Comunidades de regressão infantil usam fralda, brinquedo e mamadeira para encontrar conforto

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Os “littles” — como são denominados os adeptos da regressão infantil — têm se organizado em uma comunidade que está repercutindo no Brasil pelo TikTok e no Instagram

Laura Pini, de 19 anos de idade, passou a agir como uma criança para lidar com sentimentos ruins e traumas. Laura, que prefere ser identificado com o pronome masculino, realiza regressões infantis junto de um caregiver, Rodrigo, amigo que conheceu pela internet e que assume a posição de cuidador e auxiliar.

Esta situação, totalmente desvinculada da realidade, pode ser encarada como algo engraçado por algumas pessoas. Outras, de uma geração a mais que Laura Pini, ficaria boquiaberta com tamanha insanidade.

Tais reações, por sua vez, revelam um sério problema: A infiltração do relativismo nas mentes e corações das pessoas, desde a mais tenra infância, está destruindo a sanidade mental das pessoas e da sociedade como um todo.

A reportagem do Tab.Uol, presenciou o episódio de Laura e seu suposto cuidador. Por uma chamada de vídeo, eles viam Laura sobre a cama, de pernas cruzadas, usando um macacão jeans e uma tiara no cabelo. Na boca, revezava três mordedores infantis coloridos, emitia sons guturais e gargalhadas.

Minutos depois, apareceram na tela outros objetos que Laura ia garimpando, na ânsia de distração: mamadeira, urso de pelúcia, boneca, chocalho. Como um bebê, mexia as mãos de forma desengonçada e mantinha os olhos arregalados enquanto explorava os detalhes do que tocava.

Durante mais de uma hora, seu cuidador ficou pouco em silêncio. Mesmo distantes fisicamente — Rodrigo mora no Rio; Laura, em Valinhos (SP) –, o caregiver de 18 anos agia como um pai orgulhoso que ri das traquinagens do filho e não pode desviar a atenção. “Cuidado para não se machucar”; “não bota o mordedor muito fundo senão vai passar mal”; “não pode colocar a boneca na boca, só o tetê”. Laura soltava palavras indistinguíveis quando incentivado. “Consegue falar buraco?” — “o caco”. “Qual música está cantando?” — “vilaéamo”, o que Rodrigo traduziu como Vila Sésamo.

A cena revela dois jovens agindo de modo desconexo com a realidade, que evidentemente precisam de ajuda para recobrarem sua sanidade mental. No entanto, isto não é encarado como um problema a ser tratado, tanto por estes jovens envolvidos nesta situação, quanto por uma parcela da sociedade, em sua grande maioria dentro das universidades, que através de ideologias promovem estilos de vida totalmente contrários à natureza humana.

Segundo os repórteres que presenciaram a cena, havia sinais de que estavam diante de um adulto, que apareciam na destreza ao segurar os objetos; na tatuagem de Hello Kitty na mão de Laura, ou no piercing medusa no lábio superior, que brotava quando a chupeta escorregava.

A chamada chegou ao fim quando os bocejos se tornaram constantes. “Tem certeza de que não está com sono?”, indagou Rodrigo, enquanto Laura balançava a cabeça negando, ao mesmo tempo em que deixava uma fralda de pano passear pelo rosto. Resistiu por pouco tempo. Logo dormiu.

Laura diz que quase sempre termina suas regressões com o caregiver o colocando para dormir — depois de um tempo, acorda e volta para a vida adulta.

Laura montou uma loja online de “conforto sensorial e regressão de idade”, a Crayon Heart. Entre os produtos à venda estão prendedores de chupeta, babadores e cubos sensoriais. Com a ajuda da irmã, produz os “objetos de conforto”, que estimulam a regressão nos praticantes.

Os “littles” — como são denominados os adeptos da regressão infantil — têm se organizado em uma comunidade que está repercutindo no Brasil pelo TikTok e no Instagram.

A promoção desta afronta a própria realidade das coisas é um teste para ver até que ponto as pessoas aceitam viver abrindo mão de sua capacidade racional. Não é de se estranhar que estas comunidades sejam promovidas. Abrir mão da capacidade racional é ser um escravo voluntário de um sistema que diz o que deve ser feito, quando e como. O que importa, como disse Judith Butler em seus escritos, é soltar o leviatã que há dentro de você. A destruição individual e social fica em segundo plano

A reportagem de TAB entrou em um dos ecossistemas da comunidade, um servidor com mais de 800 pessoas no Discord. É como um playground digital, com várias salas virtuais que permitem a interação entre os littles. Há membros entre 10 e 40 anos. A maioria é de adolescentes e eles não se identificam pelo nome. Geralmente, usam um apelido acompanhado das palavras “little” ou “baby”.

Abaixo algumas fotos de alguns adeptos a regressão infantil. A matéria completa pode ser lida aqui.

Fonte: Tab.Uol

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