Disney ameaça se retirar da Geórgia por causa de lei pró-vida e filma ‘Mulan’ na região onde uigures chineses são torturados

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NG HAN GUAN / AFP via Getty Images.

Ações da empresa enfrentam críticas

A Disney está enfrentando críticas por filmar em Xinjiang, região da China onde os uigures são presos e torturados, cerca de um ano depois que o CEO, Bob Iger, sugeriu que a empresa poderia cortar relações com a Geórgia depois que o estado aprovou uma lei anti-aborto.

Nos créditos pela versão live-action de “Mulan”, a Disney agradeceu à agência chinesa chamada Turpan Municipal Bureau of Public Safety, que é supostamente responsável por administrar campos de internação que abrigam indivíduos de grupos minoritários muçulmanos do país, informou a BBC na segunda-feira (7).  

Iger disse à Reuters em maio de 2019 que seria “muito difícil” fazer negócios no estado da Geórgia depois que o governador republicano Brian Kemp assinou uma lei proibindo o aborto caso um médico puder detectar o batimento cardíaco fetal. A Disney fez vários filmes no estado, incluindo “Black Panther” e “Avengers: Endgame”. A lei entrou em vigor em janeiro de 2020.

A Geórgia oferece aos estúdios cinematográficos créditos fiscais e a indústria cinematográfica é responsável pela criação de mais de 92.000 empregos no estado, de acordo com a Motion Picture Association of America. Mais de 450 produções foram rodadas na Geórgia em 2018, informou a Reuters, citando dados do estado.

“Duvido que o faremos”, disse Iger durante uma entrevista em 2019, referindo-se à possibilidade de a empresa permanecer na Geórgia. “Acho que muitas pessoas que trabalham para nós não vão querer trabalhar lá e teremos que atender a seus desejos a esse respeito. No momento, estamos observando com muito cuidado. ”

Ele acrescentou: “Não vejo como será prático continuarmos a filmar lá” se a lei entrar em vigor.

O colunista do Washington Post, Isaac Stone Fish, criticou a Disney em uma coluna: Por que a Disney precisava trabalhar em Xinjiang? Não precisou. Há muitas outras regiões na China, e países ao redor do mundo, que oferecem a belíssima paisagem de montanha presente no filme. Mas ao fazer isso, a Disney ajuda a normalizar um crime contra a humanidade”, disse ele.

“Enquanto o PCCh está cometendo crimes contra a humanidade em Xinjiang, a @Disney agradeceu a quatro departamentos de propaganda que estão mentindo para o mundo sobre esses crimes”, escreveu o deputado republicano Mike Gallagher, de Wisconsin, em um tweet na terça-feira (8), referindo-se ao Partido Comunista Chinês.

Numerosos relatórios mostraram uigures sendo mantidos em campos de concentração e submetidos à esterilização forçada. As autoridades chinesas negam qualquer delito em Xinjiang e alegaram em um comunicado de abril que não há “detenção de um milhão de muçulmanos de Xinjiang”.

O governo chinês está trabalhando para reduzir as taxas de natalidade dos uigures e, ao mesmo tempo, encorajar outras populações nativas a ter mais filhos, revelou uma investigação da Associated Press publicada em junho. O estudo foi baseado em entrevistas com ex-detidos, familiares e um ex-instrutor de campo de detenção, bem como estatísticas e documentos do governo, disse a AP.

Enquanto isso, a Disney abriu um resort de entretenimento de 5,5 bilhões de dólares em Xangai, China, em 2016. Segundo a Variety. Iger, Xangai foi “a maior oportunidade da empresa desde que comprou um terreno na Flórida”.

A Disney fez uma parceria com uma empresa estatal, Shanghai Shendi Group, para o resort.

Senador americano exige retirada do filme “Mulan”

Josh Hawley, senador americano, está exigindo que a Walt Disney Co. responda pela colaboração dada às autoridades chinesas em Xinjiang durante a produção de Mulan. Segundo o senador, o estúdio está “encobrindo o genocídio” em parceria com a polícia chinesa.

Em uma carta tornada pública na quarta-feira (09), Hawley pede à Disney que retire o filme de seu serviço de streaming Disney + para evitar a “glorificação adicional” dos abusos dos direitos humanos na província da China.

Ele acusa o estúdio de cruzar a linha da “complacência para a cumplicidade” ao trabalhar com autoridades da cidade de Turpan e com armas de propaganda do Partido Comunista Chinês. “Sua decisão de colocar o lucro acima do princípio, de não apenas ignorar o genocídio do PCCh e outras atrocidades, mas de ajudá-los e incitá-los, é uma afronta aos valores americanos”, escreve Hawley.

Hawley escreve que os departamentos de publicidade do PCCh estão “encarregados de espalhar desinformação sobre as atrocidades em Xinjiang para proteger Pequim da responsabilidade”.

Em sua carta, Hawley faz nove perguntas à Disney sobre a produção de Mulan e a colaboração do estúdio com a polícia secreta chinesa durante as filmagens. O senador dá à Disney até 30 de setembro para fornecer respostas.

1-) A Disney cortará seu relacionamento com o Partido Comunista Chinês em resposta aos abusos do partido em Xinjiang, Hong Kong e em outros lugares?

2-) A Disney retirará Mulan da Disney + para evitar qualquer glorificação adicional de Xinjiang ou validação dos oficiais do Partido Comunista Chinês e agências responsáveis ​​pelas atrocidades naquela província?

3-) A Disney doará parte dos lucros obtidos com Mulan para organizações não governamentais dedicadas ao combate ao tráfico de pessoas e outras atrocidades em curso em Xinjiang?

Com informações: Dailycaller e Estudos Nacionais

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