Estratégia por trás da promoção do aborto no mundo

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Fonte: medium.com

Qual o real objetivo de quem promove o aborto no mundo?

A beleza da natureza humana: expressão da verdade

A observação de um fenômeno da natureza nos revela muita coisa. Considere todos os ciclos da fase reprodutiva de uma mulher. Em todos eles, o corpo se prepara para receber um embrião que pode ser concebido. Hormônios específicos são liberados para este preparo, induzindo a ocorrência de mudanças de grande complexidade. O endométrio fica pronto para fornecer ao embrião todos os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento.

Ao longo dos meses de uma gestação, o corpo da mãe passa por diversas transformações que auxiliam o desenvolvimento do bebê, e quando ele nasce é capaz de produzir leite para alimentá-lo. Se, pelo contrário, no corpo da mulher houvesse um parasita, seu sistema imunológico seria acionado e os mecanismos de defesa tratariam de eliminá-lo. Acontece que, no caso do embrião, o preparo do corpo da mulher envolve uma certa diminuição da atividade do sistema imunológico. Assim, o bebê passa a estar protegido de qualquer reação imunológica. [1]

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No sentido contrário a natureza das coisas, observamos um fenômeno social a nível mundial, emergente a mais ou menos seis décadas: há mulheres que reclamam o direito de abortar, e não apenas isso, revoltam-se contra aqueles que não acham que isso é um direito. Este fenômeno, em linhas gerais, é hegemonicamente relacionado com a conquista progressiva de direitos, principalmente o direito da autonomia da mulher sobre o seu próprio corpo. No entanto, a promoção e a legalização do aborto no mundo emergiu e foi planejada estrategicamente com uma finalidade. E esta finalidade não é a autonomia da mulher sobre o seu próprio corpo.

A exposição a que se segue deve-se majoritariamente as informações contidas no livro Segunda Intenções: A Cultura da Morte e o Governo Americano [2], do professor Donald Critchlow. O autor teve acesso a importantes coleções arquivísticas, como os documentos ainda não processados de John D. Rockfeller III nos Arquivos da Família Rockfeller em Tarrytown, Nova York.

O “problema” do crescimento populacional e a ameaça de uma terceira Guerra Mundial

Após a segunda guerra mundial, de acordo com os neomalthusianos, surgia um novo inimigo que poderia causar uma terceira guerra mundial: o crescimento populacional. Segundo eles, se o nível da população fosse mantido tal como estava não haveria alimento para todo mundo. Em suma, a segurança da humanidade dependia do controle populacional a nível mundial.

Em 1945, poucas pessoas voltaram-se à questão populacional. Dos que se voltaram, a maioria cientistas sociais, não conseguiam formar um movimento coerente. Porém, os esforços de um só homem, John D. Rockfeller III, deram forma ao movimento de controle do crescimento populacional no mundo, como veremos a seguir. Ressalta-se que, apesar de haver diferenças no que se refere às estratégias e prioridades, havia um consenso entre aqueles que se voltaram à questão do aumento populacional: “a população mundial [inclusive a dos E.U.A] estava crescendo rápido demais e desordenadamente”.

Estratégia inicial do controle de crescimento populacional no mundo

A estratégia inicial desses grupos que almejavam o controle populacional no mundo, foi fazer um lobby no governo federal americano para que programas de planejamento familiar nacionais e internacionais fossem financiados.

É importante destacar que ao fazer o lobby no governo americano, eles acreditavam que havia um grande obstáculo: a Igreja Católica. Era a Igreja Católica que historicamente se contrapunha aos meios necessários ao controle populacional: aborto, esterilização e contracepção artificial. 

Diante disso, a questão colocada foi a seguinte: “Como o governo federal poderia ser persuadido a entrar na política de planejamento familiar sem incitar oposição política da parte dos eleitores católicos?” John Rockfeller III tinha uma resposta: 1. Encorajar progressistas dentro da Igreja Católica. 2. Persuadir os funcionários públicos.

O Conselho Populacional criado em novembro de 1952 por John Rockfeller III, juntamente com 26 especialistas, sendo 24 homens e duas mulheres, foi essencial na promoção e implantação do controle populacional a nível mundial.

