Em um livro incomum, o “Plano” da pandemia é revelado

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Capa do livro lançado pela editora italiana

Por Corrispondenza Romana

O autor assina o texto do livro como Anônimo e, de fato, assim permanece, mas o contexto que ele apresenta, apesar de passar por épocas diferentes e acontecimentos chocantes, tem um nome muito preciso: Revolução.

O livro intitulado “Deus non irridetur. Luther Blisset, o agente Q e o coronavírus” foi publicado pela Edizioni Fiducia. É um título verdadeiramente único e que não economiza em trazer surpresas para o leitor. Não é por acaso que o professor Roberto de Mattei afirma no início: “Publico este texto depois de algumas hesitações”, esperando “que a leitura deste documento seja útil para reflexão”. Sim, sem dúvida, é útil.

A editora apresenta a seguinte descrição do livro: “O espesso véu de mistério que ainda cobre o ano da pandemia é em parte rasgado por Anonimus que, no seu testemunho, explica quem são Luther Blisset, Wu Ming, QAnon e os outros protagonistas dos “embustes” revolucionários dos últimos anos e como eles funcionam. Um texto convincente que nos pode ajudar a compreender o que está acontecendo e o que irá acontecer no futuro próximo.”

O misterioso autor conta sobre uma grande conspiração internacional:

“Tudo começou em Bolonha em 1992. Um grupo de cinco camaradas criou o coletivo Luther Blisset, um personagem fictício”, escreve ele. Qualquer um poderia se tornar Luther Blisset, “simplesmente se declarando parte do projeto e assinando com o nome coletivo”, nome que correspondia, na verdade, a “um método, uma prática; nosso inimigo era e é a Verdade, o absoluto”, preferindo a multiplicidade de “pontos de vista em um mundo em que tudo é contingente, histórico, cultural, sempre passível de revisão”.

Mais adiante especifica melhor: “Dizemos que o real não existe, porque, se existisse, daria à verdade o direito de existência, e a verdade é o fundamento da soberania, contra a qual nos rebelamos”. Não é por acaso que a arma utilizada entre 1995 e 1999 foi a das falsificações que “não fazem sentido”. Afinal, o autor especifica em tons sibilinos e perturbadores: “Sou Anonimus, sou Luther Blisset, mas o meu nome verdadeiro não importa, porque somos legião”.

Em 1999, o “salto qualitativo” deu-se com a publicação do romance “Q”, que o autor anônimo do livro considera “a nossa obra-prima”, tendo participado de sua elaboração juntamente com os seus cúmplices:

“Este livro foi um empreendimento coletivo, o resultado de pesquisas realizadas no Instituto de Ciências Religiosas de Bolonha, de Dossetti e Alberigo. Ao escrever um romance histórico quisemos reescrever a nossa história, definir quem éramos, recolher o legado que tínhamos atrás de nós”.  E declara abertamente em seguida a estratégia adotada: “A luta no terreno da história é essencial para subverter o mundo”.

O protagonista da obra é um herege que sobreviveu às “guerras religiosas do século XVI” e se valeu não das tesouras de poda e foices, mas da imprensa, para dar vida às “inúmeras revoltas que explodiram dentro da Igreja”. O romance termina em 1555, ano da eleição ao trono papal de Paulo IV, que foi sucedido por outro campeão da contrarrevolução, São Pio V, que não por acaso conseguiu reprimir os dissidentes.

Depois de decidir em dezembro de 1999 sobre um “suicídio simbólico” para Blisset, os adeptos se fundiram um mês depois em outro nome coletivo, o de Wu Ming, para chegar a “Q”, o pseudônimo que apareceu na rede em 2017, escolhido por um auto-intitulado oficial dos serviços secretos. Ficaram então, equipados precisamente com a “autorização Q”, aquela que permitiria o acesso à informação ultra secreta relacionada com a segurança nacional, divulgada para avisar a humanidade sobre a situação do mundo real.

Deste nome coletivo Q sairiam os chamados QAnon, que já tem muitos seguidores, e os outros protagonistas do que são, na realidade, os “embustes” revolucionários que têm ocorrido nos últimos anos. Inclusive a atual da pandemia, oportunidade oferecida aos “apóstolos da verdade, os fundamentalistas”, de falarem sobre “a morte, o juízo, o castigo, elevando ao céu os olhos dos condenados da terra”.

Era preciso detê-los, desqualificando sua confiabilidade: “Imediatamente entendemos que o vírus teria favorecido o desenvolvimento de narrativas tóxicas, funcionais, para passar soluções autoritárias”, escreve. Por isso “decidimos construir uma macro mentira, na qual se reconheciam a si próprios e que poderia ser desmascarada mais facilmente do que as suas mentiras individuais”. Qual delas?

“Era preciso um ‘Plano’ para uma conspiração imensa, uma teoria da conspiração, como aquela com que se embalam os nossos inimigos”. Tarefa nada difícil de realizar: “Alguns deles não só tomaram isso por certo, mas se convenceram de que já faziam isso”, gerando “psiconeurose e ansiedade coletiva”.

A palavra de ordem que decidimos fazer circular era que “o vírus não existia”, teria sido uma enorme “ficção instrumentalizada pelo biopoder para controlar a população”. Por isso “os sentimentos de frustração e ressentimento que se acumulavam, tornavam plausível o conto de fadas”, entre vacinações em massa e teorias dos microchips subcutâneos.

Mas, quando tudo parece se cumprir, aí vem mais uma reviravolta, revelada pelo autor desconhecido: “Tenho presságios sinistros. Minhas noites não são tranquilas. São os demônios que invocamos e que já não podemos controlar, os demônios do caos e da revolução, que agora estão fora de controle. Para exorcizar esses demônios, tenho que desvendar o Plano, embora saiba que essa revelação é suicídio. Mas é só na morte que a Revolução se realiza”.

No Epílogo, o Prof. Roberto de Mattei fornece chaves para interpretar o desconcertante escrito publicado: “Jesus Cristo é o único Caminho, estreito, mas seguro, que conduz à Vida, enquanto muitos caminhos e atalhos conduzem ao horrível precipício da morte”, diz ele. “Há muitos caminhos do erro, mas apenas um é a Verdade. Deus é a Verdade absoluta, imutável, eterna, causa suprema de todas as outras verdades”. A conclusão, a pedra angular, foi então colocada na contracapa: “Quando tudo é falso e nada mais é verdade, chega o tempo da Verdade”.

Será esta, então, a hora?

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Fonte: Corrispondenza romana

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