Direita volta a participar do governo na Itália

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Sergio Mattarella (à esq.), durante reunião com Mario Draghi no Palácio do Quirinal,(Foto: QUIRINAL PALACE PRESS OFFICE HAN / EFE).

A Liga anuncia: “Precisamos mostrar às pessoas que temos as melhores respostas”

A Itália agora é governada por uma grande coalizão sob o comando de Mario Draghi, incluindo a Liga Norte de Matteo Salvini e a Forza Italia de Silvio Berlusconi. Enquanto a imprensa alemã ridicularizou Matteo Salvini como um “oportunista”, na Itália a Liga é muito respeitada pela sua vontade de assumir responsabilidades. O porta-voz internacional da Liga Jovem, Davide Quadri, faz a seguir uma análise da atual situação política italiana.

Por Davide Quadri

2021 começou com uma série de acontecimentos e decisões políticas que levaram a uma mudança radical no governo italiano. Tudo começou quando dois ministros da Italia Viva, o pequeno partido de esquerda do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, anunciaram sua demissão. Isso significava que o governo Conte perdia a maioria no parlamento que sustentava sua coalizão com o Movimento 5 Estrelas.

O primeiro-ministro Conte sobreviveu a um voto de desconfiança no Senado com uma maioria tão reduzida que ficou claro que seu governo não poderia prosseguir. Giuseppe Conte anunciou sua renúncia. O presidente italiano Sergio Matarella instruiu então o presidente da Segunda Câmara, Roberto Fico, a refazer a maioria da antiga coalizão, mas isto, entretanto, não se concretizou.

Muitos italianos ficaram surpresos com o fato de os partidos que estavam no governo não conseguirem chegar a um acordo sobre um terceiro governo de Giuseppe Conte.

Conforme estabelece a constituição italiana, entrou em cena o presidente Matarella, que se reuniu com todos os partidos políticos. Os partidos de centro-direita convocaram novas eleições. No entanto, Matarella queria evitar novas eleições nas quais os partidos de centro-direita provavelmente ganhariam. Sob o pretexto da pandemia, encarregou o antigo presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, de formar um novo governo.

Como primeiro-ministro designado, Draghi consultou todos os partidos para formar uma grande coalizão de “unidade nacional”. O único partido que se opôs foi o direitista Fratelli d’Italia de Georgia Meloni.

Enquanto a imprensa alemã zombava do fato de que o eurocético Matteo Salvini participava de um governo de unidade nacional, a imprensa italiana via isto como um sinal de responsabilidade e maturidade por parte da Liga.

A participação na grande coalizão formada para governar a Itália poderia, assim, fortalecer a reputação da Liga de contribuir para a solução de problemas e ajudar o povo. Também poderia servir de exemplo para outros partidos patrióticos e reforçar a capacidade da Liga de se engajar no diálogo internacional.

Em 12 de fevereiro Draghi apresentou a lista de indicações para os cargos ministeriais que manteve em segredo até aquele momento. No dia seguinte, o gabinete foi empossado.

A Liga e a Forza Italia receberam três pastas ministeriais, os sociais-democratas (PD) também três, o Movimento 5 Estrelas quatro, a Italia Viva e Liberi Uguali um cada. Além disso, vários especialistas não partidários serão ministros.

A Liga recebeu três ministérios que sempre foram estimados pelo partido: Giancarlo Giorgetti tornou-se ministro da Economia, Massimo Garavaglia passou a ser ministro do Turismo e Erika Stefani veio a ser ministra para Pessoas com Deficiência.

O mais importante é colocar a Itália em pé novamente com este governo de unidade nacional.

Para a Liga foi uma decisão corajosa de Matteo Salvini, que dará ao novo governo italiano um forte sabor de centro-direita e equilibrará a influência dos sociais-democratas e das 5 Estrelas no governo Draghi. Os partidos de centro-direita Lega, Forza Italia e Fratelli d’Italia já governam atualmente em 14 das 20 regiões italianas.

Teria sido ainda melhor se todos os partidos de centro-direita tivessem aderido ao governo. Este governo é inerentemente bipartidário, especialmente no que diz respeito ao lockdown, imigração ilegal e integração na UE, por isso é importante que uma Liga forte  se sente à mesa no governo e tenha uma palavra a dizer na hora da tomada de decisões.

Em um momento de tantos desafios, é muito importante que os partidos de centro-direita patrióticos provem que são capazes de arcar com a responsabilidade governamental e não permaneçam em uma posição de recusa rígida, mas mostrem às pessoas que eles têm as melhores soluções para os problemas e que realmente podem ajudar o povo.

Processo contra Matteo Salvini

Foi aberto um processo penal preliminar que decidirá se o senador Matteo Salvini se tornará réu, acusado por sequestro de pessoas.

Prestaram depoimento (19/2) como testemunhas os atuais ministros do Interior, Luciana Lamorgese, e das Relações Exteriores, Luigi Di Maio.

O caso diz respeito a uma ordem de Salvini, quando era ministro do Interior, que impedia o desembarque de 131 imigrantes salvos pelo navio Gregoretti, da Guarda Costeira italiana, em julho de 2019. Ficaram impedidos de sair do navio até que Roma fechasse um acordo de acolhimento com outros países da União Europeia. Salvini argumenta que a decisão de impedir o desembarque dos imigrantes foi tomada por todo o governo, e não apenas por ele, que era o responsável pelas políticas migratórias da Itália na ocasião.

O caso põe à prova a estabilidade do novo governo italiano. Vamos aguardar os próximos acontecimentos.

Fontes: Freiewelt e Terra

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