Dragão com pés de barro em face de gigantes sem caráter

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O governo chinês prossegue com sua vontade de hegemonia planetária visando de imediato os países mais debilitados de todos os continentes

Em mercados nauseabundos e laboratórios mal controlados, a China irradiou o coronavírus que faz imensos estragos no mundo ocidental. Mas o vitimado reage molemente, escreveram no “Le Figaro” Jean-Philippe Delsol e Nicolas Lecaussin, presidente e diretor respectivamente do IREF (Institut de Recherches Economiques et Fiscales).

Malgrado tudo o que já foi denunciado, o governo chinês prossegue com sua vontade de hegemonia planetária visando de imediato os países mais debilitados de todos os continentes, continuam.

Tampouco diminui o roubo sistemático da propriedade intelectual, via contrafação, que só aos EUA atinge entre 225 e 600 bilhões de dólares. A mentira não os incomoda e o vírus que espalharam parece lhes sorrir.

Xi Jinping de início prometeu dar um “papel decisivo” ao mercado e restabelecer o Estado de Direito. Mas, escrevem ironicamente os autores, as promessas só obrigam aos que acreditam nelas.

Como em autentico regime comunista, Xi Jinping já se proclamou ditador perpétuo; ninguém ousa respirar fora do ritmo do Partido; internet está censurada; as estatísticas de imensa máquina burocrática são falsas; as grandes empresas ‘privadas’ são dirigidas por membros da nomenklatura; os grandes donos das maiores empresas são feitos desaparecer com sofismas diversos; as firmas dependem do dinheiro público e do arbítrio das autoridades locais do Partido Comunista; as empresas estrangeiras são acolhidas para lhes pilhar sua tecnologia.

Não é só a economia, mas a sociedade toda que está sob controle absoluto.

O pensamento único reina; os sacerdotes independentes acabam no cárcere; os jornalistas e advogados livres vão, na melhor das hipóteses, a prisão domiciliar, ou na pior aos campos de concentração.

Só em 2019 foram encarcerados mais de 10.000 crentes, na maioria cristãos. Minorias étnicas como os uigures e tibetanos devem migrar, são encerradas em campos ou são massacradas. As universidades devem ensinar marxismo e Hong Kong deve afundar na tirania.

A China é ainda uma ditadura comunista face à qual a Europa exibe uma diplomacia pusilânime enquanto Hong Kong é invadido.

A China só é forte pela debilidade do mundo, especialmente da Europa, dizem os autores.

Mas, em verdade, ela é um gigante com os pés de barro sobre o pedestal de um Estado e de um Partido igualitário que esmagam um povo pisado por milênios de paganismo.

A própria corrupção emana de uma luta de clãs que quer as rendas da tirania política e administrativa.

A casta comunista oprime a sociedade como o mestre aos escravos. As recompensas são distribuídas na base do servilismo.

A Europa deveria se defender da avançada ideológica pequinesa, mas os dirigentes de Bruxelas se consolam condenando simbolicamente a violação de todos os direitos, e não tiram as consequências.

François Heisbourg escreveu  “A Era dos depredadores” (Le Temps des prédateurs”, Odile Jacob) para analisar a projeção econômica, ideológica e política da China especialmente sua tendência ao expansionismo mundial no pós-covid.

O autor concedeu entrevista a “Le Figaro” sublinhando a extremada matreirice chinesa na hora de gerir as crises.

É uma “diplomacia da enganação”. Ela empresta aos países quebrados, inclusive às piores ditaduras. E depois cobra os empréstimos de modo predatório.

Ela é um mercado fechado a ponto da embaixada chinesa nos insultar na sua conta do Twitter na França. Mas nós não podemos responder porque Twitter, Google e Facebook estão proibidos, como na Rússia.

A China se fecha, mas aproveita a abertura dos outros. Os institutos culturais que abre as dúzias no Ocidente com a fachada de Confúcio são centros de difusão do marxismo.

A China pratica a depredação comercial notadamente contra os EUA e também contra os europeus. A violação da propriedade intelectual é unilateral, mas Ocidente nem pensa numa reação à altura.

Heisbourg resume seu livro dizendo que “a China é uma predadora e a Europa é sua presa”.

Para o autor, o nacionalismo vermelho chinês está crescendo e ali está o risco real.

Após a tomada de Hong Kong, o próximo passo será Taiwan e o Mar do Sul da China por onde circula a metade do comércio marítimo mundial.

Ali um erro de cálculo pode nos levar a conflitos localizados que abalem o mundo.

Fonte: opesadelochinesblogspot

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