Edward Pentin: Francisco pode ser sucedido por um Papa de doutrina mais correta

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Edward Pentin, autor do famoso livro “O Próximo Papa” (The Next Pope), avalia o perfil dos possíveis sucessores de Francisco I   

O Portal Brasil Livre apresenta um excerto da entrevista exclusiva publicada pelo blog português Dies Iræ, realizada com o vaticanista Edward Pentin, autor do famoso livro The Next Pope, que avalia o perfil dos possíveis sucessores de Francisco I. A tradução das respostas é da autoria de Luís Ferrand d’Almeida. Sugerimos que os leitores interessados procurem o texto integral.

Em síntese, Edward Pentin, tendo acabado de concluir um curso de jornalismo e com licenciaturas em Relações Internacionais e Teologia, foi a Roma onde trabalhou durante dois anos na Rádio Vaticano. É um dos poucos correspondentes de língua inglesa junto do Vaticano. Converteu-se à fé católica em 1998.

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O Sr. escreveu, no ano passado, um volumoso livro, The Next Pope, no qual lista os mais poderosos nomes a ocupar o Sólio Pontifício. Como observador atento da cena romana, esta lista continua atual ou acrescentaria algum outro depois do último Consistório?

Não acredito que nenhum dos novos cardeais nomeados no Consistório do Outono passado seja já papabile, em parte porque não têm tempo suficiente no cargo, mas também porque, penso eu, nenhum deles deu provas de capacidade para ser Papa. É ainda demasiado cedo para dizer. No entanto, gostaria de oferecer uma edição atualizada com alguns novos candidatos, já que um bom número dos cardeais no livro chegará em breve aos 80 anos, sendo pouco provável que venha a ser eleito.  

Um dos aspectos mais salientes do Pontificado atual tem sido o das suas nomeações que, para alguns vaticanistas, representa uma autêntica Revolução. Parece ser desejo claro e inequívoco do Papa Francisco garantir o seu sucessor, contra ventos e marés, com essas nomeações. Que comentário deixaria para os leitores do portal Dies Iræ sobre o tema?  

Dizem que para avaliar corretamente o carácter de uma pessoa, deve olhar-se para quem anda com ela. Assim também, quando se trata de avaliar um pontificado, especialmente o do Papa Francisco, deve-se olhar para as suas nomeações. Francisco é enigmático, provavelmente de forma deliberada, e dá sinais mistos e contraditórios em quase todas as ações ou pronunciamentos. Faz parte da sua abordagem peronista da governança. Mas as suas nomeações são claras: ele quer que alguém continue a sua revolução de forma furtiva, escolhendo cardeais e bispos (não todos, de forma alguma) que provavelmente continuarão a liderar a Igreja ao longo desse caminho.

Um favorito particular para ser seu sucessor é o Cardeal Luis Antonio Tagle, o Prefeito filipino da Propaganda Fidei, a quem Francisco elevou à “pole position”. Mas também há outros na corrida, tais como o Cardeal Matteo Zuppi, de Bolonha, que conduziria a Igreja muito na linha de Francisco.

No entanto, a consecução do seu desejo depende de uma série de fatores, nomeadamente do grau de apoio que julga obter dos cardeais que escolheu. No meu entender, não é necessariamente esse o caso. Sabendo que os pontificados liberais tendem a voltar para um Papa mais conservador, e vice-versa, poderíamos muito bem estar perante a possibilidade de ver Francisco sucedido por um Papa mais ortodoxo no próximo Conclave.                

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Fonte: Portal Dies Iræ

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