O Conselho Populacional de John Rockfeller III e a estratégia de promoção e legalização do aborto no mundo

O objetivo de J. Rockfeller III era de que o Conselho Populacional assumisse a “liderança nas ideias, no planejamento e na ação no amplo campo populacional”. O que de fato aconteceu. O controle do crescimento populacional no mundo foi planejado pela equipe do Conselho Populacional e foi estrategicamente implantado por etapas.

Primeira etapa: A demografia foi modificada.

Em 1954, o Conselho recebeu doações de milhões de dólares, uma delas proveniente da Fundação Ford, e criou uma rede internacional de especialistas em demografia que compactuavam da mesma posição em relação à intervenção populacional. Em cerca de poucos anos a demografia, uma ciência descritiva, tornou-se uma ciência política.  Essa construção de uma rede global de especialistas em população, com as mesmas opiniões, lançou as bases intelectual e institucional para a mudança definitiva na política populacional americana que ocorreria na próxima década.

Segunda etapa: Implantação de projetos de controle populacional em dezenas de países.

Em julho de 1959, o então presidente do conselho populacional, Frank Notestein, dedicou-se inteiramente em iniciar “programas de ação” para oferecer assistência técnica [para diminuir o crescimento populacional] aos programas populacionais no exterior. Nos programas internacionais promovidos pelo Conselho Populacional, estimulava-se o uso de dispositivos intra-uterinos (DIUs), por serem baratos, práticos e seguros, requerendo um mínimo de cuidado pessoal e médico. Embora a contracepção oral, a pílula, também fosse usada, o Conselho preferia o DIU, por demandar menos responsabilidade do usuário. “Com estes esforços, país após país começou a utilizar o dispositivos intra-uterinos em seus programas de planejamento familiar, ao ponto de a demanda crescente pelos DIUs criar problemas de fornecimento. O Conselho Populacional fez a estimativa de que aproximadamente 7 milhões de mulheres por todo o mundo receberam DIUs.

A diminuição do crescimento populacional alcançado em inúmeros países ao longo de pouco mais de dez anos desde que o Conselho Populacional foi fundado, fazia parte de uma estratégia: criar um programa de qualidade que ganhasse respeito dentro dos E.U.A e em outros países.

Terceira etapa: Lobby no governo Americano

Apesar de haver durante os anos seguintes à criação do Conselho Populacional um vasto investimento em planejamento familiar internacional, John Rockfeller III definiu que a intervenção federal americana era necessária para o controle do crescimento populacional no mundo. 

Um pouco antes e durante a presidência de Kennedy, o Conselho Populacional, juntamente com outros atores, fizeram um lobby no governo, voltado, neste momento, a uma política interna de planejamento familiar. Pouca coisa se conseguiu, mas alguns passos foram dados com um relatório conhecido como Relatório Draper, que “apresentou o problema populacional para o grande público americano e levantou a questão do apoio federal a programas populacionais”.

Durante a presidência de Johnson, o lobby junto ao governo “trabalhava ativamente para a educação da nação quanto à ameaça da superpopulação, enquanto semeava opiniões progressistas dentro da Igreja Católica”. 1967 foi ano que o “Congresso promulgou a primeira legislação formal sobre o planejamento familiar por meio das emendas da Seguridade Social que estabeleciam despesas federais específicas para este fim”.

Tendo em conta que a maior oposição do governo para que os programas de planejamento familiar fossem expandidos era a opinião pública, principalmente a católica, começou a vigorar uma nova estratégia nesse ínterim: a mudança de comportamento, a moral. Para tanto “o movimento populacional empreendeu uma campanha de relações públicas orquestrada por meio de um fluxo constante de livros, panfletos e artigos de revista e de jornal”. A ficção científica popular da época também foi recheada de conteúdos que alertavam sobre o perigo da superpopulação, filmes foram utilizados para este fim. Resultado: Em 1959, 75% do público americano tinha consciência da explosão populacional. Por volta de 1968, os americanos já haviam aceitado a contracepção artificial como uma parte normal de suas vidas.

