Coronavírus e a missão da Igreja face às epidemias

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Anthony Kwan/Getty Images

A triste realidade da eminência de uma epidemia a partir de Wuhan está à face de todos. E já temos casos isolados em vários países

Nossas considerações não visam sensacionalismo. Mostrando a gravidade do perigo queremos lembrar como a Igreja — que criou os hospitais e produziu inúmeras congregações voltadas ao bem do próximo — é a mais poderosa força de esperança, de resignação e a Porta da Salvação Eterna.

“Atenção a todos os moradores! Aviso oficial! Tenha em mente que, se recentemente você viajou ou hospedou amigos, deve informar o seu comitê de bairro! Controlem suas temperaturas corporais durante duas semanas, e se tiverem febre e tosse seca dirijam-se a um hospital!”, Noticiou o elpais no dia 28 de janeiro.

Uma mensagem bairro a bairro rua a rua, casa a casa – em toda a China

“Com algumas variações, esta é a mensagem que se repete bairro a bairro, rua a rua, casa a casa por toda a China, distribuída aos gritos por alto-falantes, pessoalmente em visitas individuais, ou lida em cartazes grudados nas portas das casas.

A extensão do perigo

Segundo elpais, 28 de janeiro, “O coronavírus de Wuhan já matou pelo menos 106 pessoas e contaminou mais de 4.515, e se prevê que o número ainda cresça muito mais. Com quase 7.000 casos suspeitos e 45.000 pessoas em observação, uma das prioridades das autoridades chinesas é localizar possíveis portadores para evitar a proliferação dos contágios. Sobretudo, os cinco milhões de residentes (de um total de 11 milhões) que, conforme admitiu o prefeito dessa cidade, Zhou Xianwang, saíram de Wuhan antes da imposição, na quarta-feira passada, de uma quarentena geral nessa metrópole industrial da China central, epicentro da epidemia.

“Nos últimos dias, ser natural de Wuhan — ou simplesmente de Hubei, a província à qual ela pertence, e onde outros 15 municípios também estão sob isolamento — não é um bom cartão de visitas. Em Pequim, a Comissão Nacional de Saúde pediu aos deslocados de Hubei que se registrem nos comitês de bairro, como insistem os avisos. E que se tranquem em isolamento domiciliar durante duas semanas, o tempo máximo de incubação da doença”.

Mais uma “Gripe Aviária”, “Suína” ou “Vaca Louca”?

De tempos em tempos, avisos “apocalípticos” como esses são lançados e, depois, desaparecem no exagero que criaram.

Diante de um perigo de contágio, é preciso ter prudência e evitar todos os riscos, mas também é preciso não criar uma situação em que, cada vez mais, as pessoas começam a desconfiar dessas “correntes de medo” e a já não mais acreditar em avisos desse tipo.

Essa “epidemia” de “descrédito” talvez seja a mais grave que estamos enfrentando atualmente. Ela pode tornar ineficaz qualquer aviso das autoridades públicas quando surgir um caso verdadeiramente apocalíptico.

A Igreja acolhia os doentes e protegia as pessoas sadias

Como se sabe, os hospitais têm sua origem na ação da Igreja. Condoída pelas dores do próximo, a Igreja se desdobrou em fundar hospitais. Ela criou um verdadeiro “batalhão” de religiosos (freiras, padres, leigos) para cuidar dos enfermos.

A doença é consequência do pecado original e a caridade cristã se desdobra em aliviar as dores do próximo.

Vejamos, agora, como a Igreja tratava uma doença altamente contagiosa, como a Lepra, por exemplo, que não tinha cura.

Ela mostrava, ao leproso, que ele precisava sair do convívio social e ir ao leprosário. Mas fazia isso com a doçura da mãe que acolhe em seus braços os filhos doentes. Ela não apenas trata suas doenças e limpas suas feridas, mas o faz através das mãos das freiras e dos religiosos que deixaram tudo para servir ao próximo. Ao mesmo tempo, era firme em ensinar que é pecado contagiar voluntária e conscientemente outros homens.

Há certas situações em que somente a Igreja tem a solução adequada

“Administrador fiel e sábio, colecionava para eles víveres e roupas. Fez mesmo construir casas para os leprosos, às ocultas e como se fossem construídas por outros, para que essa boa obra não fosse atribuída a ele.” (Santo Odilon)

“Uma santa proeza como essa foi a do Padre Damião, que decidiu fazer apostolado com os leprosos na ilha de Molocai (Havaí) e tornou-se leproso”.

“A Igreja protege os homens sãos com essa severidade (do leproso sair do convívio social). Agora os Srs. vão ver a Igreja como é mãe: Ela inspira os homens sãos, que vão aos leprosários tratar dos leprosos e ali Ela organiza esses leprosários. Ela cuida dos leprosos, ela os ampara, os protege, ela os cura”.

A ação do Estado, porque laicista ou comunista, não é suficiente para mover os corações

O Estado tem seu aparato próprio, suas leis, seu poder até de exceção para ocasiões especiais, como essa de Wuhan.

A China cria hospitais de emergência, emite avisos de porta a porta, intima os cidadãos a se cadastrarem nos comitês de bairro. Até lá pode chegar a ação do Estado (laico ou comunista).

Quanto gostaríamos de ver a Igreja na China (que vive sob o látego de Xi Jinping) aconselhar a população a seguir todas as precauções da medicina, e ao mesmo tempo, ter uma conduta moral tão estrita de que contaminar consciente e voluntariamente outrem é contra a Lei Natural, contraria aos Mandamentos, é pecar contra Deus e contra o próximo.

Esse é verdadeiramente o amor ao próximo por amor de Deus

E, por quê não, aproveitar a ocasião para fazer apostolado tendo em vista a salvação eterna de incontáveis almas? Aqui entra de cheio a missão da Igreja, do Vaticano.

Afinal o Acordo Vaticano-Pequim daria ensejo a uma ação apostólica em grande escala na China, abalada pelo coronavirus. Mas, não parece de modo algum ser a intenção de Xi Jinping pedir ajuda espiritual e, infelizmente, da parte do Vaticano, por ora, é silêncio.

Basta recordar: “China amplia a quarentena pelo coronavírus e deixa 41 milhões de pessoas isoladas”.

Abordando aspectos religiosos desse início de epidemia nossa intenção é levar o consolo espiritual e convidar as almas às reflexões mais profundas da existência humana, da salvação eterna.

Longe de nós o sensacionalismo, longe de nós fomentar qualquer ideia de pânico: as verdades eternas são as únicas que satisfazem plenamente a alma humana.

Fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti”. (Santo Agostinho)

Fonte: Ipco.org

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