“Educar é acreditar na capacidade do aluno de promover seu crescimento”, diz diretor do Colégio Militar de Joinville em entrevista exclusiva

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Alunos do Colégio Militar Feliciano Nunes Pires posicionados para cantar o hino nacional no ginásio

O diretor fala sobre a importância da disciplina, rotina, valores, resultados e outros diferenciais de um Colégio Militar

Atualmente duzentos alunos estão matriculados no Colégio Militar Feliciano Nunes Pires, distribuídos entre o sexto até o oitavo ano do fundamental. O Colégio divide a estrutura física com a Escola Osvaldo Aranha, localizada no bairro Glória, em Joinville.

Os alunos do Colégio Militar estudam no período da tarde – o período matutino é reservado à estudantes do Osvaldo Aranha. A grade curricular é a mesma de um colégio tradicional, contando com mais três disciplinas: filosofia, religião e IGPM (Instruções Gerais da Polícia Militar).

Em entrevista exclusiva, o tenente-coronel José Luís Cavassin explica como funciona um colégio da Polícia Militar, bem como os valores que se busca propagar neste ambiente. De acordo com o diretor, é perceptível mudanças depois que os alunos ingressam na unidade escolar. O tenente-coronel também relata sua experiência na educação e Polícia Militar.

1) Cite as diferenças de um Colégio Militar em comparação com outros Colégios (privados e público)?

“Eu costumo falar assim […] nós não somos melhores nem piores que ninguém. Nós temos um método que no estado de Santa Catarina já é empregado há 35 anos. A gente parte de um método que estabelece rotinas padronizadas para os alunos. Eles têm horários para se apresentarem no colégio, tem fardamento para se apresentarem em cada tipo de atividade. Essa rotina e essa disciplina empregada são os principais diferenciais de um Colégio Militar”

2) Quais valores o Colégio Militar visa propagar e incutir em seus alunos?

“Disciplina e senso de responsabilidade. Primeiro os meus deveres depois os meus direitos, primeiro as obrigações depois o meu lazer. Respeito à autoridade, aos mais velhos, aos professores. Importância do patriotismo, dos símbolos nacionais. Estas palavras resumiriam a essência do Colégio Militar”

3) O senhor observa mudanças nos alunos que ingressam no Colégio Militar?

“Um mês depois do ingresso já estão diferentes. Um aluno do oitavo ano já tem outra postura, não só pela idade, mas pela convivência com o ambiente. É evidente e perceptível a mudança. Quando a família é bem estruturada o aluno se adapta melhor ao colégio. Quando a família ajuda, apoia, acompanha, os resultados são sempre melhores.”

4) O que define a educação militar em poucas palavras?

“Disciplina e Resultado”

5) Para o senhor o que é educar?

“Educar é acreditar na capacidade do aluno de se desenvolver e aprender. É acreditar nele. Se não acreditar, se tratá-lo como um coitado, ele não vai crescer. É acreditar na capacidade do aluno de promover o seu crescimento”.

6) Qual a experiência do senhor no âmbito da educação militar?

“Um tenente-coronel da Polícia Militar é um profissional que tem mais de 20 anos de serviço. E os oficiais da Polícia Militar trabalham com instrução desde a época de formação. Eu dei instrução de primeiros socorros, instrução de tiros, trabalhei em viaturas, passei por todas essas etapas da Polícia Militar. Sou formado em Direito, eu tenho pós-graduação em Segurança Pública, Direito Penal e, atualmente, faço faculdade de Educação Física”.

“Os diretores dos Colégios Militares do Estado são indicados pela Polícia Militar. A gente tem uma diretoria de instrução e ensino […], essa Diretoria é aquela que estabelece as regras de ensino dentro da Polícia Militar, tanto para os Colégios Policiais Militares como para os nossos policiais em geral – desde a instrução de tiro até a instrução de Direitos Humanos. É essa Diretoria que manda as normas gerais para o funcionamento dos colégios. Tanto é que os Colégios são muito semelhantes na sua formação. Então quando é feita a troca de direção, quem avalia pelo currículo do profissional é a Diretoria de instrução de ensino, pelo perfil técnico e pelo histórico do profissional”.

7) Qual o impacto dos Colégios Militares no sistema educacional brasileiro?

“É difícil avaliar uma projeção. No Estado são cinco colégios. Tem Estado que tem mais de 40 Colégios Militares. Do que eu conheço dessas unidades de Santa Catarina é que os alunos que se formam, em sua grande maioria, tem grande projeção profissional e social. Temos alunos formados que são oficiais da polícia e em todas as áreas. O resultado é de grande sucesso. Os nossos estudantes tiveram um dos melhores resultados nas olímpiadas de matemática, por exemplo. Três dos nossos alunos foram premiados. Não é melhor nem pior, é diferente [referindo-se a educação do Colégio Militar]. E quando a gente tem que analisar um Colégio, tem que analisar o resultado. Os melhores serão aprovados, seja em um concurso técnico ou uma faculdade. Mesmo que queiram fazer um curso técnico ou ter outra profissão, o conhecimento adquirido se leva para a vida toda. Aqui o nosso aluno reprova, o nosso aluno não passa no conselho de classe”

8) E na cidade de Joinville, especificamente, qual o efeito que se espera de um Colégio Militar que está se expandindo?

“Primeiro efeito que se espera é um cidadão diferenciado. Que tenha alto nível de competitividade quando precisar utilizar esse conhecimento que ele adquiriu aqui”.

9) O que levou o presidente Jair Bolsonaro e o atual ministro da Educação, Abraham  Weintraub, a incentivarem a criação de novos Colégios Militares no Brasil?

“Os resultados avançados a nível de Brasil. O outro modelo está desgastado e não tem surtido muito resultado”

10) Qual é a tendência [o que se espera] dos Colégios Militares no Brasil nos próximos anos?

“A tendência nacional é aumentar o número de Colégios Militares. O nosso Colégio faz educação pública, com os princípios norteados pelo MEC, como qualquer outra escola. O que a gente desenvolve a mais, é a disciplina, senso de respeito à autoridade, aqueles valores que a gente vai além. O nosso aluno não é formado para ser um policial, médico etc, ele é formado para ter uma educação básica de qualidade”

11) Quantos Colégios Militares temos hoje no Brasil?

“Em números é difícil falar, mas quero esclarecer algumas coisas. Tem Colégios Militares e os Colégios Cívico-Militares. No Colégio Militar, que eu faço parte, o diretor tem gestão da parte pedagógica e ele tem gestão da parte disciplinar. Já no Cívico-Militar, que o Estado de Santa Catarina quer implantar, não é um colégio da Polícia Militar. Eles vão colocar 10 policiais militares para fazer a gestão da rotina de pátio, mas esses policiais não tem nenhuma ingerência dentro do setor pedagógico. São coisas bem diferentes”.

12) Como estavam os Colégios Militares no governo Dilma e agora no governo Bolsonaro, há diferenças, quais?

“Colégio Militar é um colégio bastante tradicional. Pode mudar o governo, mas o Colégio continua o mesmo. O que eu acho que é que o Governo Federal [referindo-se ao atual] pode ter impulsionado, aumentando o incentivo para que surgissem novos colégios. Se eu te disser que senti alguma diferenciação na rotina interna do colégio, eu não senti de forma nenhuma [referindo-se a troca de governo]”.

Alguns profissionais que trabalham no Colégio Militar Feliciano Nunes Pires, juntamente com o diretor, tenente-coronel José Luís Cavassin

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