A intencional fraude do real: Artista cria engarrafamento virtual no Google Maps

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(Fonte: Simon Weckert/Reprodução)

O artista Simon Weckert criou um engarrafamento virtual em ruas quase vazias em Berlim

O artista Simon Weckert, cujas obras são relacionadas à tecnologia, criou um engarrafamento virtual em ruas quase vazias em Berlim, capital da Alemanha. Ele andou pelas ruas da cidade puxando um carrinho com 99 celulares. Todos os aparelhos estavam com o Google Maps aberto, criando a ilusão virtual de que as vias por onde ele passava estavam congestionadas, embora estivessem com o trânsito livre.

– Ao transportar os smartphones na rua, sou capaz de gerar tráfego virtual (…) Ironicamente, isso pode gerar um engarrafamento real em outro lugar da cidade – disse o artista.

Werkert alugou 99 celulares, todos com o sistema operacional Android. Com a oportunidade criada ele conseguiu permanecer de uma a duas horas em cada ponto da rua, sem trânsito.

Efeito do avanço tecnológico

Há vinte anos não seria possível fazer tal experiência, uma vez que o Google Maps ainda não existia. E se ao invés de vinte, voltarmos dois séculos no tempo? Bem, nesse momento histórico nem carros existiam.

Não havia nessa época as facilidades propiciadas pelo avanço da ciência e tecnologia que temos hoje. No entanto, era mais fácil então perceber quem eu sou e quem você é. Como assim?

Observe. Seu trisavô provavelmente não conseguia se locomover rapidamente dentro da cidade por não ter um carro. Ele também não tinha a experiência de estar em um país e em poucas horas estar em outro porque não havia avião. Nem conseguia mandar mensagens instantâneas via WhatsApp ou saber o que aconteceu minutos atrás no outro lado do mundo, porque não havia internet. Nessas circunstâncias não era difícil ele intuir quem realmente somos: criaturas mortais e cheias de limitações.  O ambiente no qual vivia facilitava tal percepção.

Hoje, porém, podemos nos mover rapidamente, e mudar de país de uma hora para outra ou em poucas horas, o que pode gerar a sensação de que somos onipresentes. Podemos, também, nos comunicar e receber informações numa velocidade inimaginável há alguns anos, o que pode gerar a sensação de que somos oniscientes. Também temos a possibilidade de criar armas atômicas, biológicas e muitas outras inovações, que podem gerar, por sua vez, a sensação de que somos onipotentes.

Se prestarmos atenção num elemento chave nesta questão, a propaganda, notamos que através dela se cria o ambiente necessário para que essas sensações proliferem. Contudo, todas essas facilidades – aparentemente ilimitadas – e as propagandas que as impulsionam, mascaram uma coisa que não muda com a inovação tecnológica e nem com qualquer outra obra humana: somos homens mortais, limitados e dependentes de Deus. Apenas Ele pode tudo, sabe tudo e está presente em todo lugar e em todo tempo.

Somos chamados à felicidade eterna

A falsa ideia de que podemos ser como Deus (onipotente, onisciente e onipresente), sugerida pela propaganda e confirmada pelo avanço da tecnologia e da ciência, é perspicaz e maliciosa. Sabe por quê? Porque há no coração de todo o ser humano o desejo do infinito.

Santo Agostinho traduz isso da seguinte forma: há no coração do homem um vazio a ser preenchido, do tamanho de Deus. A partir dessa premissa a tecnologia, envolta nas púrpuras da propaganda, aparece como sendo o suposto infinito que nós desejamos, o Deus que preenche o vazio de nosso coração.

Se acreditarmos nisso, viveremos insatisfeitos a vida inteira, porque buscaremos satisfazer o desejo do infinito com coisas finitas. E os efeitos disso são assustadores no atual momento histórico. Apenas Deus pode satisfazer nosso desejo do infinito. É por isso que apenas n’Ele encontramos paz. Podemos ter isso o tanto quanto possível nesta terra e, plenamente, no céu, onde este desejo será totalmente saciado.

Weckert, que realizou a experiência a partir da qual estamos fazendo esta análise, afirmou que teve como objetivo despertar a reflexão sobre o espaço que os carros têm na vida social e questionar dados nos quais as pessoas costumam confiar, como o de serviços de mapas.

– O truque nos mostra o que é possível acontecer com essa tecnologia na qual confiamos – afirmou ele. Em vídeo que o artista publicou no YouTube, é possível ver imagens da rua deserta, e de como ela vai ficando vermelha no Google Maps, conforme ele caminha com o carrinho cheio de celulares.

Bem, sobre o espaço que os carros têm na vida social, podemos constatar, vendo o resultado do experimento:

Com um carrinho de mão e 99 celulares, o alemão Simon Weckert “hackeou” o Google Maps nas ruas de Berlim Divulgação/Simon Weckert

Com relação aos dados nos quais as pessoas costumam confiar, notamos que os que seguiram o Google Maps no dia em que Weckert fez a experiência, provavelmente chegaram atrasados em seus compromissos.

Apesar de as inovações tecnológicas – como o serviço de mapas do Google – parecerem infalíveis, elas não o são. Weckert nos mostrou isso. Infalível e insubstituível em nossas vidas é apenas Deus, que nos criou para a felicidade eterna.

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