A sórdida conexão do feminismo com o marxismo

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Senti grande desconforto ao tomar conhecimento de chocantes declarações de uma líder esquerdista espanhola. O incômodo vem da contundência de suas declarações, que agridem padrões de comportamento indispensáveis para a manutenção da civilização e derrubam as barreiras do razoável para penetrar no absurdo e no contrassenso.

Beatriz Gimeno foi presidente da Federação Espanhola LGBT. Foi eleita deputada pela sigla socialista Podemos, partido que participa da coalizão encabeçada pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Agora é a nova diretora do Instituto da Mulher. Foi designada pela Ministra da Igualdade, Irene Montero. A nomeação causou polêmica devido a sua heterofobia militante. Não se trata apenas de uma hostilidade instintiva em relação à heterossexualidade, à atração sexual e afetiva entre homem e mulher. Vai além, é a adoção radical do princípio metafísico da igualdade, levada a um ponto extremo que sequer foi cogitado pelos jacobinos da Revolução Francesa.

Beatriz Gimeno faz uma leitura ideológica do lesbianismo. Para ela, não se trata apenas de um modo de viver a sexualidade, senão que pode ser também uma “opção política”, porque homossexualidade e heterossexualidade cumprem distintas funções sociais. Segundo Beatriz, a heterossexualidade não é a maneira natural de viver a sexualidade, é uma ferramenta política e social com uma função muito concreta que as feministas denunciaram há décadas: subordinar as mulheres aos homens.

E assim Gimeno passa de uma teoria sexual para uma visão ideológica, que correlaciona heterossexualidade e patriarcado: ao distribuir o poder de maneira desigual entre homens e mulheres, o regime patriarcal e heterossexual estabelece o regime da opressão dos homens sobre as mulheres oprimidas. Se a heterossexualidade é a principal ferramenta de domínio e opressão do patriarcado, a resistência das mulheres começa com o seu próprio corpo, que se revolta e diz não à opressão. A libertação das mulheres se dá então pela via sexual: o lesbianismo.

Na formulação de sua ideologia libertária, que combina Freud com Marx, Beatriz Gimeno dá o acabamento: ser lésbica não é apenas desenvolver uma inclinação sexual, é estar na vanguarda da libertação feminina, no estado ideal de toda mulher.

A formulação explícita dessa ideologia tem uma potencialidade altamente nociva aos fundamentos civilizacionais: não apenas os preceitos e valores morais fundamentais são sacudidos e pisoteados, a própria reprodução da espécie humana fica fragilizada. Pois até a amamentação passa a ser vista como suspeita de prática política: o sistema patriarcal a torna obrigatória, e assim esse ato biológico se torna ferramenta política ao serviço do regime opressor.

Pode-se perguntar: o que resta da dignidade da mulher, à vista dessa ideologia que é o avesso da visão tradicional construída pela ordem natural e pela tradição católica ao longo dos tempos?

O que mais se comenta na Espanha, a propósito da agenda LGBT a ser aplicada por Beatriz Gimeno em sua nova função, é a convocação das mulheres para a penetração anal dos homens como caminho para a verdadeira igualdade de gênero. É tal a sordidez do assunto que mais detalhes não convém aqui expor, o bom senso e o senso moral o impedem.

O que foi exposto é suficiente para os leitores formarem ideia da assombrosa revolução cultural, em seu viés político e sexual, que está em curso na Espanha. Tem em vista uma transformação nas leis, nos costumes, nos hábitos de vida, no senso comum. A meta dessa infâmia é a modificação da psicologia do ser humano pela atuação profunda no seu subconsciente, com reflexos “no simbólico e na construção das subjetividades”, para produzir “uma verdadeira mudança social que iguale homens e mulheres”, como o quer Beatriz Gimeno.

É verdade que nem todas as feministas vão tão longe quanto a radicalidade de Gimeno. Mas esse é um campo da natureza humana onde mais o dinamismo das paixões se mostra avassalador e quase irrefreável. A mãe que ainda é uma feminista heterossexual pode ter uma filha ou neta que adota a agenda sexual radical. Ainda que não cheguem a isso, carregam o fardo de um lar que passou por uma tremenda desconstrução cultural. Pobres vítimas dessa perversa agenda!

Não é isso o que se ensina em numerosas universidades brasileiras? Pode-se indagar: quantas são as que não ensinam isso? Nos bastidores aparelhados da máquina administrativa do governo também há uma guerra cultural que repercute na grande mídia. O Ministério da Cultura e a pessoa do ministro Weintraub estão envolvidos, com propostas opostas às de Beatriz Gimeno e dos socialistas espanhóis do Podemos e do PSOE.

2 Comentários

  1. Como cientista e professor afirmo: naturalmente falando, sem levar em conta qualquer ideologia, filosofia ou religião, o ser humano busca apenas duas coisas: sobreviver e reproduzir. O argumento feminista de Beatriz Gimeno é a coisa mais antinatural que uma mulher pode fazer: destruir o próprio corpo em protesto e impedir a perpetuação da espécie humana; é suicídio pessoal e coletivo.

  2. Se a premissa do pensamento marxista é o materialismo histórico e dialético, segundo o qual tudo é determinado pelas relações econômicas da sociedade, inclusive a moral, a filosofia e a religião (exemplo daquilo que Marx identifica como sendo partes da “ideologia” superestrutural da classe dominante), então simplesmente não existe sequer a possibilidade da filosofia para o marxista. Quando um descendente intelectual de Marx entitula-se filósofo ou quando, mais grave ainda, a propria sociedade (ou mais propriamente o Estado) através de institutos oficiais confere oficialmente a esses tipos o título de filósofo e reconhece a existência de uma “filosofia marxista”, nada mais fazem do que incorrer numa propositalmente sórdida contradição em termos.
    O Marxismo é a negação da filosofia, o seu exato avesso, sendo estas duas atividades do pensamento e do anti-pensamento, filosofia e marxismo, necessariamente excludentes entre si.
    Qual a consequência inevitável? A destruição daquilo mesmo que é, enquanto conditio sine qua non, capaz de evitar a queda do ser humano no absurdo e no vazio: A Filosofia. É a partir dela que o homem torna-se capaz de usar seus dons naturais para conhecer o significado da sua própria existência e a verdade sobre ela. A Filosofia é ela mesma condição para a Religião, pois se a Teologia Sagrada, raciocinando com o dados da Revelação, permite ao homem contemplar sua causa primeira e seu fim último e, a partir do conhecimento da verdade, orientar sua práxis (conduta) na história, destruída a Filosofia fica destruída a possibilidade da Religião, pois se não existe verdade e a história da humanidade é apenas a história da luta de classes, então nenhuma atitude é adequada a não ser aquela que possa contribuir com a destruição de tudo o que conhecemos por cultura, eis que a cultura é o meio ideológico que sempre foi utilizado pela classe dominante para alienar os dominados. O materialismo histórico-dialético é o golpe de mestre que o inferno acertou na cultura.

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