Biden e a futura política dos EUA em relação a Cuba

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AP / Divulgação.

Se Biden fizer o mesmo que Obama, ele obterá os mesmos resultados fracassados

Jorge Hernandez Fonseca

Em 20 de janeiro Joseph Biden assume o cargo de novo presidente dos Estados Unidos da América. A respeito de Cuba, durante sua campanha à presidência, disse que “retomará a mesma política de Obama em relação à ilha”. Tem a lógica da continuidade, sabendo que Biden foi o vice-presidente de Obama e como tal apoiou sua reaproximação com Havana. Vamos analisar.

Há aspectos que o novo presidente deve levar em conta: a aproximação de Obama em relação à Cuba de Fidel e Raúl Castro é universalmente considerada uma tentativa fracassada, por vários motivos. O principal argumento de Obama na época foi “que a política anterior dos EUA em relação a Havana não havia alcançado nenhum avanço democrático e que continuar a fazer ‘o mesmo’ daria ‘o mesmo’ resultado”. Agora devemos dizer, seguindo o mesmo princípio, se Biden fizer ‘o mesmo’ que Obama, ele obterá ‘os mesmos’ resultados fracassados.

A história de Cuba e dos Estados Unidos está unida, no próprio nascimento da ilha como República independente, ao apoio bélico que a América do Norte deu, para superar o passado colonial que pesava sobre o nobre povo cubano. Da mesma forma, a presidência dos Estados Unidos que Biden passará a representar, também está associada à liberdade de Cuba por meio do 26º Presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, que participou como soldado na decisiva batalha pela liberdade de Cuba, nos arredores de Santiago de Cuba.

Vivemos nos Estados Unidos. Somos milhões de cubano-americanos tomados como exemplo pelo presidente Obama em seu discurso em Havana, orgulhosos de nosso trabalho neste grande país, onde elegemos 10 congressistas, incluindo 3 senadores. Ajudamos também a formar uma metrópole no sul da Flórida. Por isso queremos ser ouvidos durante a formação e execução da nova política que se propõe a respeito de Cuba.

A Cuba castrista foi por muitos anos um parasita da antiga União Soviética. Depois ela o foi da chavista Venezuela, quebrando-a. Agora pretende parasitar o orçamento norte-americano, fruto em parte de nossos esforços. Nem mesmo a Rússia apóia financeiramente a ilha, porque o castrismo não honrou suas dívidas, como não honrou o Clube de Paris, entre tantos outros exemplos. O sistema cubano não produziu bens nem serviços nestes 62 anos de socialismo cru. 

Direitos humanos e liberdade econômica devem ser as chaves para as discussões com a ditadura cubana. Não ceder em nada, se o regime castrista não der sinais concretos de passos rumo à prosperidade de seu povo e / ou à eliminação do rígido controle das liberdades de toda espécie contra seu povo. O recente episódio repressivo contra o Grupo San Isidro, que gerou um protesto espontâneo de centenas de intelectuais e artistas, não deve se repetir, nem a repressão nas ruas às Damas de Branco e um longo etc. autoritário.

A ditadura castrista vive um momento de extrema fragilidade da ordem econômica, política e social. Qualquer apoio direto ou indireto dado a ela resultará em vários anos adicionais de ditadura.

A liberdade de Cuba dependerá da inteligência com que será feita essa reaproximação.

Fonte: Cuba Libre Digital

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