Cardeal de alto escalão do Vaticano critica polícia por interromper missa

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Cardeal Angelo Becciu

“Nenhuma autoridade está autorizada a interromper a missa”

O cardeal Angelo Becciu, chefe da Congregação para as Causas dos Santos, criticou a polícia italiana por interromper um padre em Soncino (Lombardia) ao oferecer missa com 13 pessoas presentes, em 19 de abril.

“Nenhuma autoridade tem permissão para interromper a missa”, afirmou o cardeal no Twitter.

O tweet do cardeal foi noticiado pela mídia em diferentes idiomas. Becciu lembra no tweet que “o princípio de que nenhuma autoridade pode interromper a missa deve ser defendido. Se o celebrante é culpado de qualquer infração”, continua o cardeal curial, “seja repreendido depois, não durante!”

Como um comentarista diz em resposta a este tweet, o artigo 405 do código penal italiano proíbe qualquer interrupção da Santa Missa. Outras reportagens da mídia sobre o evento na diocese de Cremona também mostram muita simpatia pelo padre Don Lino Viola, que recusou para parar sua missa.

No domingo passado (19), a polícia interrompeu a missa que padre Don estava celebrando, em Soncina, na diocese de Cremona. Um policial interrompeu o padre e indicou que as missas públicas são proibidas. O padre insistiu em continuar sua missa, embora o oficial retornasse com o prefeito local por telefone. O padre simplesmente desligou o telefone e voltou à missa.

Posteriormente, o padre e os fiéis congregantes foram multados: o padre com 680 euros, os fiéis com 280 euros. A diocese de Cremona se distanciou da conduta do padre. Afirmou que “a Diocese de Cremona, embora ciente do sofrimento íntimo e do profundo desconforto de tantos padres e fiéis devido à privação forçada e prolongada da Eucaristia, não pode deixar de enfatizar com pesar que o comportamento do pároco está em contradição com as normas civis e as indicações canônicas que há várias semanas afetam a vida litúrgica e sacramental da Igreja na Itália e de nossa Igreja de Cremona.”

O cardeal Becciu já foi uma das principais figuras do Vaticano. Ele foi, de 2011 a 2018, o substituto para assuntos gerais da Secretaria de Estado, semelhante a um chefe de gabinete.

O arcebispo Carlo Maria Viganò também comentou sobre esse incidente e afirma que “deve ficar claro, especialmente em um país como a Itália que assinou uma Concordata com a Igreja em 1929, que as autoridades eclesiásticas têm o único direitos sobre locais de culto.”

Ele lamenta a resposta da parte da diocese quando acrescenta que “a Santa Sé e o Ordinário local realmente deveriam ter protestado contra tal violação do Tratado de Latrão, que foi confirmado novamente em 1984 e que ainda está em vigor. ”

O próprio Don Viola está pensando em conversar com um advogado sobre se “houve abuso de poder” no seu caso. Alguns comentaristas apontam que a polícia não pode entrar em uma Igreja Católica sem uma emergência séria.

Dom Viola disse aos fiéis que haviam sido multados que, se necessário, sua paróquia cobriria esses custos. Ele também disse que era uma família que nessa missa celebrava algumas pessoas que tinham morrido, mais uma senhora que tinha perdido um parente com coronavírus dois dias antes. “Não era humano enviá-los para fora”, disse ele.

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