Anos mais tarde, em 1974, John Rockefeller III foi nomeado pelo governo federal americano para presidir a comissão sobre o Crescimento da População e o Futuro da América. O trabalho da Comissão levou à elaboração do documento NSSM-200, também conhecido como Relatório Kissinger. “O relatório Kissinger prevê recomendações expressas ao governo americano para que fossem implantadas medidas de redução populacional nos países em desenvolvimento”.

De acordo com o relatório, o controle populacional mundial era um assunto de segurança nacional para os Estados Unidos. Por isso, o documento apresentava uma estratégia detalhada sobre como os Estados Unidos deveriam promover agressivamente o controle populacional nos países em desenvolvimento. “Nenhum país poderá reduzir seu crescimento populacional sem recorrer ao aborto”, descreveu o relatório.      

Quarta etapa: Mudança de paradigma. “Direitos Sexuais e Reprodutivos”, educação sexual e mudança da moral sexual

Em 22 de Janeiro de 1973, a Suprema Corte dos E.U.A anunciou nos casos Roe versus Wade e Doe versus Bolton que o aborto era um Direito Constitucional. Antes mesmo dessas decisões, que tiveram como consequência o assassinato de milhões de vidas, o planejamento familiar foi remodelado. Curiosamente, John Rockfeller III passou de um forte proponente do planejamento familiar para um crítico do controle populacional. Qual a razão desta drástica mudança?

A preocupação com o crescimento populacional continuou presente, porém, sob novas roupagens. A estratégia, neste momento, era investir na educação sexual com o intuito de mudar a moral sexual e na emancipação das mulheres. Um dos demógrafos que fazia parte do Conselho Populacional, chamado Kingsley Davis, afirmou em um artigo intitulado Política Populacional: Os atuais Programas terão Sucesso? que eram necessárias mais medidas de coerção para que o crescimento “populacional zero” fosse atingido. “Como um primeiro passo, ele propôs o uso de medidas de coerção indiretas, como incentivos fiscais para pessoas solteiras que postergavam o casamento, estímulo a que as mulheres continuassem sua educação e seguissem carreiras profissionais (e, portanto, adiando o casamento e os filhos), e a redefinição dos papéis sexuais (assim, as mulheres não se definiriam em termos de maternidade). Ele acreditava, entretanto, que essas medidas sozinhas não corrigiriam o problema. Abordagens mais drásticas e coercitivas precisavam ser consideradas”.

As instruções de Kingsley Davis foram seguidas. Foi na década de 1970 que “John Rockfeller finalmente entendeu que a melhor estratégia era a militância política através da emancipação da mulher. Utilizando-se dos “movimentos feministas para trabalhar o seu lobby, a fundação Rockfeller foi a pioneira na estratégia da modificação moral sexual popular”. Os últimos anos de vida de John Rockfeller foram destinados à causa do aborto legalizado e da educação sexual na América.

Quinta etapa: Política de redução de danos e serviços de aborto seguro

Na América Latina e na África havia uma grande rejeição ao direito ao aborto. Frente a isso, uma nova estratégia foi utilizada, a qual o autor Marlon Derosa chama de política de “redução de danos e serviços de aborto seguro”. Essa estratégia consiste na “fabricação de estudos científicos, com dados que caracterizem o aborto ilegal como um grande dano para a sociedade e como causador de mortes maternas”. Essa tática se coadunou com outra elaborada em um congresso a portas fechadas em Gleen Cove, no Estado de Nova York. O método consiste na manipulação das leis de um país ou de tratados internacionais mediante a criação de jurisprudências baseadas em uma interpretação normativa pró-aborto. (Um exemplo de como isso se deu na prática aqui).

A partir do exposto é evidente que a legalização e a promoção do aborto no mundo têm uma finalidade clara: o controle do crescimento populacional. Para que esse objetivo seja alcançado, inúmeras estratégias foram utilizadas, sendo o aborto uma delas. Este objetivo, claro entre os seus proponentes, passou a se esconder ao longo do tempo por trás de uma estratégia muito bem planejada: o investimento na mudança da moral sexual e na emancipação das mulheres, as quais passaram a fazer o trabalho que o movimento populacional iniciou: reivindicar o controle de natalidade.

[1] Precisamos falar sobre Aborto: Mitos e Verdades

[2] Segundas intenções

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