Covid-19 e a mentalidade medíocre do homem moderno

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A pandemia do Coronavírus gerou grande preocupação em todo o mundo, obrigou governos e instituições a adotarem medidas drásticas para barrar o seu avanço. A mobilização internacional cerrou fronteiras, restringiu a livre circulação de pessoas, além de fechar comércios e igrejas. Transformou muitas cidades, por exemplo na Itália, em cidades fantasmas.

Evidentemente é necessário conter essa crise. Contudo, tais medidas despertam algumas reflexões acerca da hierarquia de valores hoje vigente na mentalidade das pessoas. De fato, a pandemia mobilizou rapidamente todo o mundo para um trabalho coletivo de contenção do vírus. Em poucos dias todas as mídias já alertavam sobre o risco iminente de uma catástrofe mundial – algumas notícias alarmistas também ajudaram a compor este cenário. Todos logo ficaram conscientes do que era o Coronavírus e das medidas adotadas para detê-lo. Uma impressionante mobilização informou, conscientizou e preparou rapidamente as pessoas para enfrentarem o perigo.

Será que se lembraram do aviso evangélico “Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na Geena” (Mt 10, 28)?

É gritante a inversão na hierarquia de valores que marca a mentalidade do homem contemporâneo. Em uma semana montou-se uma grande força-tarefa em todo o mundo para conter o vírus biológico, ao passo que há séculos pouco se faz para conter o vírus espiritual que infecta e que mata a vida da alma. Pouco se faz para conter o vírus do pecado que corrompe a alma e destrói o corpo. Pouco ou nada se faz para conter o parasita alojado no interior da Igreja e que suga o vigor da fé nos fiéis. Ah, insensatez humana, que peleia contra o inimigo do corpo e vira as costas para o inimigo da alma, o pior perigo!

Como seria diferente se o homem contemporâneo atendesse aos apelos que Nossa Senhora fez em Fátima! Como seria melhor se obedecesse prontamente aos ensinamentos da Santa Mãe Igreja! Como seria oportuno e salutar se tivesse uma postura cristã diante da tragédia do coronavírus!

Os recentes acontecimentos demonstram claramente que é possível mudar radicalmente os hábitos das pessoas em vista do bem comum da sociedade. E se esse bem fosse o maior dos bens, a salvação das almas? O problema é que a Revolução, de que fala Plinio Corrêa de Oliveira em seu ensaio “Revolução e Contra-Revolução”, causou tal dano ao homem, que ele está reduzido quase a instintos puramente animais, isto é, busca apenas o seu bem-estar e o prazer imediato.

Um pequeno gesto de humanidade, o ápice de bondade no homem contemporâneo, é visto frente a uma grande catástrofe que choca e causa comoção popular. Nesse contexto o homem moderno até deixa de pensar em seu próprio bem-estar e, por algumas semanas ou dias, pensa no de seu próximo, como no caso das medidas contra o Coronavírus. Mas esse bem-estar é um bem puramente terreno e material.

A recente determinação de se fecharem as igrejas para as celebrações públicas, evidencia o cuidado dos governantes com o bem-estar das pessoas. A medida, ao mesmo tempo em que visa evitar o contágio do COVID-19, justamente numa ocasião de grande calamidade pública, impede os fiéis de terem acesso aos remédios para a alma. Tomam-se mil cuidados com a saúde humana. O cuidado da alma, como fica?

O leitor atento deve ter notado que neste artigo me referi à mentalidade contemporânea. Apresento agora o contraste dela com a mentalidade do homem medieval. Diante de uma epidemia muito pior que a de hoje, isto é, a da peste negra, pois se calcula que ceifou a vida de no mínimo 75 milhões de pessoas, não se fecharam as portas das igrejas para as celebrações públicas. Não foi impedido o livre acesso dos fiéis aos Sacramentos.  Pelo contrário, bispos e padres foram até o povo enfermo, não temeram o contágio, impregnaram-se do “cheiro de suas ovelhas” e ministraram os remédios espirituais que as almas mais precisavam. Tal demonstração de fé, dos pastores e do rebanho, gerou grandes santos para a Igreja.

Os tempos de pandemia reclamam urgentes e proporcionadas medidas sanitárias. Como seria oportuno e salutar se hoje se repetisse o zelo cristão pela cura das almas como houve outrora!

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