Alexandre del Valle considera que Francisco é “o Papa mais pró-Islã de todos os tempos na história da Igreja”

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A obediência devida ao Papa tem limites. O verdadeiro católico nunca pode ser globalista

A dois dias da chegada do Papa Francisco ao Iraque – país nunca visitado por um Pontífice –, o portal católico português Dies Iræ publicou, com exclusividade, a entrevista que realizou com o Prof. Alexandre del Valle em 3 de março. O entrevistado, ítalo-francês, é professor de Geopolítica, consultor e editorialista. É especialista no mundo arabe-islâmico e em questões geoestratégicas. O Portal Brasil Livre reproduz da longa matéria apenas o trecho que selecionou. Os leitores interessados em conhecer toda a entrevista poderão fazê-lo por meio deste link.

O professor e escritor Alexandre del Valle.

Entre os dias 5 e 8 de Março, o Papa Francisco visitará o Iraque. Os cristãos, antes uma comunidade numerosa neste País, sofreram uma dura perseguição por parte da maioria islâmica, estando, hoje, reduzidos e humilhados. Que panorama encontrará o Pontífice, sob este ponto de vista, no Iraque? O diálogo ecuménico católico-islâmico trará algum resultado concreto?  

A poucos dias da chegada do Papa Francisco ao Iraque, as expectativas da Igreja local são altas. Esperamos que a sua visita ao País aumente a consciência dos cristãos no Iraque. O Papa encontrar-se-á com os responsáveis cristãos e muçulmanos, incluindo o líder dos xiitas iraquianos, o grande Aiatolá Ali al-Sistani, visto como um homem de paz para os cristãos do Oriente. Mas temo que os outros encontros inter-religiosos, de que tanto gosta o Papa Francisco, sejam não apenas inúteis, mas também contraproducentes, se o Papa não adoptar um discurso de franca exigência e de pedido de reciprocidade que nunca existiu entre cristãos e muçulmanos, sejam xiitas ou sunitas.

Para que servirá o encontro inter-religioso previsto, simbolicamente, em Ur, no Sul do Iraque, cidade de origem dos hebreus e, deste modo, dos primeiros monoteístas, “pátria de Abraão e das três religiões”, se se limitará a repetir as usuais ideias politicamente e islamicamente correctas, segundo as quais “hebreus, cristãos e muçulmanos têm um pai comum em Abraão?” Temo que o Papa Francisco, o Papa mais pró-Islão de todos os tempos na história da Igreja, não ouse e nem pense em denunciar – com respeito, mas também com franqueza – a ausência de reciprocidade islâmico-cristã e o facto que os países e autoridades islâmicas mundiais exigem, no Ocidente, mais mesquitas e o direito de converter os cristãos ao Islão, enquanto os cristãos são perseguidos em quase todos os países muçulmanos e não podem construir, como desejam, novas igrejas.

Na minha opinião, o Papa adoptará uma atitude mais político-diplomática do que de verdade teológica, porque não é o Papa da coerência doutrinal, como o foi Bento XVI, que ousou dizer a verdade sobre o Islão, mas um Papa argentino que ignora o que é o mundo islâmico e que erra ao acreditar que os cristãos serão mais bem tratados ou “poupados” em troca dos seus discursos “inter-religiosos” e declarações falsas de que “o verdadeiro Islão é tolerante”. Espero que seja inspirado pela graça dos mártires cristãos do Iraque e que tenha um discurso de verdade, mas duvido realmente…

Além disso, sabendo perfeitamente que o Papa não vem para converter ninguém ao cristianismo nem para anunciar a Palavra, muitos líderes religiosos islâmicos iraquianos estão a mostrar, nas redes sociais, a sua hostilidade à viagem do Papa e estão a aproveitar-se da sua vinda para fazer crer que o cristianismo ocidental estaria a tentar relançar as Cruzadas ou gostaria de “provocar” os países muçulmanos com o proselitismo cristão… Daí a temática obsessiva dos “cruzados”.

Apesar de ser hiper-pró-imigração e pró-islâmico, o Papa é apresentado, pelos muçulmanos radicais e até ortodoxos, sobretudo sunitas, como «o rei dos cruzados que entra no País como missionário». 

Limites da obediência devida ao Papa

Depois, os cristãos devem sempre recordar que, se devem respeitar a função do Santo Padre como instituição, não devem, necessariamente, aderir a todos os discursos e a todas as observações do Papa quando fala de coisas de que não é especialista nem competente, como a política, a imigração, o Islão, a defesa dos clandestinos, a condenação dos “populistas”, etc. O Papa deve ser seguido e obedecido, de um modo absoluto, em termos de fé e de valores, e deveres ou proibições, apenas se fala ex cathedra, e apenas se ele, servidor da Igreja, não viola ou não importuna a Tradição católica. Podemos a estar certos de que, quando ele diz que o acolhimento aos migrantes supera também o interesse nacional ou que o Islão é tolerante e não tem nada a ver com o jihadismo, erra. E é seguro que a Tradição da Igreja nunca confundiu o temporal com o espiritual, aliás, sempre respeitou a lei e as identidades nacionais, e as fronteiras entre os países.

O verdadeiro católico nunca pode ser globalista

O globalismo é uma doutrina temporal anticatólica, contrária ao universalismo cristão, que é apenas espiritual. O globalismo encarna, hoje, a Torre de Babel, do Antigo Testamento, amaldiçoada e condenada por Deus. O verdadeiro católico, que conhece o direito pontifício e a Tradição dos Padres da Igreja, nunca pode ser globalista.

Fonte: Portal Dies Irae

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