionadas à pandemia, mas ao custo de um declínio mais acentuado na atividade econômica. A questão é complexa, pois as consequências econômicas das políticas de contenção de vírus também podem ter repercussões na mortalidade.

 Por isso o estudo questiona se um bloqueio rápido e rígido não faz mais sentido do que um bloqueio longo com suas dramáticas consequências econômicas. É uma questão fundamental, que um governo responsável deveria ter feito a si mesmo antes, mas o governo de Merkel não se fez essa pergunta na primavera ou no verão passado.

Fonte: Freiewelt

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