Boff: “Este Papa é um representante da Teologia da Libertação”

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Francisco levou para dentro da Igreja a Teologia da Libertação

Segundo o teólogo brasileiro Leonardo Boff, defensor do socialismo e um dos principais ideólogos da chamada Teologia da Libertação, o Papa Francisco promove esta teologia, já condenada pela Congregação para a Doutrina da Fé quando o seu prefeito era o Cardeal Ratzinger. E assegura, ao mesmo tempo, a sua sucessão, com toda uma série de nomeações.

Aqui estão as suas declarações, apresentadas numa recente entrevista online com a Tutaméia TV, postada em 27/7/2020. Boff, 82 anos, tratou da situação nacional e internacional da epidemia do coronavírus e de uma carta assinada por 152 bispos brasileiros que contém fortes críticas à política seguida pelo presidente Bolsonaro. Boff, aliás, na entrevista, diz que o “Brasil é governado por alguém que tem as características do Anticristo, um espírito inimigo da vida, inimigo de tudo que é bom”, e que, ademais, é “um criminoso”. Sugeriu ainda que os médicos cubanos, que estiveram no Brasil durante os governos de Lula e Dilma, sejam homenageados com o prêmio Nobel da Paz.

Pergunta: Você acha que o Papa Francisco está recuperando a Teologia da Libertação? Você acha que ele tem força para inserir essa visão no conjunto da Igreja? Ou está isolado dentro do Vaticano?

Boff: Este Papa é um representante da Teologia da Libertação. Ele não está defendendo a Teologia da Libertação, está levando para o centro da Igreja as intuições mais originárias da teologia da libertação: a opção preferencial pelos pobres, contra a pobreza e a favor da justiça social e da libertação. … Na minha opinião, ele vai criar uma nova genealogia de Papas. … Creio que este Papa, judiciosamente e com esperteza (não é por acaso que ele é jesuíta) está nomeando cardeais que vem das periferias, que trabalham com operários, que são párocos de aldeias, está fazendo-os cardeais, isto é, está criando a base eleitoral para garantir a sucessão dele na mesma linha que ele está levando: uma Igreja que se abre ao mundo e que renuncia ao mito da exclusividade, ou seja, de considerar que só ela é verdadeira.

Fonte: TUTAMÉIA entrevista Leonardo Boff

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