A China necessita de mais 30 anos para se tornar potência manufatureira, admite funcionário do Partido Comunista Chinês

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A gigante tecnológica Huawei muda para a “suinocultura inteligente” devido ao corte no fornecimento de chips

Por Jennifer Zeng e Winnie Han

Um alto funcionário do Partido Comunista Chinês (PCCh), admitiu recentemente que, devido ao fato de a indústria manufatureira da China estar limitada pelo sistema social chinês, pela falta de talentos e outros fatores, e porque as tecnologias chave estão controladas por “outros”, o país necessita pelo menos de 30 anos para alcançar seu objetivo de se converter numa potência manufatureira.

A declaração foi feita por Miao Wei, subdiretor do Comitê Econômico da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPCh) e ex-ministro de Indústria e Tecnologias da Informação.

Miao disse, numa reunião do CPPCCh em 7 de março que, em termos de indústria manufatureira global, há quatro níveis diferentes.

O primeiro nível é liderado pelos Estados Unidos, porque é o centro mundial de inovação em ciência e tecnologia.

A União Europeia e o Japão pertencem ao segundo nível, por se encontrarem no topo da fabricação.

A China e alguns países estrangeiros emergentes pertencem ao terceiro nível, que se encontra no nível baixo e médio da indústria manufatureira.

O quarto nível consiste principalmente em países exportadores de matérias primas, incluindo os países da OPEP (Organização de Países Exportadores de Petróleo), África, América Latina e outros.

Segudo Miao Wei, a indústria manufatureira da China é “grande, mas não é forte; completa, mas não é boa”, com capacidades básicas débeis, enquanto que as tecnologias-chave permanecem controladas por “outros”. Devido a isto, a China vai demorar pelo menos 30 anos para se converter em uma potência fabril.

Si Zefu, membro do Comitê Permanente da CPPCCh e presidente da Junta Diretiva da Harbin Electric Corporation, também admitiu, no mesmo dia das declarações de Miao, que a indústria manufatureira da China “não era tão boa como as outras” em três “pontos-chave”: capacidade e nível de inovação; qualidade e marca dos produtos; nível e eficiência de gestão. “O baixo rendimento é particularmente proeminente”, disse.

Miao Wei também destacou que a contribuição do setor manufatureiro para o PIB caiu muito rápido recentemente. Isto não apenas diminuiu o crescimento econômico de China, mas também afetou o emprego urbano. “Também trará riscos de segurança industrial, debilitando a capacidade da economia da China para resistir aos riscos e à competição internacional”, disse.

Miao Wei disse que, à medida que a economia mudou para um modelo baseado em serviços, as fábricas com chaminés poluidoras foram fechadas e a produção manufatureira, como parte da economia, diminuiu. Em 2020, a participação do setor manufatureiro no PIB da China foi de pouco mais de um quarto, o menor nível desde 2012.

Quanto ao problema do sistema social chinês, Miao Wei acredita que o problema fundamental que limita o desenvolvimento da indústria manufatureira chinesa é a “falta de reformas orientadas para o mercado”.

Também considera que, além da falta de tecnologias-chave, a China também carece de talentos nas indústrias emergentes, e isto se converteu num obstáculo para a melhoria do estado geral da indústria manufatureira.

O PCCh parece haver abandonado seu objetivo de transformar a China numa potência manufatureira em 10 anos

Em 2015, o PCCh lançou o projeto “Made in China 2025”, um projeto de 10 anos, concebido para terminar em 2025, mediante o qual a China, de um grande país manufatureiro, se transformaria numa potência manufatureira. O plano permitiria que em 2035 a indústria manufatureira do país superasse a dos países industrialmente avançados, como a Alemanha e o Japão. O PCCh esperaria liderar a inovação nos setores-chave de fabricação em 2049, no centenário do estabelecimento do regime do PCCh.

Não obstante, depois que o projeto “Made in China 2025” se converteu num ponto de atrito na guerra comercial com os Estados Unidos, Beijing deixou de falar disso publicamente. O projeto desapareceu do informe de trabalho governamental do PCCh em 2019.

Enquanto isso, segundo o Wall Street Journal, o PCCh substituiu seu “Feito na China 2025” pelo décimo-quarto plano quinquenal redigido pelo vice-primeiro-ministro, Liu He.

