A missa clandestina

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“Deus é um convívio e uma presença real. Sem o sacrifício da missa, o homem se afasta dessa presença”

Artigo originalmenteescrito por Paulo Briguet, cronista e editor-chefe do Brasil Sem Medo

Deus é um convívio e uma presença real. Sem o sacrifício da missa, o homem se afasta dessa presença e o mundo caminha para a destruição. Por isso, nós precisamos da Eucaristia!

De certa maneira, toda missa possui um elemento de clandestinidade. Trata-se de uma invasão deste mundo mau por um reino infinitamente bom; do tempo pela eternidade; da morte pela ressurreição. Os senhores mundanos odeiam tamanha intromissão do Céu nos assuntos seculares. Exatamente por isso, ordenaram a suspensão das missas desde o aparecimento do vírus chinês — no que foram prontamente atendidos.

Ontem, porém, eu estive numa missa clandestina, celebrada na casa de um amigo. Éramos sete comungantes, mais o padre e quatro crianças, perfazendo um total de doze almas. Era a celebração da Santíssima Trindade, mistério de amor que me fascina desde a infância, e que todo católico evoca por meio das próprias mãos sempre que faz o sinal da cruz.

Jamais me senti tão subversivo quanto na missa de ontem. Enquanto o padre falava, eu pensei nas missas da Igreja do Silêncio, quando as famílias católicas polonesas se reuniam em casa para celebrar a Eucaristia. Muitas vezes, nessas ocasiões, não havia padre; o padre estava preso. Então, na hora da consagração do pão e do vinho, fazia-se um silêncio. Graças ao heroísmo desses fiéis, a Igreja de Cristo venceu o comunismo na Polônia.

Não tenho a menor pretensão de desvendar o mistério da Trindade, mas creio, no entanto, que é possível extrair do enigma esta verdade consoladora. Ei-la: a existência de três Pessoas divinas demonstra que Deus não é uma solidão, mas um convívio, uma presença real que se reflete e reconhece em si mesma como numa eterna ciranda de amor (foi essa a imagem que o padre usou ontem em sua homilia, dirigindo-se às crianças).

Na Santa Missa, esse banquete em que o Céu e Terra celebram núpcias, entendemos que Deus é muito mais do que um símbolo, uma abstração ou uma energia: Deus é uma Pessoa, cuja presença santifica a própria matéria, tornando-a incorruptível. Na Eucaristia, Jesus Cristo — que é o Verbo, o Filho, a Inteligência de Deus — faz novas todas as coisas. É por isso, e só por isso, que o mundo não morre; que não nos trucidamos feito hienas raivosas; que as cidades e os campos, as ruas e as casas, o Ocidente e o Oriente não explodem numa hecatombe de caos e fogo e ódio. Graças ao sacrifício do Filho, do cordeiro pascal, Deus adia a destruição do mundo.

Não se enganem, meus irmãos. No dia em que a Nova Ordem Mundial proibir definitivamente a celebração da Eucaristia — e esse dia vai chegar — todos nós precisaremos abraçar a clandestinidade para conquistar a salvação e o Reino. E então diremos, aos que tentarem nos calar, a mesma frase que os 49 mártires de Abitene disseram aos carrascos do imperador Deocleciano, que proibiu as missas no ano de 304:

— Sine Dominico non possumus.

Sem o Dia do Senhor não podemos viver. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

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