A Dinamarca limita a proporção de pessoas “não ocidentais” nos bairros da cidade

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Foto: Pixabay

Olhando para o futuro ou tarde demais?

A Dinamarca atende aos desejos de seus eleitores e limita a proporção de pessoas “não-ocidentais” nas cidades.

Na Alemanha, os políticos têm-se confrontado com sociedades paralelas e, em alguns casos, elas são bem-vindas: bairros em que árabes e africanos constituem suas próprias comunidades e ali continuam a viver como na sua pátria. Palavra-chave: Neukölln, bairro situado na cidade de Berlim, verdadeira cidade-dormitório com forte presença de imigrantes turcos, curdos e árabes. O fato de sociedades paralelas colocarem em perigo o futuro do mundo ocidental é muitas vezes reconhecido, mas ninguém tomou medidas para evita-lo. Pelo menos até agora.

Agora os dinamarqueses estão levando a sério o assunto. A proporção de residentes de origem “não ocidental” deverá no futuro ser limitada a um máximo de 30% em cada distrito das cidades, de acordo com um projeto de lei apresentado ontem (17/3) pelo governo social-democrata. Isto irá reduzir ainda mais o limite de 50% que vigora até hoje.

Como justificativa, o Ministro do Interior Kaare Dybvad Bek salientou que uma proporção muito grande de pessoas de países não ocidentais aumenta “o risco de uma sociedade religiosa e cultural paralela”.

Desde 2010, os bairros que satisfazem determinados critérios têm sido considerados “zonas de gueto”. Estes critérios incluem uma elevada proporção de migrantes, baixos níveis de educação e renda, e altas taxas de criminalidade. A fim de dissolver tais bairros, são possíveis medidas que podem ir até ao reassento, inclusive. Os críticos opõem-se repetidamente ao termo “gueto”, porque faz lembrar os nacional-socialistas – uma distorção pérfida dos fatos. O governo social-democrata preocupa-se precisamente em evitar a formação de guetos.

Proibição do financiamento estrangeiro de mesquitas

O Parlamento dinamarquês aprovou uma nova lei que proíbe os governos estrangeiros de financiar mesquitas no país. A medida visa impedir os países muçulmanos de promoverem o extremismo islâmico nas mesquitas dinamarquesas. Tem em vista impedir que especialmente o Qatar, a Arábia Saudita e a Turquia, promovam o extremismo islâmico nas mesquitas e locais de culto dinamarqueses.

Políticos de quase todos os principais partidos políticos da Dinamarca expressaram o seu apoio e aprovação à lei que proíbe o financiamento estrangeiro de mesquitas.

O governo tomou as primeiras medidas depois que o jornal dinamarquês Berlingske informou em janeiro de 2020 que a Arábia Saudita tinha doado 4,9 milhões de coroas dinamarquesas (aproximadamente 660.000 euros) para financiar a mesquita de Taiba no distrito multicultural de Nørrebro, também conhecido como “pequena Arábia”. A doação foi feita através da Embaixada da Arábia Saudita na Dinamarca.

A mesquita da Taiba é considerada uma das mais conservadoras da Dinamarca. Tem sido a base para vários islamistas fundamentalistas que foram condenados por crimes terroristas.

Mesquita fechada pelas autoridades na Alemanha

Em Hamburgo também havia uma mesquita chamada de Taiba, que foi fechada pelas autoridades alemãs em 2010. O piloto suicida Mohammed Atta, envolvido nos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos, costumava frequentar esta mesquita que há anos apoiava o terrorismo, segundo concluíram os investigadores. Após o 11 de Setembro, a mesquita tornou-se um “lugar simbólico para os jihadistas”.

O nome da mesquita, Masjid Taiba, significa “bela mesquita”. Na ocasião, a polícia de Hamburgo invadiu a mesquita, bem como a Sociedade Cultural Árabe-Alemã a ela ligada, e as casas dos membros da sociedade. A mesquita foi fechada imediatamente, a sociedade foi proibida e os seus bens e documentos foram confiscados.

Para o então Ministro do Interior de Hamburgo, Christoph Ahlhaus, a mesquita era “um foco para a cena jihadista”. A associação cultural da Taiba tinha “espalhado uma ideologia hostil à democracia” em sermões, cursos, seminários e através da Internet, disse Ahlhaus. Nessa época, o serviço de inteligência de Hamburgo estimava que cerca de 45 jihadistas viviam em Hamburgo.

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Fonte: Freie Welt e Spiegel

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