Brasil confirma primeiro caso do novo coronavírus

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Fachada do Hospital Israelita Albert Einstein. O presidente eleito Jair Bolsonaro esteve no Einstein e foi submetido a exames laboratoriais, de imagem e consultas médicas.
Fachada do Hospital Israelita Albert Einstein, onde foi confirmado o primeiro caso. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Divulgação)

País passa a ser o primeiro da América Latina com caso confirmado da doença, que já matou mais de 2.700 pessoas no mundo

Nesta terça-feira (25), o Brasil confirmou o primeiro caso do novo coronavírus. A informação foi confirmada com uma fonte envolvida no processo. O homem havia testado positivo para o vírus no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, e depois submetido ao teste de contraprova no Instituto Adolfo Lutz, cujo resultado deve ser anunciado nesta quarta (26) pelo Ministério da Saúde.

Assim, o Brasil passa a ser o primeiro país da América Latina com um caso confirmado da doença que já matou mais de 2.700 pessoas no mundo. De acordo com o Hospital Israelita Albert Einstein, o paciente foi atendido na segunda (24), e a Vigilância Epidemiológica estadual foi notificada nesta terça (25). O homem está em casa.

“O paciente encontra-se em bom estado clínico e sem necessidade de internação, permanecendo em isolamento respiratório que será mantido durante os próximos 14 dias”, afirma o hospital em nota.

Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou em nota que solicitou a companhia aérea a lista de passageiros do voo que trouxe o paciente ao Brasil, e que “aumentou a criticidade no monitoramento dos voos internacionais provenientes de países onde há casos confirmados da doença”.

Ainda nesta terça, a pasta havia divulgado que o primeiro teste realizado no paciente tinha dado positivo para o Sars-CoV-2. As amostras foram enviadas ao laboratório de referência nacional, o Instituto Adolfo Lutz, para realização da contraprova que confirmou a infecção. ​

O período em que o homem esteve na Itália a trabalho (do dia 9 a 21 de fevereiro) coincide com a explosão de casos no país europeu, quando mais de 220 pessoas foram infectadas. Mais de 80 mil pessoas foram infectadas com o novo coronavírus e 2.708 morreram em decorrência da doença Covid-19, até esta quarta-feira.

Crédito: Tyrone Siu

Já na Itália, mais de 320 pessoas foram infectadas e 11 morreram. O aumento no número de casos pode ter relação com falhas de procedimento em um hospital na região de Milão, onde foi internado um paciente considerado “número um”, segundo informou o primeiro-ministro Giuseppe Conte.

Além da confirmação do primeiro caso de contaminação pelo coronavírus em São Paulo, autoridades de saúde monitoram ao menos outros dois casos suspeitos da doença nos estados de Espírito Santo e Pernambuco. Em todos os casos, os pacientes chegaram ao país de viagem da Itália nos últimos dias.

Comitê em São Paulo

O governo de São Paulo decidiu criar um comitê de contingenciamento para enfrentar a chegada do coronavírus. Ele será coordenado pelo infectologista David Uip e reunirá os maiores especialistas em doenças contagiosas do estado, como o infectologista Marcos Boulos, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, e o diretor do hospital Emílio Ribas, Luiz Carlos Pereira Junior.

“Guerra é guerra”, disse Uip, que já foi contatado para assumir a função. Segundo ele, São Paulo está preparado para enfrentar o vírus. “O estado já passou por outras epidemias, como a do H1N1”, afirmou o médico. Em 2009, foram registrados 1.900 casos na capital paulista e 9.000 em todo o estado.

Segundo ele, há planos de contingenciamento já elaborados para enfrentar a chegada do vírus. Eles precisam apenas ser atualizados e implementados.

Uma das primeiras providências deve ser isolar leitos de hospitais públicos e privados para receber eventuais pacientes infectados. Haverá também medidas de proteção a profissionais de saúde e estudos rigorosos sobre o fluxo de entrada de pacientes no sistema de atendimento e hospitalar.

Ele afirma que várias questões precisarão ser esclarecidas para a população -como a necessidade de uso de máscaras, por exemplo. Elas precisam ser descartadas a cada período e cada pessoa teria que usar no mínimo três máscaras por dia.

“Seriam 600 milhões de unidades por dia”, afirmou Uip, notando que dificilmente as pessoas vão conseguir manter o uso das máscaras.

Ainda em quarentena

Os 34 brasileiros que foram evacuados de Wuhan, epicentro da doença, e ficaram em quarentena por 18 dias em uma base militar de Anápolis (GO) foram liberados no domingo (23) após testes indicarem que não foram contaminados pelo novo coronavírus.

O grupo deixou a base militar com destino a oito estados e ao Distrito Federal: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Pará, Maranhão e Rio Grande do Norte. O deslocamento foi feito por duas aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira), sendo que uma delas foi utilizada também para transportar a comitiva do governo federal de volta a Brasília. ​

Primeiro caso na Grécia

O Ministério da Saúde grego anunciou nesta quarta-feira (26) o primeiro caso de coronavírus no país. Trata-se de uma mulher de 38 anos, que esteve recentemente na Itália. A mulher encontra-se atualmente em um hospital de Tessalônica, segunda cidade grega no Norte do país, e está “com boa saúde”, informou o porta-voz do ministério, Sotiris Tsiordas,em entrevista divulgada pela imprensa local.

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