Até 260 ogivas: o Reino Unido quer expandir seu arsenal nuclear

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Foto: LA / MOD, OGL v1.0, via Wikimedia Commons

Corrida armamentista nuclear contra a China e a Rússia?

Países de todo o mundo estão se armando. Nota-se uma polarização contra a China e a Rússia. O Reino Unido quer mesmo agora atualizar o arsenal nuclear de seus submarinos.

Taiwan, Japão, Coréia do Sul, Vietnã, Filipinas e Índia estão se armando contra a China. Austrália também. Os EUA continuam a expandir sua base de mísseis em Guam.

E agora isto: o Reino Unido também quer fabricar armas nucleares. O seu arsenal nuclear deve ser aumentado, pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria, ou seja, desde o desmoronamento da União Soviética!

As armas nucleares devem ser adquiridas para que os submarinos possam fazer ataques nucleares em todo o mundo. Serão montados em mísseis Trident que só podem ser lançados a partir de submarinos. Isto faz sentido, especialmente se o alvo for a China.

Não há informações oficiais sobre o inventário exato das ogivas nucleares britânicas. Atualmente é estimado em cerca de 180 ogivas.

De acordo com o Tratado de Não Proliferação Nuclear, o estoque deve ser aumentado para um máximo de 260 ogivas. Um aumento de cerca de 45%. Como no passado, eles devem ser montados em mísseis Trident, que só podem ser lançados a partir de submarinos.

O governo britânico publicou um documento de cerca de 100 páginas, no qual faz uma revisão de sua estratégia em matéria de segurança, defesa e política externa.

Boris Johnson adotou um tom de alerta e prevenção que faz lembrar os memoráveis discursos de Winston Churchill na época da Segunda Guerra Mundial.  No prefácio do documento, Johnson afirma: “A história mostra que as sociedades democráticas são os defensores mais fortes de uma ordem internacional aberta e resiliente. Para estarmos abertos, também devemos estar seguros”. O Reino Unido é um defensor do comércio mundial livre e das vias marítimas abertas.

Uma “força global para o bem” – foi assim que o Primeiro-Ministro britânico Boris Johnson descreveu na Câmara dos Comuns esta semana como vê o futuro papel do Reino Unido na política mundial.


Um dos quatro submarinos britânicos em patrulha, armado com 40 ogivas nucleares

Por usa vez, o ministro das Relações Exteriores, Dominic Raab, justificou o rearmamento como medida dissuasiva, num mundo turbulento no qual existem em 2020 cerca de 13.400 armas nucleares. “Como as circunstâncias e ameaças mudam com o tempo, devemos manter um nível mínimo e confiável de dissuasão; é a última garantia, a apólice de seguro definitiva contra as piores ameaças de Estados hostis”, afirmou Raab.

Moscou reagiu imediatamente e com duros protestos. Nesse cenário de resiliência, também as vozes da esquerda se levantam contra uma suposta violação britânica, senão da letra do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, pelo menos contra o seu espírito. Cumprem o papel da quinta-coluna infiltrada na nação, a serviço do adversário.

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Fonte: Freie Welt e Deutschlandfunk

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