A solidariedade da Casa Imperial aos mineiros e capixabas

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Senti-me reconfortado ao ler a Mensagem do Chefe da Casa Imperial do Brasil sobre as tragédias em Minas Gerais e no Espírito Santo. O texto de Dom Luiz de Orleans e Bragança foi divulgado em 29 de janeiro do ano corrente.

Não estou entre as vítimas das numerosas famílias desabrigadas que tiveram perdas materiais significativas e, inclusive, nem tenho familiares e amigos que tenham perdido suas vidas nessa calamidade. Mas me sinto reanimado, ao saber que numerosos brasileiros não poupam esforços para socorrer nossos irmãos mineiros e capixabas. Aqui no sul do país também já experimentamos esses desastres e sabemos a importância e o significado, numa hora de extrema aflição, de uma mão solícita que estende um benefício ou de um sorriso que reconforta e recobra o ânimo para viver.

É duplo o nexo que se estabelece entre os que estão próximos aos locais de tragédia, e mesmo entre as pessoas que estão muito distantes no espaço físico, como é o meu caso. Esse nexo foi devidamente realçado pelo príncipe Dom Luiz. O que provém da solidariedade humana constitui um laço de prata. E o que nasce da caridade cristã, laço de ouro. São vinculações preciosas que enobrecem moralmente as pessoas, tanto os que prestam algum auxílio quanto os que os recebem. O que padece fica fragilizado e pode até, por um orgulho despropositado, recusar o benefício. O que doa algo, não deve contabilizar seu gasto pessoal, porque ao fazer o benefício, empresta a Deus.

A solidariedade humana está presente e se concretiza através do trabalho incansável de bombeiros, policiais e médicos, de tantas outras pessoas que têm feito tudo quanto esteja ao seu alcance para ajudar as vítimas e seus familiares. O Estado tem obrigações imediatas e específicas nessas situações, e deve tomar as providências práticas necessárias, como obras emergenciais realizadas em vias públicas e pontes ou em locais mais atingidos, como os morros onde há deslizamentos de terra.

A caridade cristã vai muito além da solidariedade natural ou do cumprimento das obrigações profissionais e institucionais. Não tem limites. Visa o benefício material e espiritual. A medida da doação é muito mais ampla e generosa. Se a solidariedade oferece uma cama e um travesseiro para a emergência, a caridade pode chegar até a compartilhar o mesmo teto.

Dom Luiz elogia os atos de caridade cristã de que deram mostras os monarquistas das regiões atingidas. E, por sua vez, oferece suas orações e solidariedade às famílias enlutadas, bem como reafirma sua disposição de servir aos brasileiros a qualquer momento e em qualquer campo que isto lhe for solicitado.

O nobre ato de Dom Luiz não é algo inédito. Não se trata de acrescentar uma novidade às atividades monárquicas. A solidariedade e caridade cristã constituem uma tradição familiar na vida de nossos príncipes.

A Imperatriz Teresa Cristina tinha a fama de nunca deixar um pedido sem a sua esmola. Deduzidas as despesas da casa, que não eram grandes, todo o resto da dotação se escoava dessa maneira. Quando precisou de dinheiro para socorrer o irmão, a Imperatriz teve de recorrer a um empréstimo.

D. Pedro II, ainda de calças curtas, quando saía a passeio, fazia questão de que lhe dessem moedas de prata. Ao voltar, trazia sempre os bolsos vazios. Distribuía as moedas aos soldados e aos pobres pelas ruas. Nunca lhe sobrava um vintém da mesada de 12 mil réis, que recebia do Tesouro da Casa Imperial.

Quando houve grande seca e fome no Ceará, em 1877, numa reunião do Gabinete, o ministro da Fazenda informou que o Tesouro não tinha mais dinheiro para prestar esse socorro. O Imperador pensou um pouco e reagiu: “Se não há mais dinheiro, vamos vender as joias da Coroa. Não quero que um só cearense morra de fome por falta de recursos.”. Deu-se um jeito, o auxílio foi enviado aos cearenses e não foi preciso vender as joias.

Muitos outros exemplos poderiam ser dados. O que foi apresentado acima é suficiente. É oportuno contextualizar essa solicitude e desvelo da Casa Imperial pelas vítimas das recentes chuvas. O erário público brasileiro foi saqueado nos últimos anos de administração criminosa socialista. A recuperação de nossa economia é um processo de médio prazo e medidas eficazes estão sendo adotadas. O resgate dos valores morais tem grande importância. A Casa Imperial faz a sua parte e dá ao Brasil um edificante exemplo de solidariedade e sentimento cristão.

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