A dança da árvore e a quebra das estátuas

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Foto: Esteban Sunyer

Revolucionários dançaram em volta da Árvore da Liberdade. A cena por toda a parte se repetiu incontáveis vezes durante a Revolução Francesa. Plantar árvores era costume popular, expressava a alegria do povo francês. Deu-se a isso uma conotação ideológica durante a Revolução. O ato passou a exprimir o ideal revolucionário: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. No momento em que se julgava e condenava o rei Luís XVI, um revolucionário bradou: “A árvore da liberdade não pode crescer se não for regada com o sangue dos reis”. Seguiu-se a euforia das danças e o estrépito da guilhotina. Milhares de vítimas inocentes regaram com seu sangue a liberdade. Liberdade, com tanta gente presa? Fraternidade, com tantas execuções pela guilhotina?

Hoje não se dança mais em volta das Árvores da Liberdade. Nem mesmo os ambientalistas verdes sentem vontade disso. Os revolucionários são mais cautos. Preferem derrubar estátuas sem derramar sangue. Promovem cenas de revolução cultural, com forte carga simbólica, para difusão pela rede.

É o que se viu recentemente no Chile. As estátuas dos espanhóis conquistadores são símbolos emblemáticos da construção dessa nação e de sua história. Pedro de Valdivia é uma figura central na história chilena. Foram derrubadas estátuas dele em Concepción, Temuco, Valdivia e em Bío-Bío. Inclusive derrubaram a do vice-rei da época, García Hurtado.

Como as esquerdas noticiam e comentam esses fatos? A narrativa segue fielmente a “legenda negra”, a mentira posta em circulação há séculos para denegrir a grande obra civilizadora da Espanha. Pedro de Valdivia seria o sanguinário conquistador europeu que, a partir de 1546, realizou a carnificina de milhares de índios. Portanto, um dos maiores genocidas da colonização europeia, exterminador dos povos originários e símbolo da opressão.

Ora, o povo mapuche foi à guerra e cortou a cabeça de Valdivia e a atirou na praça pública. Eram extremamente violentos e agressivos, e assim continuam a aparecer no imaginário popular chileno. A esquerda hoje os apresenta quase exclusivamente na ótica da luta racial; mas há dezenas deles que realizam projetos interessantes nas ciências, arte, cultura, matemática, economia, esportes. Nem todos eles são favoráveis aos protestos violentos.

Segundo a “legenda negra”, os espanhóis são invasores do território mapuche. Pior. São assassinos dos povos nativos. Milhares de indígenas teriam sido assassinados pelos conquistadores europeus. Milhares, não: milhões! A esquerda católica faz a cifra subir vertiginosamente: na conta do bispo D. Erwin Krautler, 70 milhões de indígenas exterminados na América Latina; segundo D. Pedro Casaldáliga, 90 milhões (1).

A verdade histórica é que a população indígena de toda a América era de 13, 3 milhões de habitantes, segundo os estudos de Angel Rosemblat, considerado a maior autoridade em demografia histórica da América. As verdadeiras causas do despovoamento indígena foram as epidemias, a miscigenação racial e o vício do alcoolismo. As guerras entre indígenas e europeus são um fator muitíssimo exagerado pela “legenda negra” como causa da mortandade.

 A esquerda latino-americana celebrou a derrubada dessas estátuas. Aqui no Brasil, por exemplo, Luciana Thomé, que se autodenomina “sapatão terrível”, publicou “vídeo de regozijo revolucionário”, que mostra a multidão (a esquerda engajada) ao derrubar a estátua de Pedro de Valdivia na capital chilena, em novembro de 2019. (2)

Qual a meta dessa orquestração da esquerda? O que ela gostaria de fazer no Brasil? É simples! Denegrir e derrubar os grandes vultos de nossa história. Fazer nas ruas o que já fazem nas salas de aula e na mídia. Exemplo disso é essa tentativa frustra: “A derrubada da estátua do assassino de povos nativos Pedro de Valdivia no Chile poderia inspirar os paulistas a derrubar as estátuas dos bandeirantes?” Um internauta sagaz responde: “Os bandeirantes são heróis, não são assassinos. Você está equivocado!” (3)

Não se pode reduzir a questão a uma guerra de narrativas. Há um grande dilema, que se apresenta não só ao Brasil, ao Chile e a toda a América Latina. O que se quer? Optar pela continuidade de um grandioso passado católico? Ou optar pela ruptura e retorno ao tribalismo neopagão com fortes tinturas socialistas? A propagação da Fé e a expansão da civilização cristã estão na raiz da formação da Europa e também da América. No cerne da divulgação das falácias dessa “legenda negra” está o projeto comunista continental, o intento da restauração da Abya Yala, o continente indígena, que também é chamado de Nossa América, ou Ameríndia (4).

A ideologia comuno-tribalista calunia a colossal obra missionária e civilizadora empreendida pela Igreja Católica e por Portugal e Espanha na América. A verdade é que a conquista, evangelização e civilização da América Latina constituem títulos de glória para a Igreja Católica e razão de orgulho ufano para esses dois países.

(1) El País, Madri, 29-4-1991, declaração de D. Erwin Krautler.

(2) https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/video-chilenos-derrubam-estatua-de-pedro-de-valdivia-o-sanguinario-conquistador-europeu/

(3) https://pt.quora.com/A-derrubada-da-est%C3%A1tua-do-assassino-de-povos-nativos-Pedro-de-Valdivia-no-Chile-poderia-inspirar-os-paulistas-a-derrubar-as-est%C3%A1tuas-dos-bandeirantes)

(4) http://www.sacralidade.com/sacral2008/0001_sacralidadeoucaos.html

1 Comentário

  1. “Uma mentira dita cem vezes, torna-se verdade um dia.” É uma máxima nazista posta em prática todos os dias pela esquerda mundial. Destroem as marcas do passado e manipulam este para o fim que lhes convém no momento.

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