Xi Jinping percebe que a China estancou diante das tecnologias-chave do Ocidente

Além da guerra comercial, a administração Trump havia imposto sanções às empresas de tecnologia estatais do PCCh, como as gigantes das telecomunicações Huawei e ZTE, e a Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC).

Como consequência, o PCCh admitiu publicamente que a China está ficando sufocada no campo da tecnologia.

Em novembro do ano passado, durante a celebração da Conferência Central de Trabalho Econômico do PCCh, Xi Jinping admitiu que a inovação na indústria manufatureira chinesa estava longe de ser suficiente. Afirmou que as forças científicas e tecnológicas estratégicas do país deveriam ser reforçadas para a melhoria da capacidade chinesa de manter-se independente e de controlar sua própria cadeia industrial a fim de resolver os problemas de atraso em relação às tecnologias-chave.

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, também destacou na Conferência do Trabalho Econômico, em dezembro do ano passado, que “deve-se fazer esforços para resolver os principais problemas que limitam o desenvolvimento e a segurança nacional”, e que a China deve “concentrar-se nos pontos fracos da indústria, colocar em execução projetos de aproveitamento da tecnologia básica e resolver uma série de problemas o quanto antes possível”.

O comentarista de temas de atualidade, Zhong Yuan, disse, na edição chinesa do The Epoch Times, que o discurso de Li Keqiang revela que o PCCh está atrasado em ciência e tecnologia.

Yuan disse que, embora o PCCh tenha roubado muita tecnologia, não conseguiu dominar as tecnologias-chave mais importantes. Ansiou desenvolver o chamado plano “Made in China 2025”, e, inclusive, sonhou em monopolizar o mercado mundial. Mas todos esses sonhos fracassaram.

Huawei muda para “suinocultura inteligente” devido ao corte no fornecimento de chips

Por exemplo, embora a Huawei tenha sido apoiada pelo PCCh, as sanções norte-americanas a golpearam duramente.

Nos últimos anos, a China passou a ser o maior país fabricante do mundo, impulsionado pela demanda nacional e internacional, mas a dependência de sua indústria em relação aos produtos de alta tecnologia norte-americanos, como os semicondutores, se converteu numa debilidade estratégica.

Como resultado, o PCCh começou a promover a “criação científica de porcos”. Muitas empresas de alta tecnologia entraram na indústria de criação de porcos.

Desde que foi confirmado o primeiro caso de peste suína africana na China, em agosto de 2018, o preço dos porcos aumentou constantemente.

Recentemente, quando se tornou difícil prosseguir no seu principal negócio de telefonia celular, a Huawei se viu obrigada a anunciar sua transferência para a “criação inteligente de porcos” devido a um corte no fornecimento de chips.

Segundo a empresa Sina.com, a solução da “criação inteligente de porcos” da Huawei inclui o monitoramento de painel, análise de big data e gerenciamento digital.

A solução também oferece suporte à identificação por Inteligência Artificial (IA), aprendizado por IA, previsão por IA, tomada de decisão por IA, inspeção por robô e controle remoto por meio de padronização e programação.

Além de criar carteiras de identidade para porcos, a tecnologia de reconhecimento facial também foi aplicada aos suínos. O reconhecimento facial de suínos, ou identificação de “cara de porco”, e outras tecnologias, também foram adotadas nas soluções de “suinocultura inteligente” da Huawei.

Um artigo da Radio Taiwan International diz ironicamente que o que é desastroso para a Huawei é que, mesmo depois de ter lutado para resistir até a Casa Branca mudar de mãos, o governo Biden não relaxou as sanções.

Em fevereiro deste ano, o presidente da Huawei, Ren Zhengfei, prometeu “sobreviver sem telefones celulares” e lançou os projetos “Nanniwan” para garantir a sobrevivência da empresa. Os projetos incluem inovações em vários campos, como produção de carvão e aço, música, monitores inteligentes, computadores PC e tablets.

Nanniwan era a “base revolucionária” do PCCh, localizada perto de Yan’an, na província chinesa de Shaanxi. Em março de 1941, o Oitavo Exército do PCCh realizou um esforço militar em Nanniwan para fornecer suprimentos ao PCCh.

Desde então, Nanniwan se tornou um lugar “sagrado” simbólico que salvou o PCCh. “O espírito de Nanniwan é uma parte importante do espírito de Yan’na”, isto pode ser lido na entrada da empresa Baidu.com em Nanniwan.

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Fonte: The Epoch Times

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